quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Parem. E corra, Bia, corra.

Eu tinha acabado de assinar os papéis quando, no dia seguinte, sentei na carteira da sala de aula e exclamei muito alto em meus pensamentos: mas que merda eu vim fazer aqui. A Psicologia nunca tinha sido meu lugar, e a pós-graduação em Psicologia era um não-lugar maior ainda - só que mais assustador, porque, quando assinei os papéis, eu disse ao governo que ele poderia me pagar dinheiros enquanto eu ia fazer ciência.

"Mas por que você vai fazer mestrado em Psicologia se você não gosta de Psicologia?". "Porque eu gosto de fazer pesquisa!". Mas gente. Olha o tamanho da inocência da criança. Cinco anos de vida adulta e eu ainda brincando de bonecas e lego.

Fiz tudo errado. Ter acatado em continuar com o mestrado foi só um colocar as mãos no lugar dos pés e os pés em lugar nenhum. Não foi nem uma troca reversível, é o que quero dizer. Foi uma trapalhada em torno de um "fazer pesquisa". Que me rendeu humores ruins e desesperados. Passou. Tá passando. Só que estamos agora na pior parte.

Porque agora eu tenho que ficar estudando estatística e tentando descobrir o que fazer com tanto número e papel (meus dados de pesquisa) sem trocar pés, mãos e cabeças. Na verdade acho que minha dissertação vai ser algo como um boneco anencéfalo, um desenho girino-cefalópode, um retrato bem fiel à alguém que não deveria estar na Psicologia, mas está - e são tantos seres humanos nessa condição, meu Deus, porque logo eu deixo tudo tão na cara.

Esse pior momento é alimentado pelas perguntas de "e aí, terminou a dissertação???". Gente. Não vou nem mostrar em que pé (mão ou cabeça) as coisas (não) estão. Eu tenho respondido a essas questões com "tudo bem, e você?, feliz ano novo". Porque as pessoas esquecem como começar boas conversas.

Agora eu fico trancada numa masmorra, correndo atrás do tempo perdido, com ausência de orientadores (ambos em pós doc há seis meses), sem consultar os colegas sobre o andamento da dissertação deles, porque tenho certeza que com eles já está tudo pronto e com resultados estatísticos significativos e confiáveis. Acho que eles até sorriem e dormem em paz.

Devo retomar o contato social depois da defesa (que não sei quando vai ser). Só pra eu poder responder JÁ, PARE, quando me perguntarem antes de saber se eu estou bem se "já terminou a dissertação???".

Até lá.

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