sábado, 22 de novembro de 2014

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Ouvia que era muito egoísta, já que não aceitava fazer o que não quisesse, e ouvia que tinha de fazer o que não gostasse, sim, quando fosse para ajudar os outros. Passou a ajudar os outros e a fazer o que não gostava. As pessoas passaram a exigir que fizesse o que lhe desgostasse só para receberem ajuda. Ninguém ajudava de volta. Vivia de ser sozinha.
Passou a achar que quanto melhor que fosse, mais as pessoas pisariam sobre seus pés. Passou a achar que as pessoas não faziam muito sentido.
Não sabia até onde conseguiria ir. Já se sentia meio morta.
Sentia de novo que pisavam sobre seus pés. E que não se incomodavam se ela caísse por conta disso.
Via que as pessoas humilhavam umas às outras e não entendia por que tinham necessidade de fazer isso.
Sentia que o amor podia salvar, e o amor a abandonara.
Foi viver de ser sozinha.
Se sentia meio morta o tempo inteiro. Achava que ajudar os outros poderia ser caminho para boa sorte. E quanto melhor era para alguém, pior eram para ela mesma. Ficou sem entender esse reciprocidade ao avesso.
Ficou sozinha e cheia de silêncios, sem acreditar mais no que as pessoas lhe diziam.
Me engaram, pensava. Me engaram quando me acusavam de egoísta, me mandando ajudar os outros. Só queriam que eu me doasse.
De tanto se doar, ficou com a solidão e os silêncios. E amor nenhum. Porque não havia mais gente por perto.

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