domingo, 15 de setembro de 2013

Palco vazio

Estamos em palco vazio. Somos só nós, nós dois, fingindo que temos um pano de fundo que nos justifica e que se justifica de estar ali. Mas somos só nós, e não vemos.

Não existe plateia, nem coadjuvantes. Mas a plateia imaginamos que existe, e deve estar mesmo dentro de nós; e os coadjuvantes que já foram embora faz tempo. Não deixaram nem os textos velhos, levaram foi tudo. E a gente esperando e os ouvindo sem que eles estejam aqui, com medo deles; vendo fantasmas.

Eu vejo fantasmas tanto e tempo inteiro. Em cima e longe desse palco. Perto e fora de você. A gente separado eu vejo mais. E sonho, agarro e sorrio. Tem fantasma que vem com nostalgia, mesmo que a gente não peça.

Por isso tenho acendido as luzes desse palco para eu ver melhor quem realmente está aqui; para afugentar fantasmas. E só restam nós dois. Só estamos nós dois. E não haverá mais. A possível mudança, única, é que reste apenas um. Mas esse não foi o texto que escrevi.

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