sábado, 11 de abril de 2015

Em feliz ano novo

Nesse ano novo vai ser diferente. Agora sim. Agora será tudo diferente de antes, do antes de sempre.

Nesse novo ano eu tenho a resolução de ler bem mais. De esvaziar as estantes no seu sentido temporário: esvazia-las abrindo os livros que ainda não li. São muitos, estão todos aqui abandonados. 

Mas nesse ano vou reler bastante também. Porque venho esquecendo, porque faz tempo que li, porque há livros que são feitos para reler, e não para ler somente, e também porque eu vou ser professora desses livros então preciso lê-los mais umas quinze vezes, pelo menos. Machado. Zé de Alencar. Rosa. 

Ah, esse ano eu prometo como vou ler Rosa... Em voz alta, é claro. Rosa só pode ser lido em voz alta porque é lindo de morrer e de se reler. Imagine como vai ser bom esse ano novo. Relendo o século dezenove e lendo poesia em voz alta. Vou ler mais poesia também. Preciso aprimorar um negócio desses. 

Também, sim, também vou escrever. Não poesia, quer dizer, poesia sim, é mais ou menos isso que já escrevo, mas, digo, não vou escrever poesia em poemas mesmo - porque esses eu vou ler, quis dizer. Vou escrever mais. Tem um livro pronto antes do livro que lancei e cada vez que releio não acho ele bom. Acho que falta algos. No plural: algos. Então vou me esforçar por ele e escrever com mais carinho e com menos ansiedade. 

Aliás, falar em ansiedade, outra coisa que prometo nesse novo ano é me sentir menos ansiosa quando o assunto for esse: escrever. Porque eu estava falando com o quadrinista famoso, sabe, ele veio aqui e eu conversei com ele sobre o trabalho de escrever histórias - quadrinista é também escritor, mas o povo pensa que é só de desenhar - e sobre a avaliação dos outros. É a parte mais difícil, eu disse, contar com alguém que queira ler o que você está escrevendo e dar uma opinião. Quando você tá famoso todo mundo quer fazer isso. Quando você ainda não sabe escrever direito, ninguém quer. E você fica sem saber se ninguém se dá ao trabalho de ler porque não quer, ou porque o trabalho tá ruim mesmo. Eu discordo de você, Bia, sabe, eu discordo mesmo, ele disse, porque eu não mostro meu trabalho a absolutamente ninguém, e também o fato de alguém dizer que meu trabalho é ruim, não quer dizer que esteja ruim. Assim como quando dizem que é bom não quer dizer que realmente esteja bom, né, eu disse. Ele concordou, pois é, exatamente. O que eu penso é que o trabalho tá feito, ele disse, e que eu dei o meu melhor, ele disse, e isso que importa, sabe. Isso que importa. 

Nesse ano novo vou ler e escrever mais, vou escrever com menos ansiedade, eu vou, vou dar o meu melhor. Principalmente, nesse novo ano, aliás desse novo ano em diante, esse ano novo que é nova vida também, é sim, é daqui pra frente, eu tenho essa resolução principal: fazer o que gosto, e só o que gosto, que é a única forma de viver de verdade. Não digo de ser feliz; ninguém é feliz, assim, feliz mesmo, eu pelo menos não, eu tenho umas tristezas colecionáveis, mas sei que depois que comecei a fazer o que gosto elas ficaram todas menores, e senti que estava viva, realmente, eu que antes estava completamente moribunda. Agora vai. 

É só defender o mestrado, fechar a porta da Psicologia e entregar a chave. Não volta mais. Daqui pra frente, só posso isso, só quero isso: viver de verdade. Agora, sim, feliz ano novo. 

Só faltam dois dias.

2 comentários:

Patricia disse...

Feliz ano novo, Bia!

-sOliNo- disse...

feliz ano novo! =)