segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Sou só sins

Me pediu que eu esperasse, e eu disse sim.
E que eu esperasse muito, e eu que tudo bem, não tinha problema.
Mas tinha. Esperei.
Me pediu que não demorasse, e eu corri. Não deveria, mas corri.
Me pediu que fizesse tudo com calma, e eu fiz, e me apressou mais, e eu apressei também. Eu não queria calma nem pressa; queria meu tempo. Não tive.
E me pediu tempo e eu dei.
Me pediu companhia e eu fiquei mais.
Mas quando estive sozinha, foi embora cedo.
Me deixou sozinha por tempo demais.
Me abraçava quando ficava feliz, só, e eu deixava. Eu precisava de abraços e ficava calada se achasse que não deveria pedir por eles.
Chorei em silêncio absoluto. Ninguém nunca soube. Ninguém nunca me viu chorar.
Disse que eu era chata demais e me mandou sorrir. Gargalhei com as feridas sangrando.
Me pediu mais trabalho, e fiz. Me deu trabalho, e eu não podia, mas aceitei e fiz também.
Fiz mais, fiz tudo.
Faltou comigo.
Não faltei com ninguém.
Atrasou meu dia. Não atraso o dia de ninguém.
Falou que o prazo era ontem, eu voltei no tempo e fui.
Falei que o prazo era amanhã. Nunca mais me respondeu.

Morri engasgada com todos os "nãos" que não disse.

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