sábado, 12 de julho de 2014

E os primeiros dias em Umea

Não tem ninguém por aqui. A cidade faz silêncio o tempo inteiro, e a cidade universitária faz um silêncio ainda maior, se é que isso é possível. Isso aqui parece o início de janeiro em Natal: porque é verão, e tem luz demais na rua para as pessoas se trancarem dentro de salas trabalhando.

Nossos amigos são uns dos poucos residentes na cidade universitária nesses dias. As outras pessoas que, por algum motivo provavelmente extraordinário, permaneceram em Umea, se esticam no gramado em cima de toalhas, usando biquínis e sungas, ostentando aquele bronzeado sueco: um marrom que insiste em não ficar dourado, cor de cobre, que faz o contraste com os cabelos loiros translúcidos. Cores do verão em Umea.

Dentro do quarto é possível se escutar silêncios. É possível ter a sensação de que o silêncio pesa, incomoda com sua presença. E que mesmo que falemos, liguemos a televisão, o rádio e o youtube, ele vai pairar por cima da gente. Aquele silêncio maciço de ausência de vozes, de carros, de crianças brincando; de ausência de dias cheios, dias de trabalhos atrasados, dias em que se deseja silêncio.

O silêncio vai pairando. É um peso por cima de quem fica por aqui. Por cima das árvores que não se movem. E do calor que faz com a gente não se mova – é um enfado por trás do outro, uma refeição mais preguiçosa e demorada que a anterior.

Nas ruas do centro, devem ter poucas centenas de pessoas. Fazendo qualquer coisa não muito importante, sem muita urgência nem pressa, nem esmero também. As pessoas vão guiando suas bicicletas e carregando suas poucas compras. Vão sentindo o calor e deve ser por isso andam um pouco devagar. E muitos prédios estão envoltos em obras: aproveitando o tempo aberto e a cidade vazia, as reformas acontecem e nem fazem tanto barulho.

O dia se arrasta e ainda por cima não anoitece. Faz sol o tempo inteiro. Faz calor e faz silêncio. Faz cara de quem não aprova estar aqui mostrando todo o seu esplendor, todo o seu sol e sua luz, se todos se foram embora. Ou quase todos. Os quase que se danem – os dias não fazem questão de ser um espetáculo para um público tão pequeno. Mas terminam sendo mesmo assim: nesses meses do ano, não tem como o dia não ser algo bonito de se ver.

E é assim que os dias seguem.

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