quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Estranhices

O cara pedalava a bicicleta e seguia rápido no trânsito pela direita. Ele só tinha uma perna, e no braço esquerdo ainda conseguia segurar sua muleta - dessas grandes, quase do tamanho de uma pessoa. Ele ia rápido, era hora de trânsito pesado, era avenida Prudente de Morais.

Eu até hoje não aprendi a andar de bicicleta.

A aluna na sala de aula leva a filha para assistir aula com ela, a filha criança. A aluna passa a aula todinha no celular, também chega atrasada, também demora a voltar do intervalo. A filha criança volta do intervalo antes que a mãe. A filha criança não paga a disciplina.

O livro maravilhoso terminou de um jeito terrível. Valter Hugo Mãe assassinou meu coração e eu segurei o choro.

Tenho vontade de chorar o tempo todo. E choro quase todas as vezes em que tenho vontade.

Tenho vontade de fumar a maior parte do tempo. Não fumo.

A moça entrou no restaurante onde não tinha quase ninguém. Sentou em cinco mesas diferentes, de cada uma das mesas fazia uma pergunta à garçonete. Não fazia o pedido. Mudava de mesa. Tinha os cabelos embaraçados, louros, opacos, soltos como se estivessem revoltados. Ela claramente não se importava com os cabelos revoltados nem com muita coisa ao seu redor. Mudava de lugar novamente. Fazia outra pergunta. Parecia normal, à primeira vista. Me deixou inquieta e fez a garçonete se perguntar por quanto tempo ela continuaria fazendo aquilo.

Tenho um medo e um desejo absurdos de estar sozinha.

Meus pesadelos envolvem a sucessão presidencial, e não sei se me sinto finalmente adulta quando lembro disso.

Se começar a chover agora, eu vou me sentir melhor. Não sei dizer por quê.

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