terça-feira, 24 de setembro de 2013

Vozes longe

Faz anos que não escutamos nossas vozes, as vozes um do outro. Faz anos que não abrimos diálogo enquanto olhamos um para o outro, você olhando nos meus olhos preguiçosos. E enquanto o tempo vem e passa, que os anos poderiam vir enquanto nós ficávamos a ouvir nossas vozes. Eu esperando sua gargalhada que sei a hora que vai chegar.

Faz anos que não te escuto. Que seu tom grave não ressoa aqui nos corredores, na sala, no nosso sofá. E eu não consigo fazer o esforço e imaginar que te ouço. Tanto tempo que faz.

Liguei aquela playlist para ver se ela me traz as nossas vozes que conversavam enquanto ela, como o tempo, vinha e ia, se repetia. Enquanto ela, assim como o tempo, não nos cansava. Não estávamos cansados de o tempo passar por nós e continuarmos sendo os mesmos.

Faz anos que você não me faz rir vivamente. Que não sabemos mais como é.

Passei hoje em frente à garagem e a mesma caminhonete estava lá. O cachorro não latiu; guardando a voz dele consigo também. Dirigi em silêncio até em casa, até nossos corredores, nosso sofá e teto. Não ousei contar meus segredos a mim mesma, nem sem palavras. Você será o primeiro a sabê-los.

Quando chegar, vou estar pronta para gritar.

E que seja logo.

Nenhum comentário: