terça-feira, 12 de abril de 2016

Não dá.

Eu comecei a escrever o livro em 2013, pelo final de 2013. Eu tinha feito uma oficina de escrita criativa com o Daniel Galera, em maio, por ocasião do Ação Leitura, e na sequência fiquei escrevendo contos. Por exercício e prazer e vontade, claro. Antes da oficina, eu tinha um conto, realmente conto, já escrito. Depois dela, cheguei a uns quinze, acho. Nunca parei pra contar.

Mas reuni e vi que dava um livro. E quando reuni vi que os contos eram monotemáticos. E que isso favorecia que assim fosse um livro. Mas que não era livro ainda porque não tava tudo bom, os contos não estavam assim, tão bons, um ou outro se salvava. Mas o livro estava "pronto". Era meu primeiro livro.

Alguma coisa me atropelou pelo caminho, que foi eu mesma, e fui lançar outro livro, reunindo textos também monotemáticos, praticamente, num outro volume aí, que a galera saiu comprando. Nunca entendi quem comprasse esse livro, mas ok.

Mas o primeiro livro, que agora seria o segundo, estava pronto. E terminei confessando ao editor que o livro estava pronto. Aí chegaram: ISBN, ficha catalográfica, data de lançamento. E o primeiro livro que estava pronto não está pronto. Nem vai ficar, é o que parece.


Lembro que quando estava me esforçando em fazer daquilo realmente um livro, um conjunto, uma coleção boa de contos, mandei alguns e-mails para amigos pedindo que me lessem. Alguns se voluntariaram, receberam meu original, e nunca me escreveram de volta. Outros nunca responderam. Uns dois, três, se propuseram a ler. Mas os feedbacks foram pela metade, ou não os tive.

Pensei que era tudo tão ruim que não havia quem lesse o livro até o fim, ou que, quem o lesse, tivesse vergonha de me dizer que era melhor eu guardar aquilo na gaveta (mas eu não tenho gavetas).

Insisti. Porque decidi que era o momento, o hoje, de publicar esses escritos, que se passar mais do tempo, não vou mais ser eu escrevendo aquilo, publicando aquilo. (O que só corrobora a ideia que o negócio não é tão bom assim, é frouxo pelas pontas.)

E depois que decidi publicar, passei a receber feedbacks tardios que só me desanimavam. O livro parecia cada vez pior. As sugestões que vinham eram cada vez mais exigentes e que tanto mostravam buracos. Me senti no dia da minha defesa de dissertação, tentando argumentar que eu havia feito um bom trabalho, sendo que eu sabia que não tinha feito grandes coisas. O problema é que, no dia da dissertação, eu não estava nem aí se o que eu estava fazendo tinha sido bom. Eu não estava nem aí se iria ser aprovada ou não. Mas quando eu tento dar corpo a um novo livro, os cabelos começam a cair só de pensar nisso. E, olhe, que são tão poucos que me leem, e eu com tanta frescura.

Meu senso crítico ficou tão estúpido que atingiu um patamar onde eu não sei se estou me julgando ruim demais porque sou ruim demais, ou se estou me julgando ruim demais por ser somente chata demais. Mas, não sei, aposto num meio termo nisso daí, o que já é levemente desesperador para uma virginiana chata, sem problemas reais, que finge ter dilemas existenciais enquanto escreve (e vive).

E a certeza que se avoluma, agora, é somente essa: que o livro não está pronto, nem vai ficar. Esse livro nunca vai ficar realmente pronto, terminado.

E eu vou publicá-lo mesmo assim.

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