terça-feira, 2 de dezembro de 2014

A minha questão do feedback

Foi importante pra mim, no último ano, ler o texto do Terron sobre a questão do feedback: http://www.blogdacompanhia.com.br/2014/02/a-questao-do-feedback/

Mudou algumas coisas, é fato. Fiquei menos ansiosa. Fiquei menos preocupada. Fiquei mais relaxada com o fato de ter pouca gente me lendo e tudo bem com isso. Tudo bem mesmo. Sinto até certa liberdade de falar qualquer coisa aqui, porque sei que pouquíssima gente vai ler. E essa pouquíssima gente que lê, não me julga, ou me julga muito pouco. E nessa liberdade eu me viro e brinco que só.

O problema, para quem começa a escrever e começa a gostar de fazer isso para além das fronteiras do desabafo, é querer fazer disso algo mais sério e bem feito. É querer produzir com mais esmero. Aparar as arestas onde elas devem ser aparadas, e deixar umas sobras onde podem ficar algumas sobras. E aí, tudo que a gente mais quer e mais precisa: é ter algum feedback.

Eu fiz uma oficina de contos para descobrir que: tudo o que eu vinha escrevendo até aquele dia não eram contos nem nada perto disso. Meu aporte teórico para aquilo que eu fazia era zero. Mas também fiz essa oficina para terminar descobrindo que: ter quem ouça e quem fale sobre o que você escreve pode ser a parte mais valiosa do processo. Talvez seja a parte mais valiosa do processo.

Em tempos onde curtir e retuitar é o que move nossos dedos e nossos elogios, um comentário virou êxtase. Uma leitura minuciosa é um lucro de milhões. E é algo que você não pode desejar nem esperar - porque é difícil de vir.

Ninguém quer te ler se você não é um escritor famoso. Ninguém faz questão de detalhar sua escrita se não vai ganhar nada com isso. E, mesmo ganhando (não necessariamente dinheiros), pode ser que deixem isso para lá. E deixam mesmo.

A minha maior dificuldade em escrever melhor é não saber, exatamente, como o que eu escrevo consegue chegar nas pessoas. Se a história que eu faço é clichê ou não. Se os personagens falam muito palavrões ou se convencem muito pouco. Se eu sou artificial em excesso ou sou sincera na medida certa. Se eu me revelo demais ou de menos.

Às vezes me pego desejando alguém que fale bem mal de tudo que escrevo, e que odeie meus contos. Porque sei que isso é melhor do que o silêncio absoluto ou o botão do like ativado - já que esse último pode significar muita coisa, inclusive coisa nenhuma. Porque sei que esse é o começo da melhora, do processo mais elaborado, da escrita mais real. Eu não tenho vaidade em ser escritora. Eu só quero continuar escrevendo. Mas, do jeito mais real possível, da forma mais sincera que eu puder. O problema é ter de fazer isso sem feedback nenhum.

A solução é seguir escrevendo. E só.

Nenhum comentário: