segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Rebote

Todos os dias ela anuncia que é sexta-feira. A professora lá na academia. Como que o efeito breve da mentira, antes de nos darmos conta de que é mentira, pudesse surtir algum efeito. E surte. A gente ri, mesmo previsivelmente, a gente ri.

E eu comecei a mentir em voz alta ao longo do dia hoje. Falei que as mensagens iam estar no celular depois que eu saísse do banho. E que por volta das nove você ia de novo me ligar. E sorri sabendo que a semana passaria se arrastando, ou rápida caso nos víssemos antes dela acabar. E eu te vi passando por mim, aqui na rua, e noutras. Umas três vezes hoje.

E eu menti que saberia dizer como você estava se sentindo hoje, mesmo sem ter te visto. Pois menti de termos nos visto ontem, antes de ontem. E eu saberia que pouco tinha mudado de lá pra cá. Os corações iam calmos - menti sobre isso também.

Eu menti em voz alta que ainda não tinha dado tempo de sentir saudades. Que meu peito não apertava antes de trocarmos os sons de nossas vozes noite adentro. Tão perto tão longe, poderíamos estar juntos em carne e osso agora. Mas manter-se distantes por dias inteiros é bom, é de fazer bem. E eu menti em voz alta que eu estava bem.

Menti logo que o tempo era o mesmo, era esse, só esse, o nosso.

Só não pude dividir a mentira com você dessa vez. Sem efeitos. E cem efeitos rebote.

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