domingo, 3 de novembro de 2013

Passa

Saudade passa.
Saudade vem antes da hora, vem antes da despedida, obedece a sucessão de abraços contínuos antes do abraço apertado que for o último. Último até a próxima vez.

Saudade machuca antes de doer de verdade. E depois dói. Não se distrai, não se esquece, não se guarda pra depois do almoço nem pro final de semana. Fica avisando que é preciso matá-la se não quer que o mate antes. E vem cedo pra ir embora por último, sugando os últimos segundos da espera, e alimentando o fluxo das expectativas. Elas vivem andando juntas por aí. Difícil ver uma longe da outra.

As duas doem.

Mas passa. Saudade vem, sufoca e passa. E se despede de jeitos diferentes.

A minha morreu lento, sem abraço de volta, sem olhar perto do outro. Sem plano de presente e futuro e o que vamos fazer a partir de agora. A minha morreu lento. Não morreu de volta, de recomeço, nem de tempo. Não morreu porque morreu a memória.

Morreu de ausência, morreu de tédio, morreu de marasmo absoluto de espera. Morreu porque dessa vez ficou de repente desacompanhada da expectativa. Se desculpou por ter vindo com aviso prévio, e antes da hora, e mais forte que o anúncio predizia. E foi.

Saudade passa até virar nada.

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