segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Sobre publicar um livro assim

Aqui dá pra ser sincera. Só tenho três pessoas que lêem meu blog - essa história já é velha. Pouca gente vem aqui ver se tem algo que preste na tela. Aqui tudo bem.

Eu vinha vendo muita gente escrevendo coisa sem graça e ganhando aplauso. Fiquei com despeito e com inveja e com raiva e com vontade de fazer o meu. O meu talvez fosse tão ruim quanto, talvez fosse um pouquinho melhor. Não custava nada tentar. As redes sociais fizeram todo mundo perder a vergonha na cara, e em outras partes do corpo também, e deixaram todo mundo fazer o que quisesse com suas palavras e seus talentos. Ou com a falta de palavras e a falta de talentos. Enfim. Tinha coisa ruim por aí. Tinha coisa muito boa. O que importa era que tinha gente demais publicando os escritos e isso estava ok.

Lembrei que só tenho três pessoas me lendo (uma delas sou eu). Pensei por que não, não existe não, só existe sim, vai que pode ser. Sentei a bunda na cadeira e li num rompante dezenas de publicações. Fui selecionando algumas, cortando outras, selecionando mais, e mais, e isso durou uma noite rápida. Poucas horas e o livro já tava pronto.

Quando me dei conta, o livro se dividia, sozinho, em duas partes bem distintas. Eu vinha despedaçada em uma - lembro da época. Eu estava inteira na outra - sei dessa época. Então ele vai ficar assim, dividido. E o título também vai. Tá pronto.

Fiz uma coisa horrível artisticamente, achando que as palavras bastavam. Que basta escrever, basta ler o que tá escrito, e isso é a obra. Mandei um pdf lacrado para uns dez amigos. Todos ficaram felizes. Eu fiquei surpresa com tanta felicidade simples assim.

E a coisa andou a andar. Um amigo de longa data (um dos três que lê o blog) fez a capa. Claro, tava um negócio horrível, preto no branco, só as palavras sozinhas. E um amigo visionário me fez acreditar que era preciso lançar de verdade o e-book.

Lançamos. Deu certo. Não sei se deu tão certo assim. Talvez tenha saído um pouco dos planos.

A verdade é que a preparação chamou mais atenção do que o livro em si. A entrevista teve mais curtida do que o livro teve de downloads. E me pergunto se é tão fantástico assim ver alguém falando sobre o livro, quando na verdade o livro é que deveria ter algo de melhor do que isso. E eu nem sei falar direito. Aliás, já me convenci e estou convencendo todos ao meu redor de que fui obrigada a me expôr daquele jeito.

Penso agora no que o Gregório falava sábado: basta uma crônica pro leitor saber exatamente quem você é; o ator é um tímido, ele se esconde em personagens, apesar de todos acharem o ator um exibicionista; o autor, não, esse se mostra, esse é ele mesmo enquanto escreve, quando publica.

Lá tô eu, no livro, e por isso com vergonha de me mostrar demais à gente demais. Não tenho a menor coragem de fazer propaganda. Porque eu não faço propaganda de mim mesma. Nunca fiz. Nada contra - tenho até amigos que são assim, etc - mas eu vou no sentido contrário. Adoro estar despercebida. Talvez também goste de ter um blog lido por pouca gente. Posso me mostrar sem estar me exibindo. E isso às vezes frustra mas às vezes te dá uma liberdade saudável - mais saudável do que aquela de quem se esconde nas gavetas.

A sensação de dar um pouco errado e de fracassar um pouco era iminente. Agora é real. Ou um pouco real. É assustador descobrir que você anda se exibindo por aí - e aí você pára de se exibir e sente vergonha de divulgar o livro mas ao mesmo tempo se sente triste por o livro não alcançar tanta gente quanto você gostaria.

Apesar da dúvida inteira, a única coisa que me sobra desse processo confuso é vontade de escrever. Acho que dá pra fazer melhor. Olhando daqui pra frente, daqui pra frente.

Um comentário:

Júlio Cézar disse...

esse texto podia tá no livro. lá no final. PELO MENOS NÃO TEM AMOR CUTE CUTE CUTE