sábado, 4 de outubro de 2014

Ainda bem que deu errado

Esse livro é dedicado a tudo que deu errado, foi o que li no livro, no livro de poesias, a dedicação e agradecimento a tudo que deu errado. Tudo que deu errado terminou naquelas palavras, nas estrofes tortas, e no tudo que veio depois.

Ainda bem que deu errado. Depois que demos errado, depois do profundo nada, depois das dores matadoras, depois que a gente se esbarrou e se espancou enquanto pensava se amar. O depois me deu sóis.

Conheci países. Pessoas. Amores. Tive amor novo, grande, sadio: o meu próprio. Fotografei com os olhos lugares novos, e tirei novas fotografias dos lugares velhos que conheci com você. Escrevi. Escrevi você nos papéis, nas paredes, no meu teto. Passei uma tinta lilás por cima das palavras onde te escrevi. Deixei meu teto na minha cor preferida. E fui olhar pela janela de novo.

Deu tudo errado. E eu inventei pelo menos quinze ou vinte novas histórias em que tudo dava certo. Inventei outras quinze onde tudo dava errado, de novo, mas de um jeito diferente. Há várias formas de darmos errado, e só havia uma de dar certo (a que tentei com você), porque as outras que inventei eram bem mentirosas.

Ainda bem que deu tudo errado. Apesar do passado assombrando, da obsessão complexa e fria, apesar da memória me maltratar, o tudo errado me deu um presente maior e melhor do que imaginei ter. Esse agora. Nosso amor não é mais protagonista.

Ganhei o papel principal.

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