quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Covarde bem aí

Aí não. Aí é melhor você me deixar em paz, mesmo, bem do jeito que estamos. Em paz ou fingida paz, porque distantes, justamente porque distantes. É melhor não me chamar pra ir te ver, não mais, talvez nunca mais, acho que nunca mais, apesar de os nuncas serem tão perigosos quanto os sempres, que são mentirosos por demais (e por serem mentirosos ficam logo perigosos). De a gente acreditar e sofrer.

Sofrer. Por isso aí acho melhor, acho melhor não. Irmos cada um pro nosso lado, e ainda bem que moramos longe e ainda bem que não nos vemos todos os dias mais. Seria pior. Seria bem mais difícil. Dizem que assim é melhor, assim se vendo todo dia, porque a gente se acostuma mais rápido. Se acostumar a uma presença indesejável é pior que se acostumar a uma ausência aceitável. E foi isso que você se tornou, eu acho, que coisa, uma ausência aceitável e preferível.

Eu não quis assim, claro que não. E você quis sabe-se lá por quê; nem me perguntou nada, nem sequer se perguntou nada. A burrice de não fazer perguntas à nós mesmos, de não ouvir nãos e sins de dentro da gente. Você devia experimentar um dia. Mas essa é a última vez que te converso. E que não sei se convenço. Espero não precisar te encontrar pra ter que dizer tudo isso. Nem te olhar nos olhos. Não, não. Olhar nos olhos, aí não. Mesmo.

Um comentário:

Rafael disse...

Faltou o "com pablo". :). :(.