terça-feira, 5 de agosto de 2014

Conversa comprida

Escrevi um longo e-mail contando que eu sentia falta das longas conversas. Acho que ninguém mais escreve e-mail hoje em dia, não com esses propósitos de saudade. Ninguém mais escreve longos e-mails. Eu escrevi um, contando que sentia falta de conversa longa, de coisa de horas.

Escrevi num desabafo semi-desesperado, mas contido e conformado. Acostumada com os silêncios, literais e figurados, reais e representados por aqui. Silêncios. Nosso barulho de hoje é o celular vibrando, e os pins e pius das outras redes sociais por aqui. Tudo apita, vibra, e chama meus olhos (ouvidos se usa para pouca coisa, agora) por uns segundos. E passa logo.

Eu falei que essa saudade de prosa comprida chegava a me dar saudade da faculdade. Porque como não gostávamos do curso, nos sobrava ainda mais tempo para falar da vida. De tudo. De nada. Nos tornamos especialistas em conversar sobre coisa alguma, por horas, e no meio das horas meter algum assunto importante (nossas vidas) por ali. Mas era só pra matar o tempo.

Pra ouvir as palavras, pra desabafar a troco de nada, a fim da catarse, de um conhecer o outro, de se surpreender, de pensar mais sobre tudo e sobre nada. Sobre as coisas que vinham atropelando a gente. Sobre o curso que a gente não gostava, e a vida que a gente tinha. O medo que às vezes nos dava quando a gente se dava conta de que estávamos, realmente, com nossa vida nas mãos. E o futuro vindo. E o presente: uma conversa bem longa, desafiando o tempo acelerado.

O tempo que venceu a gente, e atropelou nossas horas de palavras. Eu sinto tanta falta. Por esses dias me dei conta: as melhores amizades são as que preenchem as horas e os silêncios só com isso mesmo, as palavras. Conversas sem pressa. Conversas sem propósito. Conversas absurdas em meio a uma ressaca moral, ou em meio a uma embriaguez imoral. Acontecem. É o que justifica sermos amigos, e assim permanecermos para o tempo que vem à frente.

Aí terminei dizendo que sinto medo desse tempo que vem à frente. Porque se as conversas minguam agora, eu não sei o que pode vir adiante. Eu disse que tenho um medo danado, que não estou preparada.

Não sei quando ele vai poder responder o e-mail. Nem quando poderemos conversar longamente sobre isso aqui, sobre tudo e sobre nada. Eu sinto falta. E um medo.

Um comentário:

Rafael disse...

Haha foi pra mim. Eu li mas não respondi. Ainda. Pq na correria do dia a dia não arranjei tempo pra responder da forma adequada. Prefiro demorar a responder do que responder qualquer coisa sem a atenção devida. Mas responderei.