segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Exclusão digital involuntária

As redes sociais me fazem sentir excluída por motivos de: alguns.

Um deles é eu nunca ter assistido ao seriado Breaking Bad (ao que meus quatro leitores ficam surpresos nesse momento, mas como?, afe, etc). Na timeline da vida, aliás, na timeline da minha vida, todos assistem a esse seriado que eu já sei do que trata e que só pode ser muito, muito incrível. Amigas fofas gostam. Meninos grosseiros gostam. Uma pessoa que eu conheço que nunca gosta de nada e que sempre fala mal de tudo, vulgo meu namorado, também aprova. Quase a Capitu para Ana Elisa Ribeiro: "uma sumidade". Aposto que é. Mas já encomendei o download!, porque, também isso, nunca aprendi a fazer sem que fosse carregando trouxas de vírus, outro item e exclusão sócio-digital que pratico involuntariamente. Em breve me sentirei mais alguém na humanidade online.

Outro: são as feministas se esgoelando todos os dias por um mesmo motivo: as cantadas que levam na rua. Elas estão apavoradas com os "nóssinhora" que recebem e seus derivados. Eu não lembro nem quando foi a última vez que eu ouvi um "psiu" enquanto andava na rua. E, sim, eu ando na rua; não é questão de estar mais ou menos dentro de um carro. Eu me questiono se isso é preocupante, visto que anônimos não me cantam, mas se eu disser isso as feministas irão gritar é comigo porque na verdade eu deveria é comemorar que ninguém me joga uma cantada gratuitamente quando eu saio na rua, mesmo que esteja no good-hair-day, isso é sinal de progresso e respeito à minha condição de mulher, etcétera. E tal. Mas eu nem posso enfileirar para o coro, concordar como me senti exposta hoje quando o cara reparou na minha bunda (que não é nada que realmente se ponha reparo). O que me deixa muda, algumas vezes, na timeline da vida - essa timeline da vida tem seus dias temáticos, e os dias feministas dão uns dois ou três ao longo da semana, dependem dos incidentes e da quantidade de cantadas malcriadas que as mulheres (todas menos eu) levam nas ruas.

Mais: meu 3G não funcionar e eu me sentir menos mal em estar vida. É quase isso. Porque eu prefiro, realmente, um teor menos infinito e insistente de comunicação. Um celular que apita vinte e quatro horas ao dia não é de Deus, gente, quem foi que disse que é. Mas de vez em quando me puxavam os cabelos e me botavam de castigo por eu não ter um whatsapp ou por eu ter desativado o facebook. Claro que você não foi pro aniversário, você não tem facebook!!! Porque aniversariantes só usam esse meio de comunicação agora. Nem soube que eu estava grávida de gêmeos e que me casei na semana passada, afinal, você não tem whatsapp!!! Cedi. Mas a tecnologia já me boicotou, vocês estão vendo. (E o fato de eu não fazer nada para resolver não entra na discussão agora.)

Às vezes eu lembro de quando minha única rede social era esse blogue. 2003 e lá vai. Era só ler e escrever, ler e escrever; circulo pequeno, notícias poucas, e a vida das pessoas não era tão movimentada como hoje. Hoje vocês têm dias com mais de cinquenta horas, é demais pra mim. E ainda tão arrumando tempo de levar cantada. "Nóssinhora, hein!".

Vou pôr a série em dia. E pedir umas cantadas ao responsável pelo download. Aí quem sabe eu possa manter um feed de notícias em um hangout qualquer na timeline dessa vida. Antes disso, tá difícil. Peço tempo.

2 comentários:

Clarisse disse...

Quase fui ao Google descobrir sobre essa série maravilhosa. Fiquei pensando o quão preocupante é nem ao menos ter ouvido falar. Achei melhor terminar de ler seu texto :D depois me diga se é boa mesmo!

-sOliNo- disse...

o que é breaking bad? o.O