sábado, 29 de novembro de 2014

Ei, coisinha, vá devagar

Eu fico assustada com tanta gente pedindo para que o ano acabe logo. Para que o mês acabe logo. Para que a sexta-feira chegue de uma vez e a segunda-feira não chegue nunca. A gente se encontra no bar e de repente a pessoa diz como estamos velhos, como está velha, como o tempo passa rápido, meu Deus, como era bom ser jovem e não ter já vinte e cinco anos (pois é).

E é bem assim mesmo.

A única vez em que pedi para o ano acabar logo foi em 2012. Porque 2012 levou cinco anos, na minha vida, para terminar. Porque eu fazia algo que não gostava e que me fazia sofrer muito. Porque eu vinha tentando me recuperar de males que nunca resolvi por inteiro. Porque eu nem sabia o que seria de 2013, mas queria que ele viesse mesmo assim, já que 2012 era o fim de um ciclo difícil demais de cumprir. Pedi mesmo.

No outro ano, quando comecei a fazer o que gostava: passei a pedir que o tempo passasse devagar. Em 2014, já estou fazendo praticamente tudo que gosto, mas ainda não gosto de tudo o que faço. Tem umas etapas por concluir: essas eu quero concluir duma vez, num logo. Mas não quero que o tempo passe rápido por causa delas, de jeito nenhum.

Os anos acabam e eu levo sustos. Meu aniversário chega e eu levo sustos de novo. As pessoas morrem e eu me desespero porque: a vida passa rápido demais. O tempo é ligeiro demais. E me irrita todos quererem que 2014 acabe, que 2015 chegue logo, para no ano que vem fazerem a mesma coisa - o ano inteiro.

Eu já acho que a gente vive muito pouco. Me pego pensando nos livros que quero ler durante a vida, e tenho certeza: não vai dar tempo. A gente deveria viver uns 200 anos, pelo menos. Me lembro da minha avó que partiu de repente, e também digo: mas ela merecia mais cem anos pela frente. Assim como me vejo fazendo tudo o que sempre quis (mas que só descobri que queria há alguns anos), e desejo em silêncio: a vida deveria durar muito mais, é claro, para eu poder ter mais tempo de literatura cotidiana. Era tudo que eu queria.

Quando eu comecei a fazer tudo que gostava e queria, tive a sensação real de que a vida tinha acabado de começar - foi ano passado. E ela segue muito bem, mesmo faltando bastante para completar os cem por cento. Eu não quero que ela acelere de jeito nenhum. Por mim, o tempo pode ir devagar. Mesmo que haja coisas que eu queira acelerar, eu prefiro que o tempo continue sem pressa. E as pessoas também.

2 comentários:

Vanessa Cardoso disse...

Botou pra quebrar, garotona!! É assim mesmo que acontece! Vc colocou facilmente em palavras a realidade nua e crua do tempo! ;********

-sOliNo- disse...

"vão devagar, areias do tempo"