quinta-feira, 23 de julho de 2015

Instavelmente

Amanhã de manhã mesmo vou direto na agência e vou saber dessa viagem, vou fazer essa viagem, vou com medo de avião mas vou, tenho certeza de que posso fazer isso e mais, vou viajar, vou parar de perder tempo. /
Não vou a lugar nenhum. Não quero ir a lugar nenhum. Não quero viajar, não quero entrar num avião, não quero andar de avião. Não quero que me perguntem quando vou viajar e andar de avião.

Hoje à tarde vou trabalhar e cumprir a lista inteira, e fazer os check-check-check, porque a melhor parte de trabalhar é fazer uma lista com tarefas fáceis e rápidas e fazer o check-check-check em uma tarde e se sentir um ser humano de verdade quando se faz isso (risca um papel). /
Hoje à tarde vou dormir. Não quero nem vou trabalhar (nunca mais).

Passei a escrever todos os dias. Vou terminar de ajeitar o livro. Falta pouco, o livro é pouco, vou terminar. Vou também rascunhar alguma coisa nova. Vou rascunhar um texto novo todos os dias, para algo sair bom dentro de uma semana, por exemplo, e o livro novo já sai, e o romance já se desenha, e as coisas andam melhor assim. /
Não escrevo nada. Não quero escrever. Não tenho nada pra escrever agora. Não acredito em rascunhos cotidianos.

Vou ler esses três livros ao mesmo tempo. Já estou fazendo isso e está dando certo porque eles são de tamanhos diferentes, épocas diferentes, estilos diferentes. Vou ler três livros ao mesmo tempo e terminar um deles em uma semana. /
Não leio nada há dias.

Melhor começar logo uma dieta. Dá pra ver que depois dos vinte e quatro um ritual de passagem pelo qual não passamos destruiu toda a capacidade de emagrecimento rápido só com exercícios físicos. Hoje mesmo vou preparar uma salada e /
Café. Chocolate. E vou pular o almoço, porque almoçar é um saco, sinceramente.

Acho que a gente podia dar uma fugida no fim de semana, e ir pra algum lugar só a gente. A gente devia viajar mais, sair mais daqui. Abrir mais as janelas e a porta da frente (pra sair e ir embora). /
Não vamos a lugar nenhum. Não quero ir a lugar nenhum.

Quando me deu uma súbita consciência de que eu deveria abraçar mais os outros, literal e não literalmente. E fazer mais sorrisos enquanto isso. A vida passa rápido, o tempo é pouco demais. /
Não vejo ninguém há cinco dias. Não quero ver ninguém nos próximos cinco anos. E milênio.

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