quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Das coisas estranhas de se fazer

Que a gente faz umas coisas estranhas e meio ridículas quase sempre, sem achar que são, porque sempre fez e vai continuar a fazer. Uma delas, uma das mais-mais, top fáive e tal, fica mais pela ala feminina e é, sim, comprar bolsas.

Talvez estejam enganchados por aí os motivos de a gente ter tantas bolsas (eu não). E por não tê-las, aí, eu tive de ir atrás de uma. E por vários dias.

Porque, não sei se tu sabe, mas cada vez que eu entro numa loja eu tomo um susto, levo uma queda, tenho um passamento, e todo o dinheiro da minha carteira se apaga, desaparece. É só entrar na loja. Parece que as coisas andam muito caras, mas acho que é só impressão minha mesmo. Eu não vejo ninguém reclamar. Assim como não vejo ninguém se achar ridículo comprando bolsa. Sofro dessas exceções.

É que tu tem que experimentar a bolsa. Tem que pegar, olhar bem de frente, afastando o corpo um pouco assim, como uma pessoa com hipermetropia faz com o livrinho da missa, pra ver bem como é a bendita. Talvez futura amiga ou inimiga - as bolsas têm esse poder, é verdade. (Outro motivo que talvez explique termos tantas (eu não), querermos sempre procurar por novas, se desfazer das velhas, e que também explica porque umas bolsas ficam bem em mim e não em você e vice-versa.) Depois de olhar bem de frente, experimenta ela no ombro direito, depois no esquerdo. Pega a alça menor e leva naquele espaço entre o pulso e o cotovelo, feito madame, vai que um dia tu precisa ser madame. E faz isso no espaço do outro braço depois. Tem que se ver no espelho de frente e de lado, depois tem que abrir a bolsa e os bolsos (os bolsos!), pode tirar o enchimento, senhora, pra senhora ver como é que fica a bolsa vazia (menina, tu acha que minha bolsa um dia vai ficar vazia?). E depois de ser ridícula por dez minutos você ainda não sabe o que faz.

Passa pra próxima bolsa.

Eu me sentia ridícula experimentando (?) bolsas. Onde já se viu, experimentar um negócio que não passa por cima da cabeça nem onde eu tenho de enfiar minhas pernas. Eu não sei se a intenção é ver se combina com o nosso tom de pele, com a nossa altura, com a nossa roupa, cabelo preso ou solto. Que se for isso quer dizer logo que tem algo de muito errado com a minha pele e altura e a roupa (todas as peças) - o cabelo com certeza sim.

Eu testei de várias formas, vários exemplares e modelos. (Aposto que as câmeras de segurança dessas lojas dão bons vídeos no fim do dia.) Era sempre difícil e ridículo.

Só pude mesmo apurar que o grande "OH" é quando, na primeira experimentada da bolsa, a vendedora grita com os olhos brilhando que tem uma segunda alça que você pode usar também!!! E regulá-la. Não sei o que de tão mágico sempre tinha na segunda alça, mas sei que era outro item para eu experimentar na frente do espelho, na frente de toda a loja, que ficava na frente de todo o shopping e que, aposto, aposto, tinha sempre milhares de pessoas passando em frente à essas lojas de bolsas para ver as sujeitas experimentando (ridicularmente) o acessório por cima delas. Pelos lados, por baixo, por onde elas queiram.

Repeti o exercício na última loja. A vendedora arrancou uma bolsa da minha mão e foi mostrar como é que faz: como a bolsa era maravilhosa, veja. Começou a vestir e a experimentar e a se mostrar de frente ao espelho; usou os dois ombros, braços, as duas alças da bolsa! Repetiu todo o ritual. A bolsa ficou ótima na moça. Que não ficou ridícula.

Comprei uma que mal experimentei e fui logo embora. Sorte.

Um comentário:

Rafael disse...

Comprei uma mochila na internet. Preta. Entrei no site, olhei e escolhi: "é essa". Demorou dois dias ela chegou. Coloquei nela as coisas que estavam na mochila velha, botei nas costas e fui cuidar da vida. Sou homem. Obrigado deus.