segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Manhã

Quando deixei o despertador tocar suas primeiras, segundas e terceiras vezes. E deixei-o se repetir por tantos minutos. Eu não podia perder a hora. Mas tudo bem perder os minutos, e ganhá-los ao mesmo tempo, e ficarmos aqui. Mais um tempo que eu posso desperdiçar de um lado e lucrar de outro; ainda mais que, agora, nossos minutos têm estado em débito - de minha parte.

E a manhã tão clara e silenciosa já era nossa. A segunda-feira ainda era nossa, então, mas a semana ia se perder por aí, longe dos minutos esmagados para serem a dois. Mais despertar e mais minutos. E mais abraços apertados dados de olhos ainda fechados. E dois sorrisos cúmplices. E dois olhares sorrindo, cheios de sono, já com saudade.

O tempo estagnado.

Os minutos que passaram apressados.

E enquanto lembro as imagens, os sorrisos e as primeiras palavras, e os abraços deixando o acordar cedo mais confortável e mais simples; enquanto lembro os barulhos do despertador e os minutos aos solavancos chamando, sem parar; enquanto lembro que não tínhamos pressa de começar tudo de novo, de ver mais uma semana passar. O tempo pára.

O tempo pára enquanto penso no nosso tempo que saiu apressado junto com o sol, hoje de manhã. Que já foi. Que vai demorar a vir. O tempo pára enquanto fico sozinha por aqui.

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