quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Bem guardados

Parece que de vez em quando os viciados em livros encontram uns livros específicos para se viciar. E para repetir e ler várias vezes de novo, por motivos vários e tolos. Porque é bom, porque foi bom, porque sempre é bom ler e ouvir essas palavras dentro da minha cabeça, esse trecho aqui que me lembra... Ou porque inspira, porque o livro conversa melhor comigo do que eu mesma aqui tentando explicar tudo o que sinto agora. Porque o autor usa as melhores palavras pra contar as melhores histórias que inventou. E isso pode ser tudo um grande exagero, causado pelo vício já avançado.

Dentes Guardados é um dos meus livros de repete. Eu vivo pedindo à mim mesma pra repeti-lo e lê-lo mais, e lê-lo de novo, e, sim, sempre é bom ler os contos novamente. É uma coleção de contos do Galera, são quatorze, e hoje só existe sua versão em pdf (à solta por aí, pra ser lido à exaustão e à repetição, como eu faço).

Ainda não sei porque leio tanto esse livro. Porque repito o ato. Porque as histórias me prendem tanto, ao mesmo tempo que me deixam bem livres dela quando eu clico o esc do arquivo. Não vivo de pensar naqueles personagens. Só no casal do conto Intimidade. De vez em quando eu vejo todas aquelas cenas, sem que eu peça (nem impeça) isso.

Me ajuda a escrever, o livro. Acho que é isso. Deve ser isso. Essa coisa de personagens desconhecidos iguais a nós e a uns tantos perto da gente. E essas palavras bem escritas dizendo tudo que a gente pensa e, principalmente, tudo que a gente pensa e não assume que o faz. É tão poderoso que a gente repete - afinal é assim que os vícios se instalam.

Me ajuda a escrever, eu acho. Acho que sim. Ler os Dentes repetidas vezes me fez imaginar mais histórias e mais gentes para eu falar sobre. Nem sempre consegui escrever uns textos inteiros depois; contos, muito menos. Mas me deu vontade. Me deu vontade de escrever mais, de escrever todos os dias, de ficar exausta junto das palavras (o que nunca acontece). E depois me dá vontade de ler de novo, tudo de novo. Eu não paro. Eu escrevo. Escrevo e leio.

Intimidade, Os Mortos de Marquês de Sade, Dafne Adormecida são as histórias que você vai sempre lembrar. E Triângulo a que vai te surpreender.

Um comentário:

Rafael disse...

Tive uma idéia de conto, mas não sou escritor então passo a bola pra você, pra caso um dia você tenha vontade.
Todos sabemos o dia de nosso nascimento, e todo ano comemoramos nosso aniversário. Como seria a vida de uma pessoa que sabe o dia que vai morrer? Todo ano ela sabe que tal dia é o dia, mas não sabe o ano. Fica a idéia.