sexta-feira, 29 de novembro de 2013

É capaz que ele sobre

Vamos apressar um pouco mais. Sua noite, meu jantar, seu texto pronto pra ontem, e os remexidos no meio do café frio que você ainda bebe. Vamos apressar. Vamos logo desfazer esse imbróglio, falar de nós dois, por mais chato que pareça, por mais urgente que seja. É tão urgente e tão possível de postergar. Mas vamos apressar.

Vamos apressar essa noite e a próxima sexta. Poderia ser um feriado e enforcaríamos um dia inteiro e duas madrugadas, logo de uma vez. Seria providencial essa forca. Para que apressasse todo o resto, e a gente apressasse todo o resto.

Vamos apressar minha insônia. Que ela venha e passe logo, apesar de que o logo e a pressa não são a cara dela, não são a cara de insônia nenhuma. Se arrasta. E também você, e seu café, e seu texto pra anteontem.

Vamos apressar mais essas horas, enforcar esses dias. Só não vamos matar o tempo daqui até lá. Pra que, depois de tudo isso que a gente apressar, ele passe vagaroso por nós dois. É capaz que ele sobre. Se a gente apressar, é capaz que ele sobre (sim?).

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