segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Desaforismos

Parece ter sido daquelas quedas das quais a gente não consegue se recuperar. Alguma coisa foi muito bem mutilada e faz a gente mancar pro resto da vida. Algum pedaço da gente morreu e virou um fantasma que não te abandona nunca mais.

Ele me disse que eu não tinha culpa nenhuma, que, pelo contrário, eu tinha sido mais que certa comigo mesma nos últimos meses. Não havia erro. Eu só me entregava demais, apostava tudo, e que aí a primeira decepção me esgotava. Mas eu não me recuperara.

Parecia querer me consolar, mas na verdade eu sabia que ele pendia um pouco para a inveja; tinha vontade de saber como era isso, de viver a aposta da entrega, pelo menos uma vez. Mas tinha medo. Me consolava. Queria aquilo pra ele. Sentia o medo e rejeitava a ideia. Da boca pra fora dizia que eu estava certa em me apaixonar tanto; da alma pra dentro tinha sobressalto ao se imaginar sofrendo esse tanto assim. Do jeito que eu vinha.

Do jeito que fiquei.

Tentei dizer que se entregar tanto assim não valia à pena. Não porque a gente sofre. Mas porque depois que a gente sofre, dependendo do quanto, é capaz que a gente não se apaixone nunca mais. É capaz que a gente nunca mais consiga. E é. Mas achei melhor concordar com tudo que ele dizia, e me despedi.

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