terça-feira, 22 de outubro de 2013

Em dia

Acordei com pressa de novo depois de bater no despertador tantas três tantas quatro vezes, como sempre. Saí com pressa para fazer coisas desimportantes sem as quais eu não poderia pôr o dia para frente. Fiz. Perdi a manhã inteira em nada, em claro, fingindo que tomava conta de minha própria vida, porque é capaz de que um dia isso termine se tornando verdade.

Tentei colocar o trabalho em dia de novo, a tarefa de ontem pra hoje, o documento errado nos moldes que têm. Tudo em desencontros. Eu em desencontros.

Pensei sobre o sonho de ontem que não escrevi, que não te contei, e que não consigo esquecer - caminho contrário ao absurdo dos sonhos. Eu lembro. E achei que lembrar de alguém atirando e gritando contra tudo era uma fotografia de um grande nada. Um nada que sonho quase sempre, esqueço quase sempre, e dessa vez só me lembro.

E pus o nada pra frente de novo. O dia e a dor. Simbolicamente, a dor.

Dormi no começo da noite e acordei na hora em que todos dormem. Tomei café na hora em que todos dormem, acendi um cigarro pra me manter acordada com certa dose de sono. O trago.

Escrevi nosso romance.

Sonhei de novo o mesmo sonho.

Nenhum comentário: