quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Tudo sempre igual

Perdi os sonhos assim que acordei. Perdi a hora pela manhã. E esqueci as meias confortáveis por dentro dos sapatos. Calcei as novas, sem querer. Comprei o jornal fingindo hábito, notei de ver que não tinha mais do meu cigarro, e senti calor de dia sem nuvens, sem muito. Dirigi com pressa de mentira e vi seu carro três, quatro, umas oito vezes. Entrevi a placa alta e já estava lá, seu apartamento, e você perdendo a hora, passando o café com real atraso, sem dor nenhuma para hoje. Vi você pelos muros do edifício. Peguei a fila, o café, matei o trabalho inteiro. Fiquei de frente à ele vendo-o prostar na minha frente, que não importava. Ouvi as mentiras e criei mais delas pra mim, só pra mim, eu que às vezes pareço ser várias, aos pedaços. Escrevi em obsessão na tarde, e não disse coisa alguma em tudo que escrevi. Meus segredos. Com vidros abertos, com noite com frio, senti os cheiros da rua, pensei nos sonhos e na hora perdidos no começo do dia, nos minutos perdidos pelo dia inteiro, e no todo que perdi.

Encontrei você em todas as brechas.

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