terça-feira, 5 de novembro de 2013

Pesadelo recorrente

No meu pesadelo, eu chegava na festa e estavam todos tristes, e estavam todos cansados e sem graça de estarem ali e de não terem ficado em casa no lugar. Pareciam querer estar em casa, ou em qualquer outro lugar que não fosse ali, pareciam querer ser outra pessoa que não eles próprios, ter outra vida que não a deles mesmos. Estava tudo errado com eles e dentro deles. E por ali.

E há dois, três anos atrás, enquanto sorríamos mais e estávamos menos mórbidos e era preferível estar junto do que só, parece tudo imagem de uma vida inteira antes de uma grande tragédia. Que não houve. No meu pesadelo, pareciam todos meio descontentes e frustrados. Numa espécie de frustração posterior, mais funda, pesada, difícil de ser revertida, exceto em caso de extrema coragem em mudar a vida de ponta cabeça.

Os olhos vazios demais. Pareciam esperar que algo de extraordinário acontecesse, que alguém suficientemente engraçado divertisse-os naquela noite. Eles eram incapazes disso (hoje; eram capazes disso há dois, três anos atrás, eu me lembro!). Senti tanta saudade.

No dia seguinte, na semana inteira, e mais pra frente, eu vi as fotos, as mensagens, os vídeos curtos, os comentários sortidos. Vi mais fotos, vi imensos sorrisos. Me senti dentro de outro mundo. Na internet, estavam todos felizes. Estavam incríveis. Parecia a vida real de dois ou três anos atrás.

Nenhum comentário: