domingo, 14 de dezembro de 2014

Um futuro de presente

É como se eu já soubesse como vão ser os caminhos e como vai ser quando chegarmos lá. Eu já sei que não vai ser nada fácil, mas que vai ser bom mesmo assim: o durante o depois. E o durante do depois - vai ser a melhor parte, talvez?

Como se eu já soubesse como serão os cômodos e as cores da casa. A luz entrando sem vacilar. Os móveis poucos e os livros muitos. Os barulhos que vamos ouvir durante o dia e o silêncio que pode estar durante as noites e durante os domingos. Os domingos iguais e desse jeito que queremos mesmo: um igual sossegado. Nossos dias de sossego.

Como se eu já soubesse as vozes que as crianças podem ter. As cores dos cabelos e as gargalhadas que serão regra. E os abraços e os sorrisos e as palavras. Teremos uma vida cheias de palavras. As minhas, as suas, as deles, as nossas todas. Porque vivemos de conversar, isso a gente sabe, e eu não paro com os livros e as estantes cheias. A coleção de cadernos. E tudo o que ouvimos e guardamos e repetimos e dizemos olhando uns nos olhos do outro. As coisas boas, principalmente.

Como se já soubesse que virão Natáis e Carnavais e festas nossas para fotografar não muito - porque estaremos ocupados demais em estarmos juntos. Em abraçar e em rir um pouco mais. A rotina repetindo e os anos passando, e o medo do fim dessa vida inteira, meio atrapalhada e simples. A nossa.

Parece que já sei como vai ser. E isso me traz calma. E uma felicidade.

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