quarta-feira, 26 de março de 2014

Faltei

Eu hoje não vi o céu. Eu hoje acordei cedo, me arrumei cedo, fiz café, comi pão, pensei no dia e no futuro. Saí de casa com pressa apesar de ter acordado cedo. Cheguei na universidade com mais pressa achando que não daria tempo do compromisso para onde eu teria de seguir depois de lá. Assustada com a sequência do dia. A sequência que planejei ontem, replanejei hoje, e replanejava de novo (!) enquanto esperava as centenas de xerox que eu tirava. Na minha frente, a mensagem: "Tá com pressa? Acorda mais cedo!". E uma tartaruga sorrindo. Eu devia ter levantado mais cedo. Teria visto o céu.

Segui o dia correndo sobre os pés e por dentro da cabeça e por dentro das entranhas. Amaldiçoei a cidade quando o céu desabou. O dia ia desabar. Amaldiçoei o céu que desabou. Se eu tivesse visto o céu, não teria amaldiçoado ninguém.

Ontem eu mesmo eu dizia que queria me mudar e ir finalmente morar numa casa. Eu sempre morei em apartamento e hoje isso me angustia um pouco, especialmente se eu paro pra pensar sobre. Essa coisa de vivermos uns sobre os outros, em cima e em baixo, e espremidos lado a lado, e, a pior parte: olhando tudo de cima, de longe. E hoje eu não olhei pra cima. Nem muito à minha frente.

Corri mais, sem dar tempo de muita coisa. Coloquei os pensamentos pra correr também, e me perdi por dentro deles. Passei o dia olhando pra dentro do meu umbigo, e foi assim que perdi o grande espetáculo.

Um comentário:

Vanessa Augusta disse...

Sinto falta da minha casa, do pedaço de céu que conseguia ver todos os dias e do barulho dos pássaros que ficavam no meu cajueiro. Prédio é frio, enclausurado, chato e eu não conheço ninguém.