terça-feira, 1 de abril de 2014

O nada (e o) de sempre

Todas as noites eu me prometo dormir cedo e acordar bem cedo no dia que vem. Porque quando decido isso, foi porque acabei de me lembrar que não me aguento mais em menos que oito horas de sono. É minha adolescência chegando, só pode. Quando eu era adolescente eu já era adulta e dormia apenas cinco ou seis horas por noite. Acordava, malhava, e estudava. Cumpria meus deveres. Eu era uma pessoa madura e disciplinada.

Agora são uma hora da manhã e eu me ocupei o máximo que pude para evitar ir para cama cedo. De forma inconsciente fiz isso, é claro. Mas prometo que vou dormir agora mesmo e acordar às seis para ir à academia. E que depois vou estudar feito uma pessoa madura faz (deve fazer).

Coloco a mesma cantora pra tocar na playlist e acho que a vida é boa mesmo quando é ruim. Porque aí eu posso pensar sobre ela, escrever. E reclamar um pouco, e achar que tudo isso pode se ajeitar daqui pra frente. Se eu fizer algo por isso. Mas não vou fazer nada.

E me vejo com a vida completamente diferente da que realmente tinha imaginado pra mim, lá pela adolescência finda - aquele período no qual fui madura e adulta. E me sinto feito uma caveira, já morta, já ida, já acabada em todos seus efeitos. Mas talvez eu não soubesse, lá, que tipo de pessoa eu seria hoje. E hoje sou do tipo que detesto dizer "sou do tipo de pessoa que", porque não existe nada mais detestável que uma assertividade desse tipo. Eu acho.

Aliás, escuto essa frase em clínicas médicas o tempo todo. Um lugar que passei a frequentar, ultimamente, com mais assiduidade que a academia. Hoje, por exemplo, tive que passar um ácido forte na cara e não poderia ir malhar depois - não poderia suar nem lavar o rosto até dez da noite. O ácido é pra matar as espinhas, que, óbvio, ainda tenho, pois ainda sou uma adolescente entretida com as mentiras da vida. E que quanto mais pensa nas mentiras da vida, mais tem espinha.

Me senti mais gorda pela falta à esteira. E feliz por ter uma desculpa plausível de faltar um compromisso. Faltar compromissos é minha nova rotina.

E se aos doze eu tinha certeza de que tipo de vida gostaria de ter hoje, mas não saberia que tipo de pessoa (argh) eu me tornaria, agora nada isso faz tanto sentido, porque... eu não sei responder a nenhuma das duas questões. E me pego acendendo cigarros imaginários, olhando pra minha vida bem na minha frente, e dizendo: "ah, que se foda você também".

Vou dormir. Amanhã acordo às seis.

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