sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Agora em excesso

Ele cutucava as roupas que ela usava, e os sapatos. Dizia pra trocar. Aquele tênis velho era coisa de gente suja, mandou ela voltar em casa e ir trocar. Ela disse que não ia mais sair com ele aquela noite se tivesse que subir em casa e trocar os sapatos. Ele deu a volta até a casa dela e ela subiu e ele foi embora e não voltou mais. Nem ela desceu. Outro dia achou o vestido tão grande tão largo e cheio de panos. Troca isso. Subiu e vestiu uma calça bem justa, uma blusa que dava pra ver um pouco a mais. Desceu nos desconfortos pra ver o sorriso dele. Sorriu. Se sentiu melhor, ela, por causa disso. Ele desaprovava os amigos preferidos dela. Acho que porque eles usavam tênis meio velhos e roupas meio largas. E porque eles a aprovavam. Bem pode ser; ele que não aprovava sua menina. Ela amou-o em excesso. E depois de tantos anos em excesso de roupas apertadas e sapatos novos e melhores amigos reprovados e sabotagens de tantas ordens, descobriu que não o amava mais. E passou a se amar em excesso.

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