terça-feira, 27 de maio de 2014

Agora não

A postergação aumenta à medida que aumenta a quantidade de coisas necessariamente importantes a se fazer. E quanto mais problemas eu encontro, e quanto mais problemas tenho para dar logo um jeito, pois tem que ser rápido, tem que ser tudo meio urgente, eu ponho a música pra tocar e escrevo. Ou penso em escrever. Ou leio à esmo ou leio nada, ou faço de conta que faço algo de útil. E a música toca. E penso que poderia estar escrevendo, ou fazendo qualquer coisa que não é urgente, mas é útil. Como ler, ou deitar de barriga pra cima e imaginar como é que pode ser a vida se ela for: um pouco diferente, médio diferente, completamente diferente.

Eu tenho hipóteses reais e impossíveis para todas essas possibilidades. E penso que vou me adaptar a todas elas.

E além da postergação guiando meus dias, a solidão também o faz, e aumenta, e vem em urgência. E isso faz com que eu procrastine tudo ainda mais, não sei por que. Deveria ser o inverso. E aí, inclusive, em todas as minhas hipóteses de vida diferente existe a mudança pra uma cidade nova e completamente estranha. Estou tão sozinha que já me sinto nela, vivendo essa hipótese. Com todos morando em outros estados ou países, ou completamente ocupados com sua vida particular sendo construída aos poucos ou aos solavancos. Uma vida nova que não abraça e onde não cabem os estranhos (os que não sejam o noivo/marido e os filhos de então). Acho que essas pessoas não passam tanto tempo deitadas de barriga pra cima imaginando a vida. Elas têm vivido. E por isso sinto-as tão distantes de mim, apesar de viverem junto comigo desde que somos crianças.

A vida segue. A postergação aumenta. Eu não sei se hoje estudo até tarde ou se acordo cedo amanhã para estudar. É provável que eu não faça nenhuma das duas coisas. E que quando o despertador toque, eu fique de barriga pra cima, massageando meu joelho dolorido, pensando em como poderia ser uma vida um pouco diferente: com menos solidão, menos dor no joelho, menos postergação, e mais cores também.

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