quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Sob cílios

Ele veio e sentou bem aqui, quase do meu lado, na beirada da cama, de modo que pudesse me ver, e... cantou. Tocou e cantou a música antiga, que não é nossa, que não é linda, mas que fala de beleza e de como ele me vê. Da beleza de como ele me vê. E cantou me vendo dormir e acordar e senti-lo tão sublime nesse dia.

E guardou o violão e veio ter comigo, veio abraçar e deitar enquanto me abraçava, e me olhar dormir completamente abraçada por ele. Os dois ouvindo, em alguma dimensão, a música não nossa que ele tinha cantado.

Ele me vê dormir e pensa em me acordar e me convidar pra vida. E chama. Desiste, e me deixa e me deita a dormir. E me vê. Eu não respondo e ele sabe que mais do que acordar e sair à vida, eu preferiria de novo o seu abraço.

E tenho.

E ele me olha com olhos que me agarram, tiram fotografias e filmam. Fazem filmes completos de eu só, de toda a complicação que já sou eu sozinha, sem coadjuvantes. Grava esses filmes dentro dos próprios olhos, usando os cílios como cadeados e  os seus pensamentos em trilha sonora absoluta. Não faço ideia de qual seja a trilha sonora pros filmes que os olhos dele fazem.

E me torna triste quando é assim que ele vem. E quando eu choro, beija todas as minhas lágrimas.

Acho que foram os olhos, os cílios fechando as imagens que os olhos viam, a melodia do violão e toda a voz. Acho que foram as lágrimas bebidas. Os dias inteiros que já passaram. Acho que foram, que estão sendo, e deverão ser tudo isso o nosso tudo.

Meus cílios fecham pra guardar as imagens.

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