segunda-feira, 2 de junho de 2014

Aeroporto de Natal

Estive ontem no novo aeroporto do estado, que fica em São Gonçalo, mas se chama "Aeroporto de Natal". Um passeio necessário à quem viajar em breve, e a quem tem parente e amigo morando por fora do estado - e que a partir de agora vão chegar pelo novo Aeroporto de Natal, que fica em São Gonçado.

Era manhã de domingo, e não tinha trânsito parado. Mas tinha trânsito. Tinha desorganização, tinha buraco, tinha ausência de acostamento, tinha ausência de ciclovia e muita bicicleta no caminho, tinha mais buracos, tinha pista sem nenhuma divisão entre as duas mãos, de quem vai na direita e de quem vai na esquerda - aliás, tendência absoluta na cidade de Natal, cidade que tem seu aeroporto em São Gonçalo.

Há placas novas dizendo para onde você deve ir se chegar ao aeroporto novo. Mas tenho certeza de que se eu tivesse ido sozinha teria errado o caminho na primeira vez. Um co-piloto parece ser necessário em caso de pessoas com dificuldade de fazer muitas coisas ao mesmo tempo: desviar dos buracos, observar se tem pedestre querendo atravessar nas faixas de pedestre que há, a esmo, pelo caminho, e, principalmente, observar se tem pedestre querendo observar fora de faixas de pedestre (são muitos), desviar do carro da esquerda que invade a sua direita, ou o contrário, já que quase não existem faixas separando as duas mãos, e, além de tudo isso, ter de olhar para as placas e suas setas retas ou diagonais. Eu tenho um pouco de dificuldade de dirigir sob essas condições, mas acho que o restante do pessoal não terá.

No "real" acesso ao aeroporto, aquele que ainda não está pronto, que ainda está caótico, que ainda está esquisito e que pode vir a ter pouco movimento tarde da noite e altas madrugadas (horário comum de se ir e voltar de aeroportos), havia trechos onde o celular não tinha sinal. Nem meu Claro nem meu Tim. Mas pode ter sido um problema ocasional, vai ver.

Entre o suposto pedágio (que não é pedágio) e a área de estacionamento são dois quilômetros. Se tiver que ir deixar alguém na área de embarque, tem que subir ao patamar de cima, e enfiar o carro entre outros, como em muitos aeroportos vemos assim. Em dias de gente muita (quem sabe a Copa), esse percurso todo pode ser que nos faça ultrapassar os vinte minutos de tolerância né (aquele que justifica a guarita da entrada não ser um pedágio), pois, depois de o caminho de ida, de deixar o parente no embarque, tirar as malas, dar um abraço nele e chorar muito rápido, são mais dois quilômetros para chegar até o pedágio que não é pedágio e só então ir embora. Ou ter de pagar pra poder ir embora. Já que o tempo correu enquanto você chorava de saudade (devia ter chorado durante o caminho, mas não conseguiu porque tinha de dirigir prestando atenção ao estímulo e à ausência deles - impossível chorar uma saudade antecipada). Parece que o aeroporto perdeu um pouco o romantismo. Mas eu também sou exagerada. Então vamos.

Vamos de volta. O pedágio ontem estava liberado! E o caminho de volta foi caótico como a ida: trechos do acesso onde não pega o celular, e não se vê sinal de outra coisa senão estrada e "mato", que, por favor, não vamos imaginar aqui nenhum duplo sentido, a vida é linda no Rio Grande do Norte, e mais ainda no Aeroporto de Natal, que fica em São Gonçalo.

O caminho de volta pela Zona Norte é como o da ida, é como o conhecemos: caótico, desorganizado. E não quero dizer isso em tom de desgosto ou preconceito, querendo avisar que o outro aeroporto era melhor, porque, do "outro lado" da cidade as coisas estão melhores.

As coisas não estão melhores em nenhuma parte da cidade. Mas, se faço um leve esforço na memória, consigo ver que, ao longo dos anos, todas as vezes em que ando pela Zona Norte tenho a mesma sensação: de descaso absoluto, de caos que aumenta, de agonia e de desorganização, que são causa e consequência de uma região muito afetada pela má administração de tantos anos.

Durante a faculdade, estagiei em um bairro da Zona Norte, podendo lá ver que as dificuldades são tantas, e tão velhas, que não é possível nem ver de por onde dá pra começar. E isso a gente vê: no caminho da ida, na manhã do estágio, no caminho da volta. E enquanto passa o resto da semana pensando sobre os casos e as pessoas e suas vidas dentro de um lugar grande e (aparentemente) abandonado da cidade.

E eu sei que pode parecer um devaneio ingênuo e sem nenhuma importância. Mas durante a viagem de ida e volta a São Gonçalo, onde fica o Aeroporto de Natal, eu não conseguia pensar em outra coisa. Porque, sinceramente, não sei se interessa se "os acessos ao aeroporto" ficarão prontos e quando ficarão prontos. E se serão bonitos e bem iluminados. Ou se terão segurança. O governo fala do acesso ao aeroporto como se não existisse a principal via que nos leva até ele: a Zona Norte que a gente tem, e que, se eu não estiver errada pelo que vejo, está há muito tempo abandonada por demais. Não quero saber das novas estradas em São Gonçalo, levando ao Aeroporto de Natal. Penso se, antes delas, a João Medeiros Filho, a Tomaz Landim, a Bernardo Vieira, e todos aqueles bairros e conjuntos de casas ao redor, se esses serão "melhorados" de alguma forma, se receberão algum milhão ou milhões de reais investidos, se receberão algum tipo de acesso, por Deus.

Porque, quando entramos e saímos do Aeroporto de Natal, lá em São Gonçalo, o governo do Estado avisa: "o futuro chegou". E ficou por ali mesmo. No meu caminho de ida e de volta, me sinto estúpida em dizer, mas: eu não vi futuro nenhum.

Nos resta torcer?

Um comentário:

Deyze Ferreira disse...

Nos resta perseverar na esperança da mudança, inclusive de governo... Apesar do futuro não ser nada promissor por aqui :(