quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Falta de respostas

Eu acho que o celular vibra o tempo todo, toca mesmo estando no silencioso, me chama lá de dentro ou esquecido dentro da bolsa. Olho. Tem mensagem. Olho, não tem. Olho, tem mais mensagem. Olho, nada. O e-mail não chega. O e-mail ninguém responde. O que mandei ninguém lê. O que li ninguém sabe sobre. 

Fiz tantas perguntas em uma só mensagem que só voltou uma resposta. Fiz duas perguntas em umas duas mensagens e não voltou resposta nenhuma. Cancelei a rede social. Desliguei o celular. Desativei a internet. Aguentei uns minutos. Dias.

Quis escrever e não consegui porque eu esperava respostas. E conversas. Também acho que fica difícil escrever quando se conversa menos. E agora eu fico em casa assistindo entrevistas. Pois é: esse é o tamanho da loucura. Como se os diálogos ao vivo me fizessem falta. Como se os diálogos virtuais suprissem isso, mas eles não existem mais. Existem muito pouco. Insisto e desisto depois de muito insistir. Desisto das pessoas todos dias, cinco vezes. Amanhã fico carente de novo, e o ciclo se repete. 

Quis parar de escrever muito porque não tinha resposta nenhuma para os envios que fiz. Ninguém pra me dizer que eu sou muito ruim ou médio ruim, menos ainda pra me dizer isso e me justificar em seguida. Então foi como se dissessem que eu sou um médio ruim que não vale a pena ler. Não fiquei triste. Só tive pena da energia que gastei com a expectativa. 

Fiquei em silêncio fingindo que não existia mais. Já que as pessoas não estavam tão por perto assim - isso é o mesmo que não existir, ou que existir muito pouco. Até li menos. Pensando, achando e sentindo que as palavras fazem menos sentido também. Que estão fracas - e que as minhas tinham morrido todas. 

Até que discordei e decidi que o silêncio dos outros me deixa pelo menos falar sozinha, sem interrupção; me deixa escrever em excesso, tudo muito ruim, sem as vaias no final. (Já que tudo é silêncio.) Deixei por isso mesmo. Monólogos em som alto e poesias escritas sem vergonha. O começo da solidão foi o começo da loucura. Aceitar a solidão é só o fim desse desespero longo. 

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