domingo, 29 de junho de 2014

O que tem de bom no pacote

Quando se anda pelas ruas, ninguém te vê, ninguém te nota, e necessariamente ninguém se importa com quem você é. Parece solidão, mas na prática significa liberdade. E, considerando a cidade de onde eu venho, não ser notado nem observado dos pés à cabeça (se demorando sobre a etiqueta da roupa e sobre a marca do carro), isso é a parte da frase de Clarice sobre "o que eu quero não tem nome". Liberdade é pouco.

As pessoas estão retomando os anos oitenta. Ou pararam nele. E por isso nas ruas e nos pubs a aura pode ser um pouco diferente: os coques no topo da cabeça, os cós das calças na altura do umbigo, com os tops curtos (porque 14ºC é um calor desgraçado pra eles), as plataformas exageradas. E não é um problema se você se veste como as pessoas de 2014. Ninguém se importa com o que você está vestido, já disse.

Todos os pubs são bons. Mesmo os que são ruins. Porque esse líquido precioso chamado cerveja está em todos eles, em todas as marcas e tipos, e tamanhos de copos. É só abrir uma "torneira" que já tem. Mesmo nos piores lugares tem das melhores cervejas, e essa frase para muitos soa como o paraíso ou a redenção depois da morte. É bem assim mesmo.

Não comi em nenhum lugar ruim até agora (incluindo tudo o que comprei no supermercado). Também nunca comi pouco. Minha mãe teria brigado comigo diversas vezes durante essa viagem, por ter deixado comida no prato em muitas refeições. Mas é difícil almoçar uma porção que serve três pessoas, mas que eles juram que é o menor prato da casa. E self-service eu não vi por aqui (muito provavelmente porque a maioria dos clientes irlandeses sairiam no prejuízo).

Os cafés pequenos são imensos e os grandes eu nunca tive coragem de pedir. Quando eu pedi um "americano", me serviram café preto dentro de uma sopeira. Em outro lugar, quando perguntei se tinha uma xícara pequena de café, ele disse que sim, claro que sim, que ia me trazer "the smallest one". Aí ele me trouxe café dentro de uma bacia. (Nessas horas eu peço em silêncio que os Irish, indo ao Brasil, não vão nos cafés das livrarias para pedir um "capuccino grande". Vai haver uma grande confusão nesse dia.)

Em dia de parada gay, todos os jovens estão na rua vestindo as cores do arco-íris. Mães e pais com seus filhos, também. E os pubs do centro hasteiam a bandeira do orgulho gay. A maior parte do público desse dia é hetero, me pareceu. E a cidade fica toda orgulhosa de ter essa festa, isso sim.

Tem mais coisa boa por aqui, é claro. Mas depois eu faço outra lista.

Um comentário:

Deyze Ferreira disse...

Faz o favor de mandar me buscar?
Posso ir num embrulho de correio, na casinha do cachorro ou dentro de uma mala, sem problema.