terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Na clínica veterinária

Nos últimos meses eu tenho mantido um ritmo frenético de idas ao veterinário. Por motivos não muito felizes, claro, como toda grande frequência a lugares com médicos. Mas aí:

1. É incrivelmente alto o número de seres humanos que seguram seus cachorros como se fossem bebês. Assim, com o peito e a barriga do bicho encostado no peito deles, apoiando o bumbum no animal no seu braço direito flexionado. Eu nunca consegui fazer isso com cachorro nenhum que segurei na vida; e quando eu era criança, pois é, eu sempre insistia. Mas os tempos passaram e os cachorros são outros e aí. Os cachorros ficam feito bebês no braço dos donos. E esse índice aumenta entre os cachorros doentes ou hospitalizados.

2. Estar doente ou com dor também aumenta a chance de o animal chegar na clínica envolto em uma toalha, como se ela fosse uma manta de bebê. Mesmo que não seja necessária, a toalha é um item obrigatório para comunicar certa urgência e preocupação no atendimento.

3. Os donos ficam assustadíssimos com a possibilidade iminente de o seu cachorro se aproximar de outro cachorro. A aproximação de humanos é tratada com naturalidade. Mas dois animais se aproximando é uma ansiedade vivida por todos - que acham esse fato normal e só fazem agarrar seus animais e impedir que eles cheguem perto de outros da mesma espécie.

4. Cachorros feios estão na moda.

5. Cachorros feios estão muito na moda. Cachorros esquisitos, exóticos, que parecem raposas ou gatos ou que parecem bonecos mas nunca cachorros. Muitos deles ostentam franjas e olhos esbugalhados que nunca acalmam.

6. Cachorros grandes não cabem na sala de espera e muitas vezes esperam do lado de fora, com um dos donos.

7. Eu não sei como é o clima de um consultório de pediatria, mas imagino que seja tudo muito parecido: donos (pais) perguntam que idade ele tem, se só tem ele ou se há outros em casa, e o que é que ele tem para ter ido ao consultório. Depois da resposta a essa última pergunta, donos (pais) trocam experiências e se dão a contar a história da vida inteira de seu animal (filho) mesmo que ninguém tenha necessariamente demonstrado interesse nisso. A sequência de doenças e os hábitos de comportamento são detalhados à exaustão.

8. Sim, todos falam com seus bichos usando vozes de criança. Todos.

Nenhum comentário: