segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Nosso mal

A gente senta na mesa do bar e começa tudo outra vez. É outra sexta, outro mês, outro ano, outras vidas, e somos os mesmos. A gente senta na mesa e reclama. Tem as lamúrias, os lamentos, os sofrimentos e as piadas sobre os sofrimentos. A gente se acha superior porque faz piada da nossa dor. E ainda mais superior por fazer piada e brincar com o que nem é dor de verdade. Mas a gente acha que é. Tem certeza.

E alguns com tanta inveja de quem tem dinheiro. De quem ganha bem no fim do mês. E eu nessas horas me pergunto por que que a gente não tem inveja de quem é feliz. Uma inveja branca e branda, mas, pelo menos, desse conteúdo diferente. Ser feliz. A gente parou de ser feliz e de buscar isso. Sentou no bar e reclamou de que não tinha dinheiro. E que por isso nada dava certo.

E nada dando certo.

E as coisas iguais e nós todos iguais. E os tempos passando. E os dias mudando.

Nossa geração tem tanto medo de sofrer que é praticamente só isso que a gente faz: dizer que sofre. E acreditar no que diz. E sentir falta das coisas erradas e sentir ânsia pelas coisas erradas. E fazer tão pouco pra remendar isso tudo.

Depois que o fim de semana acabar, vamos começar tudo diferente? Vamos fazer diferente.

Depois que o fim de semana acabar.

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