quarta-feira, 5 de março de 2014

Um tudo quase nada

É tudo muito idiota, eu penso. Esse ritual todo que eu criei e que repito ou que tento repetir todas as noites. Ouço a mesma cantora em álbuns inteiros, e leio as mesmas histórias de sempre. As do mesmo escritor também. E escrevo. Ouço outro álbum da mesma cantora. Leio outra história. Esqueço de respirar, levanto, dou voltas, penso sobre que porra estou fazendo e se tudo isso vale a pena mesmo. Me sinto muito idiota. Amanhã tem mais, deve ter mais, é a regra. Vou repetir os rituais e fingir que estou fazendo algo de útil com tudo isso. Talvez me perguntem o que eu faço. Mas provavelmente não. Todo mundo dorme e até o cachorro quando acorda me deixa meio irritada; fico achando que me observa e que descobre algo. De não sei o que. Nada disso consegue mais ser segredo. Esse nada que me mostra assim tão idiota. Já faz anos. E eu repito o ritual, que acho que é apenas pra isso que serve: ser repetido. Era melhor que nada tivesse acontecido realmente. Que eu tivesse sido menos idiota.

Um tudo resumido a quase nada, é o que tenho.

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