sábado, 9 de agosto de 2014

Como sempre

Estava tudo nos conformes. Eu tomava café e comia o pão de ontem, falando sobre tudo que aconteceu ontem e hoje e o que talvez aconteça amanhã também. Preciso contar as novidades (que são só tudo o que aconteceu, nada de realmente interessante) e falar mal de algumas pessoas. E precisamos combinar a noite de hoje e o dia de amanhã e o último final de semana do mês, já tem compromisso.

Tudo como antes. Eu terminava o café e falava outra história sem futuro que deveria ser interessante, pois afinal era eu quem estava contando. Mas eu só dizia uma bobagem bem grande - pode-se dormir sem ouvi-la. Queria atenção e excesso de compreensão, como sempre; minha carência é tanta.

Estava tudo como sempre. Enquanto eu falava de uma conversa importante de antes de ontem, uma ideia nova, um plano para mais adiante. E outro plano. Umas estratégias que, quem sabe, podem fazer tudo dar certo. Eu fingindo que não tenho nenhuma expectativa com isso e ele fingindo que acredita totalmente na minha falta de expectativa. Tudo como sempre.

Foi uma frase certa com uma interpretação errada que nos colocou pelo avesso, e, nunca mais. Ou uma frase errada com a minha interpretação certa. Veja, eu tenho que estar com a razão todas as vezes (como sempre). Menos de meia dúzia da palavras e o que era conforme virou escândalo, que virou absurdo, que absurdo, foi só uma interpretação errada, mentira, foi só uma frase errada, uma ideia que não tem nada a ver, você não deveria ter dito isso desse jeito, não é possível que tu pense assim, eu não sei o que ainda tô fazendo aqui ouvindo e discutindo isso, vou embora, por todo o fim de semana, por favor.

E fui. Por causa de quase nada, ficou tudo errado. Pelo avesso. Disforme. Remexido e dolorido sem necessidade. E cada um abraça seu orgulho por uns dias - ou para sempre. Como sempre.

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