segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Vai tudo igual

Uns meses iguais de dias iguais, e anos assim.

Saí de casa e quis olhar mais pro lado de fora das janelas. E todos os prédios da cidade têm agora os vidros verdes, bem verdes, de uma cor que só existe neles. E todos altos e estreitos, imensos e magros, esses modelos de passarela. Verdes. E as famílias se apertando dentro deles. E os escritórios espremidos pelos andares de baixo, espremidos nos milhões e bilhões mal gastos.

Eu indo espremida por baixo, no meio de carros imensos e iguais. Pretos e pratas e brancos. Com tons de brilho, tons de novos. Achei que todos os carros da rua eram novos, hoje. Haviam saído da fábrica nas últimas horas.

E de novo os cinco, os seis, os sete carros esperavam em fila única pra fazer o dito retorno. De novo um sujeito julgou ser certo furar a fila e enfiar-se na avenida usando a mão da nossa esquerda. Ficamos todos esperando, no mesmo lugar. Perdemos a vez para um. E depois para outro.

E almocei no meio dos barulhos que as notícias ruins fazem, e os não-sustos reclamando, já que ninguém se surpreende mais com nada disso. Almocei em meio aos tantos mortos do fim de semana, atropelados e bêbados dito assassinos. E as notícias de caos.

A natureza continua a se vingar em uns lugares.

E os celulares substituem os rostos deles, os olhares e os sorrisos que a gente recebia. E eu continuei a conversa quando ele virou os olhos para as telas e me fugiu. Não me ouviu nunca mais. Perdi todo o tino.

E as moças com os batons de mesmíssimo tom.

E o dia se apressou no fim da tarde, que quando vi já era noite. E de novo eu dirigia pela mesma avenida beira-mar, e, sim, devia de ser os mesmos de novo, aqueles dois amigos na moto com o da garupa levando duas pranchas. Um perigo, um perigo eles aproveitando a vida na segunda-feira, se arriscando a vivê-la de um jeito livre.

E os casais aproveitando a pressa do fim do dia e o demorado do início da noite, do início da janta, do fim do fim do expediente. Quatro ou cinco, acho que os mesmos de sempre, sim, nos bancos das outras vezes, perto das luzes - ou um pouco longe delas. Aqueles dois rapazes da outra vez. A menina em seu debate acalorado e ele com os olhos dele nela.

Repetições rasas que não dizem nada de nós.
Rotinas rasas tão intensas.
E os incômodos e os confortos em estar tudo igual.

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