segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

hoje

~ faz meses (mesmo) que tento terminar de ler uma tese e não consigo. a sensação que tenho é que se escreve demais, muito excessivamente (assim no exagero), e isso cansa muito pra ler. quero ler tudo, mas é um pouco difícil seguir.
ao mesmo tempo fico me perguntando se vou conseguir escrever tanto assim, falando minuciosamente de mil coisas que ficam ao redor do meu objeto de estudo.

~ finalmente consegui marcar um horário com meu orientador. a sensação é ainda de vazio, de que não produzo nem tenho nada de concreto.
é muito esquisita a pesquisa qualitativa, depois de tanto tempo pensando e fazendo pesquisa quanti.
mas já tô com um norte mais ou menos organizado aqui, que só preciso pôr no papel para mostrar à ele na quarta. acho que faz sentido o que estou fazendo e como estou fazendo. espero que ele não se envergonhe. :p

~ praia logo cedo hoje. maré cheiíssima, que também dá um banho de mar bem bom em ponta negra.

~ treino ok e finalmente consegui os 2min30s de cavalo! ainda não tinha rolado, e o exame já é sexta que vem, dia 22.
tô bem mal e despreparada psicologicamente, eu sinto.
o exame da marrom clara pra marrom escura é pesado, o treino também é pesado, e é difícil render treinando excessivamente. o corpo cansa de um jeito absoluto. (não é só físico, é um cansaço quase exaustão, quando volto de alguns treinos.) ainda não fui liberada pro exame, mas espero que dê certo.

~ preciso marcar meu dermatologista! todo dia esqueço!
e fazer uma limpeza de pele! esqueço também.

~ esperando dinheiros de pagamentos entrarem na conta. que aflição isso. afe.
espero que entre logo.

~ vou passar férias em brasília, cuidando da sobrinha.
numa pretensa fuga daqui e de mim.
mas espero que seja bom, que eu volte bem de lá. :) (e que fique bem por lá também)

tentando

minha dúvida sobre o remédio ter estabilizado demais e estar tudo recomeçando,
ou o remédio não necessariamente estabilizou nem perdeu o efeito mas está tudo recomeçando,
ou nenhuma das anteriores, é só um ciclo normal que todos passam e que me assusta mais que assusta pessoas sem passado depressivo. foi a hipótese da psicóloga.

minha psicóloga também conversou um pouco sobre meu ato de pensar excessivamente, enquanto recalco sentimento demais. não com essas palavras, mas ela sugeriu que a saída pro overthinking talvez eu seja eu permitir sentir em excesso. negócio que me incomoda e eu recalco (porque sou sensível em excesso, e isso me atrapalha, eu acho).

aí fui.
tô nesse exercício e acho que uma calmaria, pelo menos, se instalou. só não significa ficar tudo bem, é claro.

e aí no sentir demais e no pensar de menos, tomo decisões muito espontâneas que talvez não me deem o resultado que eu queira. sábado fiz isso.
espero que venha um resultado bom.
se não vier, tô por aqui tentando um melhor de mim. do mesmo jeito. 

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

agoras

esse semestre estou pagando uma disciplina complementar sobre bakhtin que estou achando dificílima. nos moldes da psicanálise que paguei em psicologia.
a aula começa ok, entendendo ok, e quando termina eu me toco que não entendi absolutamente nada.
teoricamente todos leram um texto do bakhtin em casa,
e, na aula, o professor compara traduções de diferentes línguas para trechos desse texto!

minha inteligência ainda não alcançou esse povo todo.
minha inteligência ainda não alcançou a pós-graduação.

sinto que deveria entrar na graduação de novo.

~

por outro lado, depois de ter feito os dois últimos estágios esse semestre, ~milagrosamente me sinto menos desesperada sobre ser professora. sobre a necessidade de saber 100% de todos os assuntos da língua portuguesa para poder entrar em sala.
a sensação é que "dá pra fazer", "dá pra ir", já dá pra ser professora a partir do ano que vem. com muita dedicação e estudo, ainda, mas que dá, dá.
meses atrás eu não tinha segurança nenhuma disso.

~

reli "a desumanização" de valter hugo mãe.
que coisa incrível é isso que ele faz com a palavra o texto a narrativa e aqueles personagens criados tão unicamente.

assisti a "alias grace",
série também baseada em livro de margaret atwood (a que escreveu the handmaid's tale). gostei. bastante. tem um ritmo parado, tem pouca ação, muito diálogo, muito monólogo interior, e sem final óbvio. boa narrativa.

~

preciso estudar de um jeito desesperado e produtivo. mas organizado. logo.

volta

acho que parei de postar pra disfarçar pra mim mesma o indisfarçável fato que fui paga pra escrever uma resenha que nunca escrevi.
não me senti capaz aí não escrevi aí fiquei devendo dinheiros a júlio.
acho isso feio.

~

quase impossível a conciliação entre uma graduação e um doutorado. meu doutorado parece parado. eu pareço parada e incapaz.
igual a esse lance com a resenha.

ou seja, uma demanda.
preciso lidar e resolver. no caso eliminar, fazer com que isso deixe de ser uma demanda.

~

quarto mês de tratamento psiquiátrico.
a psiquiatra parece orgulhosa, a psicóloga também.
até eu fico, às vezes. vendo que tô sobrevivendo e lidando de um jeito diferente.
ainda tem dias que é pesado, é pesaroso, é parado,
mas acho que deixou de ser desesperador há um tempo. isso já tá bom na conta.


~
tenho meditado praticamente todos os dias. tem sido bem importante isso.
minha mãe também me colocou pra tomar uns florais, e pôs uma luz colorida no meu quarto, que, a depender do que eu precise, eu regulo a cor dela. parece viagem, mas não me atrapalha, e, vou te dizer, eu acredito nessas coisas. então ela tá aqui na luz azul,
depois de eu ter tomado o floral, o chá, meditado, e estar aqui tentando escrever algo (no medium).
então deixa, então fica.

~

eu espero que fique tudo bem. ou quase tudo. eu inclusa.

terça-feira, 25 de julho de 2017

já hoje

há pouco ~reassistindo kung fury pra poder fazer a resenha que júlio pediu.
em trinta minutos acontecem coisas que dariam quarenta diferentes filmes.

~

li esse link hoje sobre disciplina para escrever, estratégias, etc, e acho que uma coisa que vou tentar um pouco é tomar algumas notas no caderno antes de dormir. quando o pensamento tá mais desprendido, sem freio e tal. se não servir para escrita futura, acho que pode ser bom em fazer isso. não sei, imagino que sim.

~

terminei um dos trabalhos de disciplina do doutorado,
fiz o ppt do trabalho que vou apresentar no congresso mês que vem,
mandei para os respectivos professores isso daí.
achei até produtivo.

~
minha inscrição no concurso do if está ok,
esqueci de olhar o diário oficial hoje,
treinei de manhã,
não li hoje,
o dia começou bem difícil mas deu pra ir levando. mas é ainda muito desafiador lidar com a ideia permanente de falta de perspectiva, de ir fazendo "o que tem pra fazer hoje" mas só por fazer. segue sem sentido.

~
o almoço no vegetariano hoje tava muito muito bom. muito bom.

fetichização do frila

júlio me pagou uma fortuna de dinheiros pra eu escrever uma resenha de kung fury que só ele vai ler
8 reais
no caso um frila

;

quando eu disser que depois do almoço "estava trabalhando" será verdade será por isso.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

"eu não gostei de como as coisas terminaram."
"eu não gostei de elas terem terminado."

pois

um dia quero voltar a ser feliz nível feliz de hanna comendo melancia
juro como quero
todo dia tendo de consultar o diário oficial de municípios e fico impressionada com a existência de humanos cujo trabalho envolve escrever coisas burocráticas e chatas e quadradas assim. mddscéu. TODO DIA isso.
~

por onde anda o lobo de jon snow? não lembro a última vez que ele apareceu.

~

eu deveria estar terminando o trabalho do doutorado mas tô exercitando o sofrimento desde o fim da tarde e pensando besteiras muitas e só uma ou outra coisa séria.

~
não sei se amanhã de manhã eu treino ou vou pro mar.

~
eu deveria assistir a mais filmes. deveria mesmo.

meu notebook que não chega do conserto :(

perspec

pensar o estágio deprimido como fundo do poço me parece errado. mais correto pensar que é um poço sem fundo. 
sem fim, uma queda constante. 

é difícil começar uma semana assim, e acho que tenho de repensar sobre medicamento outra vez. não sei se vale resistir um pouco mais, se tô exagerando ou se tá certo mesmo de ir. sinceramente mal consigo saber.
mas de fato cada baixa tem sido disparada por acontecimentos que poderiam ser detalhes, e não são. e em cada baixa dessas eu tenho a sensação quase nítida de que meu corpo não aguenta muito mais; falando concretamente, em aspectos físicos mesmo. parece que ele tá exausto, e tá mesmo. vem desde janeiro isso. 

e termina que tem dias que fico me perguntando até quando vou estar assim, se num sempre, se sempre vou ter de me preparar pra isso ou de conviver com isso. eu olho pro futuro e nem vejo futuro. antes eu olhava sem esperança, agora olho sem perspectiva, como se ele não viesse a existir. e aí fico me perguntando se sinceramente vale a pena continuar estando assim. se vale a pena continuar vivo se não se consegue ser feliz, por mais que tente. 

parece que as possibilidades esgotaram e eu sinto isso numa mistura terrível de angústia e desespero, mais do primeiro que do outro. 

hojes

amanhã começa a flip, festa literária internacional de paraty,
e a programação tá cheia de autores negros (mulheres e homens), e de escritoras.
bom né.

cada vez mais, acho que a gente se aproxima do 'mundo ideal' de não precisar lembrar de convidar mulheres, lembrar de convidar negros, e, principalmente, de não precisar sempre ter mesas falando sobre as mulheres/negros na literatura, etc.

~

será que dá certo isso de olhar o diário oficial e só fazer um ctrl+f no meu sobrenome, até o dia em que ele aparecer?
obviamente tenho nem coragem. faço isso mas depois olho os dois municípios que podem me chamar pelo concurso.

~
preciso retomar direito os estudos pra o concurso do if, mddscéu.

~
queria melhorar minha escrita funcional, mas tô meio sem norte.

~
minha mãe ainda em brasília e casa ainda muito em silêncio. acostumei. mas faz falta.
e me faz sentir ainda mais falta dos meus avós, que não estão mais vivos. se estivessem, eu estaria lá bem mais vezes por agora.

~
minha sobrinha parece meu irmão mas é linda. muito linda. :)

trabalhos

reli mais uma vez o romance 'helena', de machado de assis, pra um trabalho do doutorado. tive de reler para sinalizar todas as ocorrências de interação direta do narrador com o leitor. machado tem disso em seus romances, de escrever 'conforme você se lembra, leitor', 'calma, leitora amiga, isso acontecerá mais à frente', 'o leitor viu o que aconteceu no capítulo tal', etc.
em helena, particularmente, só tem UMA ocorrência disso. ¬¬

agora vou passar pra esaú e jacó e fazer a mesma busca.
esaú e jacó é até bom, e só li uma vez (helena eu já havia lido duas), mas é um livro mais longo. só sei que, sim, de memória já vejo que tem muito mais interações desse tipo ao longo da narrativa.

~

agora fazendo o trabalho final de outra disciplina, mas que vai servir quase todo ele para o trabalho que vou apresentar no congresso próxima semana.
uma comparação entre dois contos publicados durante a ditadura: 'o pelotão', de sérgio sant'anna; 'o general está pintando', de hermilo borba filho.

ressaca

numa espécie de ressaca existencial depois de um fim de semana com tantas interações sociais. é real isso. a sensação.

mas acho que essa ressaca viria com ou sem as interações.
mas foi existencialmente cansativo, de verdade. está sendo.

há (no sentido de existir, não de tempo decorrido) dias que a sensação é bem essa, um cansaço de estar por aqui, de ter de existir, se fazer presente de alguma forma. é meio cretino dizer isso, mas é uma sensação real, infelizmente. chega até a ser concreta.

sem criação

~acho que se eu escrever vou melhorar ou ficar perto de ficar 'mais bem'

~tão mal que não consegue escrever nem pensar em escrever nem imaginar o que é escrever

agoras

"- Tá bom - eu disse. Era contra meus princípios e tudo, mas eu estava me sentindo tão deprimido que nem pensei. Esse é que é o problema. Quando a gente está se sentindo muito deprimido não consegue nem pensar."


até tenho conseguido tomar decisões importantes que dizem respeito a mim mesma, em isolado, em particular. mas é difícil nesse nível decidir pequenas coisas um dia ou outro, quando uma perturbação vem de fora e com a qual você não contava vir.
tão deprimida que mal consegue pensar.
e na real parece que existe sempre uma provação nessas decisões sobre tomar uma atitude que possa parecer humilhante. é impossível pensar com clareza se o que você está fazendo é ou não humilhante. a dificuldade de pensar também está no senso crítico, no bom senso, no amor-próprio. são três itens praticamente desconhecidos, ou inócuos nesse agora.
decisões ou atitudes que envolvem certa dose de humilhação, mas você não sabe até que ponto de fato envolvem, ou se é tudo uma conspiração sua consigo mesmo. um auto-boicote desses escrotos de fazer todos os dias.

apanha dor

"Quanto mais caro um colégio, mais gente safada tem, no duro."

"As pessoas estão sempre pensando que alguma coisa é totalmente verdadeira. Eu nem ligo, mas tem horas que fico chateado quando alguém vem dizer para me comportar como um rapaz da minha idade. Outras vezes, me comporto como se fosse bem mais velho - no duro - mas aí ninguém repara. Ninguém nunca repara em coisa nenhuma."

"Excelente. Se há uma palavra que eu odeio é essa. Falsa como o quê. Só de ouvir me dá vontade de vomitar."

"Eu nunca gritaria 'boa sorte' para ninguém. Se a gente pensa um pouquinho na coisa, vê que um troço desses soa um bocado mal."

"Bom mesmo é o livro que quando a gente acaba de ler fica querendo ser um grande amigo do autor, para se poder telefonar para ele toda vez que der vontade."

"Isso é outro negócio que me aporrinha um bocado. A gente escrever bem e o sujeito começar a falar em vírgulas."

"Não brinco em serviço quando me preocupo com alguma coisa. Fico até precisando ir ao banheiro. Só que não vou, porque minha preocupação é tão grande que não quero interrompê-la só para ir lá."

"Ele ficava furioso quando era chamado de imbecil. Todos os imbecis detestam ser chamados de imbecis."

"Esse é que é o problema com os imbecis como você. Nunca querem discutir coisa nenhuma. É assim que a gente descobre quem é boçal."

"Ele estava um bocado nervoso. Acho que estava apavorado, com medo que eu tivesse fraturado o crânio ou coisa parecia quando bati com a cabeça no chão. É pena que isso não tenha acontecido."

"De repente, me senti muito só. Quase tive vontade de morrer."

"Puxa, eu me sentia podre. Estava me sentindo tremendamente só."

"Quase todo presente que me dão acaba me deixando triste."

"Olhou para mim e sorriu. Ela tinha um sorriso tremendamente simpático. Verdade. A maioria das pessoas ou não sabem sorrir ou têm um sorriso pavoroso."

"É sempre assim, a gente fala com a mãe de alguém, e a única coisa que elas querem ouvir é como o filho delas é bacana pra chuchu."

"Aí eu comecei a ler um horário de trem que tinha trazido no bolso. Só para parar de mentir. Quando eu começo, posso ficar mentindo horas a fio, se me dá vontade. Sem brincadeira. Horas."

"Odeio dizer coisas quadradas, assim como 'viajando incógnito', mas quando estou com gente burra fico burro também."

"Me deram um quarto muito vagabundo. A única vista que eu tinha era a outra ala do hotel. Não que eu ligasse para isso. Estava deprimido demais para me preocupar se a vista do meu quarto era boa ou não."

"Não se deve brincar com certas pessoas, mesmo que elas mereçam."

"Aí foi embora. O cara da Marinha e eu dissemos que tinha sido um prazer conhecer um ao outro. Esse é um troço que me deixa maluco. Estou sempre dizendo: 'Muito prazer em conhecê-lo' para alguém que não tenho nenhum prazer em conhecer. Mas a gente tem que fazer essas coisas para seguir vivendo."

"De vez em quando, a gente se cansa de andar de táxi, da mesma maneira que se cansa de andar de elevador. De repente, a tente sente que tem de ir a pé, qualquer que seja a distância ou a altura."

"O vestíbulo estava inteiramente deserto, cheirando a cinquenta milhões de cigarros apagados. Eu não estava com sono nem nada, mas estava me sentindo um bocado mal. Deprimido e tudo. Tive vontade de estar morto."

"- Tá bom - eu disse. Era contra meus princípios e tudo, mas eu estava me sentindo tão deprimido que nem pensei. Esse é que é o problema. Quando a gente está se sentindo muito deprimido não consegue nem pensar."

"Magnífico. Se há uma palavra que eu odeie é magnífico. É tão cretina."

"Uma coisa que eu tenho que fazer é ler essa peça. O problema comigo é que sempre tenho de ler esses negócios sozinho, por conta própria. Se vejo um ator representando, mal consigo escutar direito. Fico preocupado, achando que ele vai fazer um troço cretino e falso a qualquer instante."

"Há coisas que deviam ficar do jeito que estão. A gente devia poder enfiá-las num daqueles mostruários enormes de vidro e deixá-las em paz. Sei que isso não é possível, mas é uma pena que não seja."

"Aí comecei a riscar fósforos. Eu faço muito isso, quando estou num certo estado de espírito. Deixo o fósforo queimar até eu não poder mais segurar, e então jogo no cinzeiro. É um tique nervoso."

"- Concordo! Concordo, alguns deles encontram mesmo. Mas eu só encontro isso. Compreendeu? Esse é que é o caso. É exatamente o meu problema. Não encontro praticamente nada em nada. Estou mal de vida. Estou péssimo."

"De qualquer maneira, até que achei bom eles terem inventado a bomba atômica. Se houver outra guerra, vou me sentar bem em cima da droga da bomba. E vou me apresentar como voluntário para fazer isso, juro por Deus que vou."

~
trechos de o apanhador no campo de centeio.
sem o perdão do trocadilho que fiz no título desse post. o bom desse blog hoje praticamente anônimo é que dá pra ser cretina e brega o quanto eu queira.

domingo, 23 de julho de 2017

ontem e hoje

ontem teve o estados de poesia aqui em natal, no bar do zé reeira, e participei duma mesa e em seguida mediei outra.
as duas coisas são desconfortáveis, mas mediar é mais confortável um pouco.

a mesa que mediei era sobre "mulheres na poesia", comigo e mulheres poetas (eu não sou poeta).
não falamos sobre mulher na literatura, mas sobre literatura.
de última hora, uma das convidadas faltou e quem subiu na mesa com a gente era uma não-poeta, mas ficcionista foda.

foi bom. foi interessante. não sei se a galera curtiu, mas a conversa fluiu bem e achei que falamos de coisas relevantes.
por exemplo sobre poesia enquanto política, como atividade mais política que artística,
e sobre talvez estar numa bolha ao fazer poesia dessa maneira,
sobre literatura e ensino,
sobre a ditadura (uma das poetas estudava ciências sociais na década de 70, e foi/é membro de organizações importantes relacionadas à anistia e comissão da verdade),
sobre literatura militante,
principais influências,
e uma pergunta que gostei mesmo de fazer: sobre as produções das quais elas sentiam orgulho.

sempre tem a pergunta de "o que você escreveu que se envergonha, algum primeiro livro ou primeiros poemas, etc". melhor saber do que a pessoa se orgulha.

foi bom.

~

ontem de manhã consegui treinar sanda as 11h, mesmo tendo saído na sexta à noite e voltado bem tarde. me senti jovem e com 100 anos pela frente, obg.
hoje, domingo, teve treino na praia e quase faltei, por motivos de insônia pesada e noite difícil por aqui,
mas fui sem muita expectativa e foi bom. :) ficar perto do mar é bom, treinar na natureza é bom também, brega mas bom. a energia é diferente, e o dia fica com essa energia diferente também.

~

lembrar de meditar.
coisa que me dá um leve orgulho: ser decidida.

não resolve puramente as coisas,
nem faz melhorar, muitas vezes,
mas num longo prazo parece ter sido o mais importante. parece estar sendo o mais importante.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

decisões importantes pra quem tem autoestima nenhuma ou abaixo de zero

sair do facebook
sair do instagram

ler bastante.

~

me convidaram pra participar de duas mesas num evento literário no próximo sábado. vai ser um negócio bem informal, num bar e tudo mais, mas essas situações me deixam 200% ansiosa. e meus picos de ansiedade têm se diversificado cada vez mais. no momento agora, eu sinto como se o corpo estivesse queimando por dentro; e é muito real a sensação.

~
isso lembra que tô com o psiquiatra marcado mas não quero de jeito nenhum ir.
acho que dá pra levar com a terapia, acho mesmo. mas às vezes bate o medo duma queda brusca.

da semana passada pra cá,
consegui, aparentemente, reverter a percepção de coisas-grandes, grandes-importantes nesse agora. mas ainda é tudo exercício. sem muita definição.

mas acho que o psiquiatra eu vou desistir por ora.

~
terminei "o apanhador no campo de centeio". tive, ao final, a mesma sensação de quando o li dez anos atrás: uma tristeza profunda mas ao mesmo tempo um sentimento de pertencimento no mundo. um certo conforto.
um abraço confuso mas bom.
levei-o pra terapia e conversei um pouco sobre. esse livro é importante em vários níveis. na minha vida também, em vários níveis.

terminando de ler "o estandarte da agonia", de heloneida studart. até agora o que mais gostei dela. bastante bom.
na sequência vou ler outro dela, um que teve problemas com a censura na época da ditadura: "deus não paga em dólar".

~
mês que vem tenho viagem pra congresso, no rio, congresso de literatura comparada.
acho que vai ser um congresso muitíssimo bom, tenho expectativas acadêmicas altas pra ele. porém nesse momento de ciclo interminável, confuso e claudicante, é difícil querer viajar. é difícil sair de casa para ene situações, avalie viajar. parece que potencializa o desconforto, pelo fato de você estar longe.
mas vamos.
minha mãe e meu irmão decidiram implicar com o fato de eu vou ficar em niterói, na casa de uma amiga, e não em um hotel próximo.
mas eu não quero ficar sozinha. não quero nem um pouco. podia ser o melhor hotel do mundo do lado da universidade, me dado de graça, eu sinceramente ia preferir estar distante mas com alguém.

~
há vários dias sozinha por aqui. até que tá ok, me acostumei ao silêncio e à quietude. mas não quero repetir isso numa cidade que não é a minha.

~
minha sobrinha nasceu sábado! <3 4="" :="" beleza.="" cheia="" de="" e="" p="" sa="">
~
vou tentar meditar agora. corpo e cabeça seguem ansiosos. 

segunda-feira, 10 de julho de 2017

hojes

meu notebook segue no conserto.
usando o desktop da casa, no mês em que estou sozinha em casa,
a rotina já tá estranha só por isso. sério.

mais que a tv saiu do ar desde sexta-feira, por motivos de chuva, e a claro tv diz que não tem o que fazer, por motivos de chuva. que eu espere de braço cruzado mesmo que a chuva dure três anos.
nunca assisto tv, mas num mês sozinha em casa barulho faz falta. a função da tv seria essa.

~
tá sendo foda reler o apanhador no campo de centeio.
eu dei esse livro ao meu irmão há uns anos atrás, de presente, e ele respondeu que não gostou, achou bobo, "silly". recentemente descobri que ele sequer leu o livro inteiro. recentemente ele começou a reler o livro - por causa da minha indignação com essa opinião dele, que perdurou no tempo. (a indignação perdurou. a opinião dele também. perduraram, no caso.)

tem uma passagem no livro que o personagem, holden, comenta que livro bom é aquele que a gente termina e fica com vontade de ser amigo do autor, de poder ligar pra ele, fazer um telefonema, etc, quando termina de ler o livro.
livro bom, pra mim, é quando você tem uma necessidade real de ser amigo do personagem, de conversar um pouco, de dizer que se vê muito nele, e mais.

uma pena que o livro acaba "logo".

~

papai veio aqui hoje e trouxe presentes.
volta e meia ele encontra um material literário que não é livro que ele acha que me interessa. um jornal antigo com uma matéria interessante, ou entrevista, ou revistas literárias. dia desses chegou com um cd de poemas de machado de assis. trouxe embrulhado num envelope amarelo pardo, me entregou como se estivesse me dando seu testamento.
meio cheio das cerimônias.

hoje me trouxe uma revista com vinte contos latino-americanos. chama "status". custou vinte cruzeiros. mas não tem o ano de publicação dela.
na revista, tem contos de alejo carpentier, juan rulfo, josé revueltas, juan josé arreola, carlos fuentes, augusto céspedes, josé j. veiga, rubem fonseca, sérgio sant'anna, ricardo ramos, dalton trevisan, roberto drummon, nélida piñon, eduardo galeano, juan carlos onetti, vargas llosa, augusto r. bastos, julio cortazar, jorge luis borges, adolfo bioy cesares.

também trouxe uma revista editada pelo sesc em 1995 sobre os poetas da geração de 45/50.
e uma revista literária portuguesa, com textos de gentes como afonso cruz, filipa leal, ignacio del valle, joão de melo, etc. (só conheço afonso cruz da revista inteira. que é bom, bem bom.)

papai também ficou recitando soneto de augusto dos anjos. comprei uma edição da l&pm pocket, "todos os sonetos", essa semana no sebo. foi cinco reais.
e ele disse um "que beleza" pro meu box do salinger que também encontrei no sebo.

~

estudando história por motivos de doutorado. tentando, no caso. negócio que me impressiona, fora de brincadeira, é alguém conseguir saber história de verdade. cada capítulo são muitas informações, muitos detalhes, e informações/detalhes complexos demais. é difícil entender história porque, na minha percepção, é preciso um excesso de memória.

tá me levando um tempo demorado ler capítulos sobre a ditadura.
aliás eu tenho estudado muito demoradamente. essas baixas no ciclo e essas enxaquecas ou coisas parecidas têm um efeito meio prolongado, de se irem pelos dias.
tenho que inventar um fôlego. minha vida só tem sentido no estudo, por enquanto.

sábado, 8 de julho de 2017

~

um estágio depressivo em que você fica puto quando dá vontade de ir ao banheiro e você precisa sair da cama por causa disso.
segura ao máximo.

~

2017 tá sendo bem traumático.
o que me dá uma tristeza por me fazer pensar no meu despreparo emocional para coisas teoricamente simples. teoricamente simples.

~

terminei marcando o psiquiatra. mas ele tá de recesso e vai levar alguns dias até a consulta. até lá vejo se vou mesmo.
a psicóloga sugeriu por duas sessões seguidas, então vamos ver.

~

a minha autoestima antes era baixa aí ficou a zero aí ficou negativa aí não sei se recupera mais.

~

dois "compromissos" sociais no mesmo dia,
ainda pensando se vou aos dois por motivo de evitar a fadiga emocional da interação social.
é difícil antecipar quando interagir vai ser melhor e quando vai ser pior.

passei um café pra decidir mas não tive sucesso nisso (de decidir, porque o café ficou bom).

~

tv saiu do ar e há dias anunciam possível tempestade em natal, que nunca vem.

espero que venha sol durante a semana,
mais banho de mar.
mais.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

no caso

amanheceu sol hoje e deu pra ir na feira e deu pra ir na praia, pra um mergulho e depois água de coco.
tava um dia bonito real. meio plácido e meio parado. a cor da água levemente prateada, antes das nove da manhã.

foi bom.

~

negócio que sigo sem entender é a real necessidade da mentira "não estou em um bom momento pra isso agora etc" e pouco tempo depois a pessoa aparece de boas em um relacionamento. vejo isso acontecer direto. tão direto.
dói menos dizer a verdade duma vez. mentir assim num antes faz doer uma vez e uma próxima, mais à frente. com mágoa, ainda por cima.

~
acho que as meninas vão vir aqui mais tarde comer pizza e falar tudos e nadas.
tô dum jeito que é um grande tanto faz ser semana ou fim de semana, sair ou não sair, sair e beber ou sair e ficar sóbria. segue tudo meio sem sentido, e meio sem disposição emocional pra esse tudo.
parece que estou num tempo em suspenso, uma letargia que não acompanha nada nem ninguém. o mundo avança e eu fico. ou nem isso.

~
quase terminando "as meninas". sigo impressionada com o romance.

"O chato é que quando leio um livro sobre doenças mentais, descubro em mim os sintomas de quase todas."

"Tem que sofrer, merda. Beber querosene e gasolina porque é assim que se firma uma estrutura, penso."

"Lorena também faz o gênero concha mas gosta de ar."


que imagem. faz o gênero concha mas gosta de ar. ~

quinta-feira, 6 de julho de 2017

há vários dias sem meditar.

fico pensando

que as decisões peremptórias ao longo do processo depressivo acontecem não quando não se sente coisas boas no presente,
mas quando se tem a certeza de que nunca haverá de sentir coisas boas novamente, num futuro.
não é bem o que se sente no presente, mas o que consegue esperar quanto ao futuro.

~
amanhã tem consulta com psicóloga de novo. a segunda da semana.

tenho chegado à conclusão de que eu na terapia sou o esforço contínuo de racionalizar e provar para um outro o quão estou certa sobre ideias erradas que tenho sobre mim mesma.
é um boicote risível.
não faz o menor sentido.

há um tempo atrás minha terapeuta me confessou que ficava tensa antes da minha sessão.
não sei se isso ainda permanece.

~

fato bom dos últimos dias foi que depois de ter empreendido busca pelo "apanhador no campo de centeio", pra relê-lo, encontrei hoje no sebo do mercado petrópolis um box do salinger. com esse livro e mais dois. me saiu por 50 reais. eu não vou ler os outros dois agora nem tão cedo, mas achei bom negócio. fiquei feliz com o achado - que inclusive tinha chegado há poucos dias ao sebo, a senhora me disse.

tem umas coincidências que me encorajam a interpretá-las como bons sinais, bom presságio, etc.
quem sabe essa foi uma.

~
vou tentar terminar "as meninas" hoje e passar pro próximo livro da heloneida, que, sim, chegou via correio,
e ler o salinger ao mesmo tempo.

eu li o apanhador durante a adolescência e lembro que me modificou brutalmente, de um jeito que não sei muito bem explicar. talvez eu tenha me visto muito no personagem e talvez eu tenha lido muitas descrições sobre coisas que sentia e pensava na época, e que ainda devo pensar e sentir igual,
e isso foi em certa medida revolucionário naquele instante.
como se eu tivesse identificado melhor um lugar meu no mundo, um lugar deslocado, difícil, mas um lugar.
é um livro muito despretensioso, pelo que me lembro,
e talvez por isso gigante no significado.

espero que seja bom relê-lo.

~

mainha viajou para brasília sem data de volta.
parece ser fundamental a solidão nesse momento do ano e da vida,
mas torna tudo mais difícil também.
importante e difícil.

tem dias que

só eu sei o esforço que se precisa
pra continuar existindo. pra tentar ficar bem.

~
a psicóloga tangenciou um possível retorno à medicação e eu comentei que meu termômetro era o parar de se levantar da cama pra tomar banho. não cheguei lá e espero não chegar.
mas tem dias que sinto uma exaustão emocional tão absurda que começo a achar que talvez essa seja uma boa ideia.
é péssimo psicotrópico,
é péssimo ter que falar de sintomas e causas de sintomas a uma nova pessoa que não sei sinceramente até que ponto se importa com esses sintomas (preconceito que tenho de psiquiatra),
mas talvez.

talvez.

~
tem dias que tudo tem significado nenhum.

terça-feira, 4 de julho de 2017

ontem hoje

numas mais de 48 horas sem usar whatsapp ou internet no celular.
já tinha "fechado" o instagram novamente,
e agora essa evitação.

numa tentativa meio que última de tentar manter alguma sanidade, de tentar sentir menos ansiedade e menos humor deprimido.

tem dias que
é muito sem significado continuar por aqui. mesmo que isso soe covarde de se dizer, obsceno em algum sentido, inclusive. errado.
mas tem dias que dá pra desligar algumas ideias e pesares e ficar por aqui confiando num algo.
oscila.
e se fechar em conchas às vezes é meio infantil mas brandamente necessário.

~

brandamente, aliás, é um advérbio que gosto.
brando, eu gosto.
brandura, também.

~

acho que amanhã ligo o whats. acho que amanhã tento tudo de novo.
antecipei a consulta com a psicóloga.

~

segunda-feira, 3 de julho de 2017

as meninas

- Rodei este ano. Faltas. Tranquei a matrícula. 
- Muito bem, muito bem. E o livro? Disseram-me que tem um livro quase pronto. Segundo a informação, trata-se de um romance, não?
- Rasguei tudo, entende - disse ela soprando a fumaça na minha cara. - O mar de livros inúteis já transbordou. Ora, ficção. Quem é que está se importando com isso. 

~

Morre de pena de todo mundo. Vai ver, morreu também de pena de mim quando disse que rasguei tudo. Não é uma forma de esconder seu sentimento de superioridade? Ter pena dos outros não ´pe se sentir superior a esses outros? 

~

Mas por que minha cabeça tem que ser minha inimiga pomba. Só penso pensamento que me faz sofrer. Por que esta droga de cabeça tem tanto ódio de mim?

~

- Com você foi tudo alegre. Rico. Mas quando, pomba. Quero só o presente entrando no futuro-mais-que-perfeito, existe futuro-mais-que-perfeito? Se pudesse lavar por dentro minha cabeça. Com escova. Esfregar esfregar até sair sangue. 

~

Levo para a cama minha caixa com petrechos de unhas, tenho esta caixa sempre ao alcance. Assim que intuo as conversas líquidas e incertas, vou pegando minha lixa e tesourinha para não perder tempo. Com isso, minhas unhas andam tratadíssimas. 

~

- Não ficou mais quente? Reaprender a sorrir, Pedro. Reaprender a aguçar os punhais. E nitidez, nada de fumaças. Não faça o piedoso nem o sentimento porque aí você pode ferir muito mais. Afirmação. 

~

Puxo o cabelo de Pedro que está saindo da depressão com uma rapidez que me assusta. 

~

Abro a porta do edifício e uma rajada de chuva e vento me bate na cara, a chuva vem em rajadas. Rajada não é uma palavra boa mas de trás pra diante: adajar? Rosa levou uma adajar no peito fica menos grave. Corro até a esquina, chegamos juntos, Bugre e eu. O carro é da cor da noite. 




(trechos de "as meninas", romance de lygia fagundes telles)
elegi como momento crítico do ciclo depressivo só quando eu paro de tomar banho mesmo
até lá enquanto eu seguir viciada em banho e em sabonete jômsom pra mim tá tudo sob controle


ou quase

domingo, 2 de julho de 2017

link

how to narrate your life story ~ https://www.youtube.com/watch?v=Brpk26Oq4aE


até que ajuda, sim.
um amigo passou.
meu notebook quebrou; foi pro conserto,
minha mãe me emprestou o dela, a tecla "s" quebrou, então não dá pra usar plenamente,
no momento usando o desktop da casa com certo medo.

~
a enxaqueca foi embora depois de quase uma semana aqui.
foi uma crise punk real.

~
aparentemente desenvolvi ~~resistência~~ ao chá de camomila. agora só drogas mais pesadas pra dormir.

~
acho que vou dormir no quarto da minha mãe hoje.

<3 p="">
decisões que parecem simples mas que abrem buracos muito grandes, dores muito fortes.

~
já falei outra vez, mas repito porque repete,
o momento mais punk do ciclo depressivo é o dos dias em que existe uma certeza peremptória de que você nunca vai sentir felicidade de novo. uma exatidão de esperança nenhuma.
é de não se dar sequer vontade de morrer, porque a sensação é de que você não tá existindo mais, em lugar nenhum, ou de que o mundo não tá existindo mais.

quarta-feira, 28 de junho de 2017

novo de hilda

uma pesquisadora da ufms encontrou um poema até então desconhecido de hilda hilst, 


e o poema diz:

Fracassamos. Seremos os eterno fracassados.
Mas daqui a sete mil anos
abriremos as portas de todos
os claustros e lá nos encerraremos.
Seremos então os primeiros enclausurados
puros,
brancos,
mãos brancas, rosto branco
BRANCO - Ausência de amor.
Não haverá sinos em nossos campanários
(nem sinos, NEM AMOR)
qualquer luz em nossas celas
iluminará somente os livros
de quotidiana meditação.
Fomos improdutivos. Fomos estéreis.
Naufragamos no mar da compreensão.
Prostituímos ternamente as cousas
que só nós entenderíamos.
E nos tornamos eternos fracassados...
Não haverá sinos em nosso campanários
(nem sinos, NEM AMOR)
o tudo virou uma enxaqueca.

terça-feira, 27 de junho de 2017

~

doente de novo. 
acho que fazia alguns anos que eu não adoecia, e esse ano já foram duas vezes. 
tive uma dor de cabeça difícil ontem/hoje, e uma febre mais difícil ainda. acho que a última vez que eu tive febre, na vida, eu não tinha nem menstruado ainda. não lembrava como era ruim a sensação. 

já tô conseguindo existir de novo agora, mas esse mal estar atrapalha todo o plano e cronograma de estudo. acho que vou aproveitar pra só ler, hoje, porque provavelmente não vai rolar estudar, e vai trazer mais dor de cabeça. 

~
estou terminando o "você é minha mãe?", o quadrinho da alison bechdel, 
mas provavelmente vou reler uns pedaços assim que acabar. é muito denso e com muita intertextualidade. meu nível cognitivo não autoriza que eu só leia uma vez e entenda tudo.

comecei "as meninas", de lygia fagundes telles, e vou ler mais dele hoje. 
a forma de escrita desse romance é... deixa eu ver um adjetivo que não seja brega. não sei. eu ia dizer "fabulosa" ou "sensacional", ambos bregas. mas é o que me vem. 
depois transcrevo uns trechos aqui. 

~

comecei a ver o ep01 de "bates motel", achei pesado e desisti. 
vi o ep01 de "cara gente branca", achei ok e desisti. 

fiquei muito exigente depois de "please like me" e "the handmaid's tale". 

domingo, 25 de junho de 2017

:O

comentei com um amigo sobre esse quadrinho que tô lendo e gostando, o "você é minha mãe?", de alison bechdel.
ele não conhece a obra nem a autora, mas perguntou se ela é a autora associada ao teste bechdel.

eu não fazia ideia do que era isso:
em um quadrinho de alison da década de 70, ela põe uma personagem que diz que só assiste a filmes que satisfazem esses três requisitos: ter pelo menos duas mulheres; elas conversarem uma com a outra; sobre algo que não seja homem.

alison bechdel dá o crédito da ideia desse teste a uma amiga dela, liz wallace.


eu não fazia ideia de que esse teste existia.

tem até esse site com lista de filmes que satisfazem e não satisfazem os critérios do teste: http://bechdeltest.com/

e o teste tem sido aplicado a outras mídias também, como quadrinhos e video games.


quinta-feira, 22 de junho de 2017

(y)

o conforto e o estranhamento simultâneos de escrever diário num blog que não tem leitores.

é bom mas sintomático.



~e me sinto bastante com 13 anos de idade quando releio o que escrevo pelos dias.

:

com MUITA raiva (mentira to nao sei ter raiva nao) que ontem entrei no site pra preencher o formulário e reservar ingresso pra orquestra próxima quarta,
já tinha acabado o primeiro lote.
aí lá vou eu pra fila uma hora antes de abrir a bilheteria, próxima quarta-feira.

~
retorno à incapacidade de sentir raiva.

~
uma certa pena da minha terapeuta nessa sexta-feira,
que essa semana foi emocionalmente difícil, pesada, com retorno a estágios apáticos demais e difíceis de "mexer".
uma volta a um estágio em que pareço não me ajudar de propósito,
quando na verdade só estou sem conseguir isso mesmo.


~
acho que amanhã vou estudar só gramática.

~
desenrolei o outro trabalho longo/difícil de uma das disciplinas do doutorado,
vou fazer algo mais simples.
então talvez eu pegue uma semana aí direto só estudando pro concurso.

coloquei um aviso na minha porta "estudando, por favor não fale comigo", que na livre interpretação da minha mãe é "entra aí fica conversando aqui comigo por favor de preferência sobre coisas não importantes".

~
meu emocional precisa me ajudar.
uns dias muito punks que se passaram.

hoje

terminei um dos trabalhos finais das disciplinas de doutorado desse semestre. já enviado.
faltam só dois, que são enormes, ehhe.
um desses dois acho que vou modificar a proposta, e fazer algo que se aproveite pro trabalho que vou apresentar no congresso em agosto. já que é a disciplina justo de literatura comparada e ensino, vou comparar os dois contos da ditadura (o trabalho do congresso é esse). são os contos "o pelotão", de sérgio sant'anna, e "o general está pintando", de hermilo borba filho.

eu ia fazer algo mais complexo sobre personagens femininos, já aproveitando pra minha tese,
mas acho que não tenho bagagem ainda. e como tô estudando pra esse concurso, e ainda tem a disciplina sobre machado de assis, o trabalho pra fazer, no caso, não vou dar conta de fazer coisas boas.
e pra esse trabalho final da disciplina de machado tenho de reler dois dos romances!

~
meio confuso conciliar estudos pro doutorado e estudos pro concurso.
bom que eu gosto dos dois.
não é tão cansativo quanto estudar algo que não gosta.

~
ainda é muito desafiador organizar as ideias pro doutorado, estudar e sentir que me aproprio das teorias. tudo muito abstrato. é difícil "compartimentalizar", colocar as coisas em gavetas cognitivas. sei lá.
em psicologia isso era mais possível, eu acho.

~
conviver com bebês é um alívio pra sintomas depressivos.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

~

tem um momento aparentemente muito definidor do ciclo depressivo e difícil de convencer o outro de que ele é real sem parecer muito extremista, muito infantil ou carente de atenção,
que é uma convicção muito peremptória de que você não vai se sentir feliz novamente,
em nenhum momento daqui em diante.
é impossível racionalizar isso pra explicar como se chega até esse lugar/tempo,
e também é impossível racionalizar de modo a desmistificar, desfazer, e ir para um estágio mais esperançoso.
a referência parece boba mas me lembra muito a alusão feita em harry potter sobre a presença dos dementadores: você sente como se não fosse ser feliz nunca mais, se sente sem nenhuma esperança.

é bem pior que a apatia porque nela se sente pouco o tudo.
nesse estágio não existe o desespero nem iniciativa de nenhum tipo (boa ou ruim), mas a convicção é muito certa.
evidente que se o ciclo se esvair, se não tiver um fim ruim, se não ficar "pra sempre", essa convicção é revertida. mas enquanto ela permanece, enquanto está estabelecida, é algo fixo, até imanente,
e desaconselhável de conversar sobre.
as interpretações podem ser erradas, podem ajudar pouco.

quer dizer

sua mãe quer que você passe num concurso (ela só fala nisso)
você tá estudando pro concurso
ela não para de interromper
música clássica me dá uma certa angústia, às vezes.
outras vezes me dá muita angústia.

aparentemente, encontrei um erro conceitual importante no livro de fiorin explicando bakhtin.
ele inverte os conceitos de forças centrífugas e forças centrípetas da linguagem, em um momento apenas. depois "se contradiz", ou seja, fala o conceito corretamente.
mas mandei um e-mail pro professor, antes de escrever pro próprio fiorin. (tô pensando em fazer isso sim, já que é um conceito importante e complicado estar explicado de forma invertida; nem todo mundo percebe, ainda mais que o livro é ajudando a entender bakhtin).

na página 135, fiorin fala assim:
"a epopeia é a expressão das forças centrífugas que agem sobre a linguagem e, por isso, é monológica. o romance é a materialização das forças centrípetas e, por isso, é dialógico."
mas o inverso é o verdadeiro.

tanto que na página 138 ele enfatiza os conceitos:
"nas línguas, como já se disse, atuam forças centrípetas e centrífugas. aquelas buscam o fechamento, a unidade, a homogeneidade; estas, a abertura, a diversidade, a heterogeneidade. aquelas aspiram ao monologismo, estas buscam desvelar o dialogismo constitutivo."

~

preciso mandar apertar meus óculos.

~

comecei a ler o quadrinho "você é minha mãe?", de alison bechdel.
tô gostando do estilo.
ela lê e entende e comenta muito de psicanálise, de winnicott, de freud, e mais,
e isso só me lembra que eu deveria ler e entender e comentar com facilidade sobre esses assuntos também.
sempre que o assunto psicanálise surge as pessoas olham pra mim como se eu soubesse tudo sobre.
eu não faço a menor ideia de nada.

estável e não novo

insônia bem difícil 
um corpo quase besuntado de reparil, dores em diferentes lugares
gengivas sangrando novamente
menstruação antecipando não parando quase nunca

e uma baixa já estável no ciclo. 
senti umas dores no peito esquerdo também. mas acho que foi o esforço em respirar fundo com a dor nas costas.

~
o mais difícil da dor nas costas é que não consigo passar gelol/reparil sozinha, ou fazer compressa de gelo.
e massagem ou deitar no chão nem me adianta muito.

~
sonhei com gatos (três) querendo me atacar. e eu tenho um medo real de gatos. pra mim, eles podem atacar qualquer pessoa sem motivo aparente, e fazer um estrago real com dentes e unhas. 
era meio difícil. 
e as pessoas não acreditavam que eles iam fazer nada comigo, mas eu tinha certeza. 

segunda-feira, 19 de junho de 2017

genial

no meu carro tem um cd de música clássica que o professor de latim deu a todos os alunos no último dia de aula de língua latina II (era também o último dia dele antes da aposentadoria compulsória),
acho que vou providenciar um DISC MAN pra ouvi-lo na biblioteca, estudando, tentando concentrar.




:)

mais de pardal


Parei, o coração sufocado. Tinha vontade de exorcizá-la: vai pras profundas, bruaca velha. Os seios murchos, os olhos cegos, a boca desdentada, os ovários secos, mas sempre chamando e esperando. Ela me provava a existência real dessa raça de mulheres que não se esquecem, que se agarram a uma ternura desesperada e sem futuro. E eu temia encontrar nela a minha imagem, e mevia dali a sessenta anos, voltando para todos os lados a minha cabeça de lagartixa velha: "João, ô João". 


~
- Marina, dizem que João está muito doente. 
- Não, é só um panarício - respondi. - Na caixa dos alfenins, eu vou lhe levando umas aspirinas. 
- Ele gostava de vir aqui às quintas-feiras - disse Açucena docemente. 
Louco por doces, João se sentava num tamborete ao lado do fogão e ajudava-a a fazer o puxa-puxa. Os fios brancos e viscosos do alfenim se esticavam entre as suas mãos, de uma palma a outra - clara sanfona. E ele mesmo ficava com cheiro de calda queimada. Eu sempre identificava aquele aroma com o do meu amor: nem suor nem esperma, apenas o odor inocente do açúcar. 

~

- Ele não deu um pio, mas ficou com as vistas molhadas. A bem dizer, os olhos choraram sozinhos.


(o pardal é um pássaro azul,
heloneida studart,
1978)

~

consegui uma sequência de horas na biblioteca setorial hoje, sem adormecer, já que era de tarde.
mas foi bem difícil de concentração hoje. até porque tava bem cheio lá.

jurei que ia estudar mais quando chegasse em casa, e tava disposta, realmente, mas papai veio aqui e ficamos pela sala até mais tarde. e agora tô semporsento apática e já com fome de novo.
mas acho que vou terminar de sublinhar umas coisas no romance de heloneida que tô relendo, prum trabalho final de disciplina do doutorado.

~
praticamente de férias de aulas.
mas há trabalhos finais trabalhosos a entregar.
no doutorado, acabam as aulas, e os prazos de entregar trabalhos são quase até o início do próximo semestre :O

~
saí do trabalho.
não dava pra conciliar mais a graduação com doutorado com concurso com editora.
mas ainda tem dois projetos da editora que tenho que ir até o fim.

~
significa também que não estou aceitando frilas de revisão até fim de setembro.
(como se bombassem na minha caixa de entrada)

~
ontem fiz cookies
mas dessa vez não ficaram tão bons.

também assisti "adultos inexperientes" na netflix. gostei. :p
(é "na netflix" ou "no netflix"?)

~
hoje de manhã tinha quase ninguém no supermercado, foi ótimo,
(devia ta todo mundo na biblioteca setorial já)

domingo, 18 de junho de 2017

vdc

passei parte considerável do meu domingo organizando um horário de estudo de meses pra um concurso;
o mais desesperador é que eu provavelmente não vou conseguir seguir, porque nunca consegui cumprir horários de estudo,
e vale dizer que eu fiquei cognitiva e emocionalmente cansada quando terminei.

"terminei".

certeza que vou fazer um monte de ajustes ainda.
mas já deu pra organizar bastante coisa.
fui digitar no medium.com um texto que escrevi manuscrito ontem
meudeusdocéu
eu preciso parar de escrever.
tá muito ruim o negócio.

segue sem melhora.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

hoje

sigo me esforçando pra parecer erudita até que um dia eu chegue ao ponto de realmente ser.
fui assistir a um recital de piano na escola de música hoje.

na volta vim ouvindo anitta, despacito e maroon 5. na rádio.

~

amanhã tenho a intenção real de tomar banho de mar,
mas parece que chuva vem.

~

mais raiva hoje.


e amanhã nem tem academia aberta pra usar o saco de pancadas.

~

tomando chá de erva doce comendo cookies assistindo punky.

terça-feira, 13 de junho de 2017

memorial de aires

17 de maio
vou ficar em casa uns quatro ou cinco dias, não para descansar, porque eu não faço nada, mas para não ver nem ouvir ninguém, a não ser o meu criado josé. este mesmo, se cumprir, mandá-lo-ei à tijuca, a ver se eu lá estou. já acho mais quem me aborreça do que quem me agrade, e creio que esta proporção não é obra dos outros, é só minha exclusivamente. velhice esfalfa. 



18 de maio
rita escreveu-me pedindo informações de um leiloeiro. parece-me caçoada. que sei eu de leiloeiros nem de leilões? quando eu morrer podem vender em particular o pouco que deixo, com abatimento ou sem ele, e a minha pele com o resto; não é nova, não é bela, não é fina, mas sempre dará para algum tambor ou pandeiro rústico. não é preciso chamar um leiloeiro. 
vou responder isto mesmo à mana rita, acrescentando algumas notícias que trouxe da rua, - a carta do tristão, por exemplo, os agradecimentos do barão à filha, e esta grande peta: que a viúva resolveu casar comigo... mas não; se lhe digo isto, ela não me crê, ri, e vem cá logo. justamente o que não desejo. preciso de me lavar da companhia dos outros, ainda mesmo dela, apesar de gostar dela. mando-lhe só dizer que o leiloeiro morreu; provavelmente ainda vive, mas há de morrer algum dia. 



(narrador conselheiro aires,
livro memorial de aires,
por machado de assis)

segunda-feira, 12 de junho de 2017

mais heloneida studart

uma frase dela que consta nesse artigo sobre sua produção artística e também política:

A família toda passava as férias numa casa de praia em Iguape. No caminho parava num boteco pé-de-chinelo para tomar café com broa onde tinha um cartaz na porta: "Mulher aqui só diz três coisas: 'Xô, galinha', 'Entra, menino' e 'Sim, senhor'". Fiquei muito impressionada com isso. Outra frase que me deixou profundamente revoltada era de minha tia solteirona: "Heloneida, fique certa que mulher não tem querer". Eu tinha 7 anos e resolvi que ia passar a minha vida mostrando que mulher tinha querer sim!

~

~

escrever em blog que não tem leitor é a sensação de falar muito sozinha sendo isso considerado bastante saudável.
(que eu considero que seja mesmo.)

o pardal é um pássaro azul 02

esse romance de heloneida faz parte, junto com outros dois publicados por ela entre 70 e 80, do que ela mesma chama de trilogia da tortura. nesse daqui, o personagem de joão é preso por pichar nos muros da cidade que "o pardal é um pássaro azul". sua prima marina é apaixonada por ele, mas recolhe-se nisso, porque joão é homossexual e só a corresponde com amizade.
ela visita-o semanalmente na cadeia, e tenta ao máximo a melhor articulação para que ele saia logo da prisão.

apesar desse plot, o livro é muito permeado pelo discurso sobre o patriarcado, o universo feminino, a sociedade machista nordestina (o romance se passa no ceará, estado da autora), os preceitos cristãos e morais que envolvem o papel social da mulher, etc. na minha primeira leitura, isso ficou muito mais forte do que qualquer menção à ditadura militar, à tortura, às injustiças cometidas contra civis por militares naquela época.

uns trechos,

- dalva ou eu poderíamos nos encarregar do discurso de agradecimento, mas em nossa família mulher não falava em público: "mulher não tem querer", dizia vó menina. "nem negro, nem pobre". (p. 13) 

- quando eu quis ingressar na faculdade para fazer o curso de biblioteconomia, mamãe me suplicou, com lágrimas nos olhos: - minha filha, não vá estudar, roçando perna com homem... afaste de mim esse cálice. (p. 22)

- antes, vó menina comandara uma campanha vitoriosa contra o meretrício, ajudada por padre jacinto e pelo jornal católico a trombeta. fora ela que conseguira retirar as prostitutas dos seus sobrados com placa na porta, para atirá-las a um bairro de casinhas baixas na praia, onde viviam azucrinadas pelo vento excessivo e pelos apitos dos navios. (p. 27)

- - não tem lelê nem loló. só ouço aqui a opinião de minha neta marina, que é como eu, farinha do mesmo saco. não usa tinta na cara, não dá faniquito, nem corre atrás de homem. que é que você acha, marina?

o pardal é um pássaro azul

Até hoje não sei como o amor começou. No tempo em que eu vivia trancafiada na biblioteca municipal, roendo letra de livro, gostava de inventar teorias sobre isso. Hoje, não sei. Está tudo ligado a um sonho que me surgiu quando eu andava pelos dezoito anos. Eu estava subindo uma das dunas de Jaçanã, um daqueles morros de areia fina e frisada, onde João e eu costumávamos rolar, aos trambolhões, montados em palhas de coqueiro. No topo, sério e triste, ele parecia esperar alguém. Ao me ver, retirou a mão direita do pulso como quem retira uma luva - e me entregou aquele fragmento sangrento. Eu recuei, tremendo, querendo recusar, Uma mão era muito pouco, uma palma dessangrada, dedos magros, um despojo funéreo. Mas ele insistia, com tanta tristeza, com tanta gravidade - Você não me quer mais bem, Calunguinha? -, e eu lhe via as cartilagens descobertas do pulso mutilado. Acabei aceitando a mão. Soluçava e queria atirar-me em seus braços. Amava-o. Quando acordei o amor não passou mais, já não espero que passe.


(pág. 17)
(romance de heloneida studart)
(1975)
já três vezes em dez dias que sonho com banho de mar no pé do morro do careca.

quinta-feira preciso resolver isso.

~
também quinta-feira preciso resolver a vontade de assistir à mulher maravilha.
não tô fazendo uso da meia entrada com minha carteira de estudante.

agora

meus amigos nesse momento em suas casas próprias cozinhando jantares comemorando o dia dos namorados falando em filhos e política brasileira ou móveis novos pro apartamento.

eu estou comendo cuscuz enquanto assisto a punky a levada da breca.


achei coerente.
e tá tudo bem.

domingo, 11 de junho de 2017

hj

"laerte-se" é um documentário lindo. despretensioso e inteligente, igual a ela.

eliza me recomendou o "she's beautiful when she's angry", sobre feminismo. vou assistir logo que der.

~
não tenho dor de cabeça por excesso de cafeína,
mas estou com dor de cabeça por excesso (duas canecas) de chá de camomila.
e nenhum sono apesar de tarde, apesar de ter que acordar logo cedo amanhã.

~
acho que "little broken hearts" é o melhor disco de norah jones.
ouvir pra escrever é ótimo.

~
fez dois anos que lancei meu segundo livro. "em fim, nós".
penso se minha escrita evoluiu alguma coisa de lá pra cá.
acho que só ficou diferente. não necessariamente evoluindo.

~
parei de novo de tocar violão.
sem ânimo outra vez.

eu deveria pelo menos imprimir novas cifras e deixar lá.

~
paradoxalmente
quase decidida a tatuar um violão.

identificar adeuses

sempre fui ruim nisso, pelo menos até hoje tenho sido bem ruim nisso,
em lidar com fins, identificar fins, adeuses, aceitá-los, não questionar e só lamentar. demoro excessivamente pra entender o que acontece e por quê. fico um tempo ainda mais excessivo no por quê. tento interpretar os sinais e eles dizem coisas contrárias.
não sei se isso é mais particular ou genérico, mas não acho que a gente seja muito preparado pra isso. pra lidar com fins. especialmente pros fins que são fracasso. eu lido bem com fracassos de vários tipos, mas esse ainda não.
e aí demora a se perceber e entender que vezes várias é necessário ouvir a despedida sem que ninguém efetivamente o faça,
sentir fins que não se colocam claramente mas que se anunciam mesmo assim.
e deixar de lado pra conseguir seguir em frente. ou pelo menos tentar.
conseguir já não dá pra prever.

mas muito doloroso ainda.

brigitte

a brigitte bardot está se desmanchando
e os nossos sonhos querem pedir divórcio.
pelo mundo inteiro
milhões e milhões de sonhos
querem também pedir divórcio
e a brigitte bardot agora
está ficando triste e sozinha.

será que algum rapaz de vinte anos
vai telefonar
na hora exata em que ela estiver 
com vontade de se suicidar?


(tom zé - brigitte bardot)

fin de

- terminei de ler "o pardal é um pássaro azul"
- ainda não terminei "esaú e jacó"
- não comecei "as meninas"
- mas comecei "dinâmica de bruto", um quadrinho que aureliano me emprestou ontem
- consegui baixar legenda pra um episódio de the handmaid's tale sozinha
- consegui baixar um episódio de the handmaid's com legenda
- já assisti a eles
- comprei livros pro doutorado na estante virtual (três de heloneida studart), e eu tava enrolando nisso faz tempo
- comprei a senha pruma festa dia 24 de junho (também tava enrolando nisso) :p
- tive uma ideia ok pro trabalho final de uma disciplina, que é pra levar quarta-feira, acho que já dá pra começar a escrever hoje
- fiz inscrição prum edital de bolsas, consegui mandar toda a documentação hoje.


acho que tá sendo produtivo o fim de semana, uns 73% produtivo :)

semana

tomando com urgência decisões que são antigas.


fingindo que não havia se decidido ainda, mas a decisão já estava clara há bastante tempo.
uma precisou ser efetivada,
a outra bastou ficar clara dentro da minha cabeça, sem atitudes de depois. as circunstâncias nem pedem.

a do tipo I aliviou e deixou tudo melhor,
a do tipo II aliviou sem fazer bem, necessariamente.

mas segue o baile do tô mal mas tá tudo bem.

~


um banho frio pra lavar o cabelo e tom zé pra tocar mais vez.
daqui a pouco meditar e chá.
~
:(((

sexta-feira, 9 de junho de 2017

carta de recomendação

faz dias que meu orientador demora pra me mandar uma carta de recomendação, sempre com e-mails "vou mandar, amanhã, depois de amanhã, etc", e até agora nada.
deve estar procurando elogios cabíveis pra me recomendar a alguém sem se passar por muito mentiroso.

não o culpo.

fim de,

terminar de ler esaú e jacó,
terminar o pardal é um pássaro azul,
começar memorial de ayres,
começar as meninas, de lygia fagundes telles,


conseguir ser uma independente digital e me esforçar pra fazer as coisas sozinhas no computador.
hoje tive de pedir novos favores. :|

história

uma das coisas que me arrependo um pouco todos os dias é de não ter estudo muito história, tanto no colégio como hoje em dia. acho que é uma disciplina que a gente deveria ler sempre, estudar sempre, mesmo que com pouca dedicação, mas estudar sempre.
história tem muito detalhe e muito movimento em todas as épocas, em todos os espaços. é difícil guardar tudo. e é preciso relembrar esse tudo pra compreender qualquer espaço-e-tempo.
dá trabalho.

é impossível fazer uma pesquisa sobre a literatura na ditadura sem estudar história profundamente. e é difícil estudar história por si só, sem aulas, para atingir esse nível de profundidade. para conseguir uma compreensão satisfatória. porque as informações sempre em detalhes e sempre em texto se perdem na memória pouca.

acho que meu horário de estudo amanhã, o de depois da psicóloga, vou usar pra isso. e vou acrescentar mais horários ao longo da semana pra estudar só história, principalmente brasil e américa latina.
a gente estuda quase nada de história da américa latina na escola,
e agora eu querendo estudar a literatura nas ditaduras, pensando em várias coisas, sinto falta disso porque faço zero ideias de um tudo que aconteceu por lá.

semestre que vem ainda terei matrícula da graduação (último semestre), e acho que vou tentar alguma disciplina em história, se tiver algo parecido com isso que preciso. faz falta.
saber história faz falta (sempre).

quinta-feira, 8 de junho de 2017

a incapacidade de climatizar o quarto
abre fecha a porta
abre fecha a janela
liga desliga o ventilador
se ficar frio* vai dar sono se ficar quente não concentra pra estudar etc



*sinto frio em natal
quatro banhos por dia
numa média boa. :)
o último sempre morno
antes de meditar e tomar chá,
~

talvez um pouco de tom zé, mas tenho páginas acadêmicas a escrever com urgência média.

quarta-feira, 7 de junho de 2017

querer

mais tempo livre pra voltar pro pilates e voltar a estudar alemão.

mesmo que fosse pouco de cada,
ia ser tão bom.

~

uma bolsa de doutorado e eu resolvia 200% das confusões práticas que tenho hoje, de horários e vontades.


~

agora e daqui a pouco: ouvir norah jones e tentar escrever.

hojes

fim de tarde / início de noite segue sendo melhor horário possível pra estudar na biblioteca,
principalmente na setorial.
problema mesmo é só a setorial ser longe de café, mas ok.

~

preciso urgente dum hd externo (faz anos que preciso urgente de um)

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quase terminando o livro "o pardal é um pássaro azul", de heloneida studart;
ele fica bem atrás do "torturador em romaria", o terceiro da trilogia da tortura. não é tão bom não.
tenho de comprar, de novo, o "estandarte da agonia", que se perdeu nesse tempo de greve do correio. acho que não vou nem atrás, porque foi muito barato, e sinceramente depois de uma greve dessas, acho difícil que eu consiga rastrear e ter o livro comigo.
além disso, tenho que comprar um novo exemplar de "torturador em romaria", que veio uma edição faltando trinta páginas! (já disse isso aqui)

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um curso no senac que instrumentalize o download de séries, filmes e legendas.

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tá sendo uma semana bem produtiva, surpreendentemente. hoje dei conta de várias coisas finais do estágio e do trabalho, também.
não sei até quando vou conseguir conciliar trabalho com doutorado e com graduação, já que semestre que vem eu pago estágio III e IV.
já tomei uma decisão na minha cabeça mas na vida prática a decisão não cabe agora.
aí ser adulto parece que é isso.

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ser adulto também inclui se programar de ir no supermercado comprar biscoito passatempo, que acabou por aqui hoje.

terça-feira, 6 de junho de 2017

de novo

depois de alguns ciclos repetidos e repetitivos fica mais simples antecipar quando uma baixa no humor acontece de novo. não fica mais fácil de enfrentar, na verdade fica até mais cansativo, mas pelo menos não existe mais o susto.
fico me perguntando até quando isso vai se acontecer,
fico me perguntando até quando eu vou conseguir antecipar,
até quando eu aguento o lidar só com a ajuda de mim mesma e da terapia.
mas cada antecipação me faz lembrar como já estou cansada, também, do ciclo querer se instalar e eu me esforçar pra impedir. parece que o esforço é inclusive físico. eu sinto um peso concreto por dentro do peito, quase toda vez.
e nessa contradição de, cada vez mais, tornar-se mais ciente de todas as etapas do processo, mais senhor de si e ciente do próprio ciclo, também ficam as energias cada vez menores e se esgotando mais rápido.
uma baixa bem pequena já dá muita vazão à apatia e à vontade de solidão. a uma desistência antecipada, um boicote.

fico fazendo planos de ir logo morar sozinha e me pergunto se isso vai ser bom, até que ponto pode ser bom,
sigo acreditando que sim. talvez importante me programar mais objetivamente pra isso. é pelo menos um plano que movimenta o sentido dos dias.

~

talvez sejam necessários mais banhos de mar e mais minutos de meditação,
e treinar mais e pensar menos.
talvez seja necessário pensar um pouco menos, pra sentir um pouco menos.
a questão é efetivar esse objetivo. pensar de menos.

~

escrever criativamente tem feito falta, mas parece que ando vazia demais pra isso, sem ideias, sem ponto de partida.
o cansaço atingiu esse lugar que era mais meu antes.
e tem tanto escritor fazendo sua parte, já, que me deixo ficar aqui em 2003 no blog diário.

li e não lembro de nada (se amostrando)

não lembro de tudo ou não lembro de quase nada ou não lembro de nada mesmo,

- do amor e outros demônios (gabriel garcía márquez)
- famílias terrivelmente felizes (marçal aquino)
- o filho da mãe (bernardo carvalho)
- the preacher (garth ennis)
- sandman (neil gaiman)
- monstro do pântano (alan moore)
- Y, o último homem (brian k. vaughan)
- o filho de mil homens (valter hugo mãe)
- memórias de minhas putas tristes (gabriel garcía márquez)
- sargento getúlio (joão ubaldo ribeiro)



e deve ter bem mais.

sérios problemas de memória e/ou falta de atenção, e, o pior deles, falta de vergonha na cara de dizer que "li, mas não lembro de nada, mas esse livro é massa" etc.

menina a caminho

"Piedade pra tua mulher, Zeca, piedade!"

"Quem é que te ofendeu?" "Quem é que me ofendeu?"

Deitada de bruços no chão do quarto, os braços avançados além da cabeça, os punhos fechados em duas pedras, a costureira recebe as cintadas c'uma expressão dura e calada, só um tremor contido do corpo seguindo ao baque de cada golpe. Sua boca geme num momento:

"Corno" diz ela de repente, de um jeito puxado, rouco, entre dentes. 

O Zeca Cigano endoidece, o couro sobe e desce mais violento, vergastando inclusive o rosto da mulher. Uma, duas vezes. 

A vizinha se atira contra ele: 

"Você está louco, Zeca? Piedade! Piedade! Piedade!" suplica aos gritos, mas é repelida c'um safanão no peito. 

A mão já no ar, o Zeca Cigano prende o novo golpe, vendo com súbito espanto a boca da mulher que sangra. Encolhida na parede, a vizinha afunda a mão pelo decote e puxa o terço, correndo as contas com os dedos trêmulos enquanto chora. O silêncio ali no quarto suspende por um instante o gemido das crianças na saleta. O suor escorre no pescoço do Zeca Cigano, no torso nu e nos músculos fortes do braço. Atira a cinta num canto, deixa o quarto, passa pela saleta, atravessa a cozinha e pára no patamar da escadinha, voltado de frente pro quintal, o barracão abandonado nos fundos.

Sentada, os pés empoleirados na travessa da cadeira, o irmão pequeno choramingando no colo, a menina observa o pai no patamar, de costas, as mãos na mureta, a cabeça tão caída que nem fosse a cabeça de um enforcado. A menina também vigia os movimentos da vizinha se agitando da cozinha pro quarto, aplicando emplastros de salmoura nos vergões da mãe deitada. 

Quando a casa se acalma, a vizinha deixa o quarto encostando a porta com cuidado. Na saleta, ergue do chão o pirralho sem calça, envolve-o no colo, toma pela mão a menina mais nova, procura ainda pela menina mais velha, mas a porta do banheiro está trancada. Não espera e sai com as duas crianças pela porta da frente. 

No banheiro, a menina se levanta da privada, os olhos pregados no espelho de barbear do pai, guarnecido com moldura barata, como as de quadro de santo. Puxa o caixote, sobe em cima, desengancha o espelho da parede, deitando-o em seguida no chão de cimento. Acocora-se sobre o espelho como se sentasse num penico, a calcinha numa das mãos, e vê, sem compreender, o seu sexo emoldurado. Acaricia-o demoradamente com a ponta do dedo, os olhos sempre cheios de espanto. 

A menina sai do banheiro, anda pela casa em silêncio, não se atreve a entrar no quarto da mãe. 

Deixa a casa e vai pra rua, brincar com as crianças da vizinha da frente. 



final do conto "menina a caminho", de raduan nassar.

creep

~
i want you to notice
when i'm not around
you're so fucking special
i wish i was special

...

whatever makes you happy
whatever you want
so fucking special
i wish i was special

but i'm a creep
i'm a weirdo
what the hell am i doing here?
i don't belong here
i don't belong here

~

:)

julio disse que meu blog é isso aqui https://www.youtube.com/watch?v=DZD8ShKdaac&spfreload=5


porém faltando os patrocínios.

~

um excesso de roupas cinzas
até a lingerie tem sido cinza também.

~

um nível de dependência que na terça tô pensando na terapia que é só sexta.
mas acho isso mais saudável que toda segunda reclamar que é segunda e toda sexta comemorar que é sexta dizendo "sextou".

~

um certo vício em lavar louça, tomar banho, e lavar o cabelo.

segunda-feira, 5 de junho de 2017

som da chuva pra meditar.


e uma raiva que vez em quando eu deveria me permitir sentir.

hoje

hoje gastei horas longas e cognição demais tentando escrever e-mails em inglês e organizando alguns documentos acadêmicos.
quer dizer
os oitenta anos de ccaa e as quatro semanas naquela escola cara em dublin foi só meu pai gastando dinheiro comigo mesmo, 
que meu inglês serve pra nada quando preciso dele. 

~

recebi mais um trabalho de revisão pra antes de ontem, 
que o que pensam do revisor é que ele só faz isso mesmo da vida e taí pra revisar tudo pra semana passada e entregar bem bonito. 
mas tá. 
espero que o frila se pague rápido, pelo menos. 

~

sexta passada foi bom, bem bom, estudar na biblioteca, 
consegui ter alguns insights e boas ideias enquanto lia e estudava. anotei. organizei. mandei e-mail pro orientador. (gastei um tempo nisso também hoje, mas pelo menos meu orientador fala português). 

~
eu tinha uma viagem esse fim do mês pra alemanha, 
agora desmarcada já que era uma lua de noivado de um noivado que não existe mais. 
faz falta não ter uma viagem em vista, porque antes dessa eu tinha me preparado um bom tempo pra passar um mês em berlim, e antes de berlim eu tinha tido outras viagens que levaram tempo de preparação também. montevidéu. dublin.
por ora só me preparo pra ir pra brasília ver a sobrinha que nasce mês que vem, 
mas fico cogitando novas viagens pra planejar e ir. 
espero que essas longas horas de e-mail em inglês rendam isso. quem sabe. 

~
meu livro tá inscrito no prêmio oceanos de literatura. 
não custa nada sonhar, né. 

estou há alguns dias sem meditar e já ficando ansiosa novamente. 
precisa colocar as coisas no lugar pra voltar pro eixo equilibrado de tô-mal-mas-tá-tudo-bem. 


acho que sigo assim - e por ora, olhando pra trás, isso é algo a comemorar.

sexta-feira, 2 de junho de 2017

mikhail

Se não se pode estudar a literatura isolada de toda a cultura de uma época, é ainda mais nocivo fechar o fenômeno literário apenas na época de sua criação, em sua chamada atualidade. (...) Quando tentamos interpretar e explicar uma obra apenas a partir das condições de sua época, apenas das condições da época mais próxima, nunca penetramos nas profundezas dos seus sentidos. (...) As obras dissolvem as fronteiras da sua época, vivem nos séculos, isto é, no grande tempo, e além disso levam frequentemente uma vida mais intensiva e plena que em sua atualidade. 


(...) uma obra não pode viver nos séculos futuros se não re´´une em si, de certo modo, os séculos passados. Se ela nascesse toda e integralmente hoje (isto é, em sua atualidade), não desse continuidade ao passado e não mantivesse com ele um vínculo substancial, não poderia viver no futuro. Tudo o que pertence apenas ao presente morre juntamente com ele. 




(Mikhail Bakhtin, Os estudos literários hoje - Resposta a uma pergunta da revista Novi Mir)
Texto dos anos 1970.
Fizeram uma pergunta e em resposta ele escreveu um ensaio.

E o que ele chama de ensaio na verdade são LIVROS hoje publicados pela editora 34.
~

quinta-feira, 1 de junho de 2017

leio meus posts e sigo impressionada o quanto ainda sou adolescente.
meu deus do céu.

bom mesmo

é estudar sem horário pra terminar nem relógio por perto nem gente em casa.

só tô muito lenta, ainda, demorando muito pra ler/anotar pouca coisa. e termino achando que tenho que repetir aquele texto outras vezes pra poder considerar que sei, de verdade, sobre aquilo.
ainda mais com bakhtin.
antonio candido, então, vou querer ler o mesmo livro umas quinze vezes, pra ficar mais crente de que sei.

a eficiência do estudo ainda não tá tão grande, mas a disposição e vontades estão. acho que vai melhorar. :)
ainda me sinto meio perdida em estudar tanta coisa tão abstrata, que são as teorias literárias, a crítica literária, não era pra eu estar nessa vibe ainda, depois de meses dentro do doutorado. espero ter isso bem resolvido, comigo, até julho no máximo. detesto essa sensação contínua de 'sou tão abestalhada que não consigo entender muito bem nenhuma teoria literária ainda, coitada de mim etc'.

espero que role uma bolsa, também, em breve. tem chance de aparecer nova cota a partir de julho.

~

acho que prefiro ouvir symphony x versão estúdio a ouvir versão ao vivo.

~

comendo lactose e passando mal
(de parabéns).

mas meditando praticamente todos os dias.
e esse fim de semana vai ter praia e banho de mar,
:)

no que fica

hoje no estágio, que faço/fiz roda de leitura com adolescentes cumprindo medida socioeducativa,
lemos "feliz ano novo", de rubem fonseca, e conversamos em seguida.
hoje só tinham dois meninos; normalmente são quatro.
mas foi bem bom.

foi uma experiência massa, o estágio.
fiz só cinco encontros com eles, cinco rodas de leitura,
lemos wander piroli, anna zêpa, victor rodrigues, cidade de deus, rubem fonseca,
e também assistimos a vídeos de slam e de racionais.

eu sempre fui com pouca expectativa porque sei que literatura, numa primeira vista, é pouco atraente, e sei que as pessoas são mais frequentemente tímidas do que extrovertidas, especialmente em contextos assim.
eles falavam pouco, mas falavam,
diziam pouco de si, mas diziam,
chegaram a comparar contos e se indignar com trechos de histórias.
também deu pra falar abertamente de violência, marginalização, homossexualidade, policiais, drogas, duma forma aparentemente superficial mas que confio que, só por ter acontecido, já foi grande.

é possível que eu fique sem esperanças algum dia, mas ainda acredito muito na arte e na literatura,
no que elas podem fazer pelas pessoas, pela educação, pelo mundo.
é brega mas é verdade.
:)
dois dias consecutivos que tento pegar um ingresso pra apresentação gratuita da orquestra e não consigo.
tentei ser culta porém não foi possível

segue a vida no netflix.

~
a propósito, assisti a cinco episódios de the handmaid's tale,
e que série massa. me pego pensando nela algumas vezes durante o dia.
rende muita reflexão. mais reflexão que discussão. (sim, eu separo essas duas coisas. e acho bem saudável essa separação.)
um estado psicológico resumido a tô mal mas tá tudo bem,
uma vida resumida a doutorado e kung fu.

quarta-feira, 31 de maio de 2017

ainda sobre leituras

e pra completar, já entrei há um tempo naquele estágio da vida e do curso de letras (especialmente no estágio da vida do estudante de letras) em que me cobro quase que diariamente sobre leitura de clássicos.
não li a ilíada
não li a odisseia
não li CAMÕES
(todos esses li trechos, óbvio, estudei, etc, mas não li a obra integralmente)

não li a divina comédia
não li DOM QUIXOTE
não li ulysses (talvez nunca leia esse)
não li jorge luis borges (li uns contos em ficções, semana passada, e achei dificílimo. dificílimo.)
não li marx
não li sartre
li pouquíssima mitologia grega
nunca li SHAKESPEARE (tendo ido inclusive ao google confirmar como escreve o nome dele)


enfim,
por que continuo existindo e dizendo que faço doutorado em literatura eu não sei.
eu deveria ter vergonha real disso.

e tenho.

leituras

estou lendo ao mesmo tempo, teoricamente, esses:
- um pássaro azul (heloneida studart)
- esaú e jacó (machado de assis)
- cidade de deus (paulo lins)
- literatura e sociedade (antonio candido)
- ditadura e democracia no brasil (d. aarão reis)


está na fila urgente de leituras urgentes, misturando literatura e teoria literária:
- as meninas (lygia fagundes telles)
- orlando (virginia wolf)
- os estandartes da agonia (heloneida studart) (mas provavelmente o correio extraviou)
- tropical sol da liberdade (ana maria machado)
- não verás país nenhum (ignácio de loyola brandão)
- aulas de literatura (cortázar)
- como se faz uma tese (umberto eco)
- introdução ao pensamento de bakhtin (fiorin)
- o discurso e a cidade (antonio candido)
- o mal estar na civilização (freud)



uma lista nada virginiana nada responsável nada apresentável
difícil de lidar.

hoje

acho que symphony x é melhor pra minha concentração do que música clássica.

symphony x é uma banda que eu ouvia muito numa época em que eu estudava muito (sim, ensino fundamental e médio), tipo, por várias horas seguidas, sem parar. meu sonho é voltar a isso.
*sempre acho podre quando me vejo dizendo "meu sonho etc"

tem rolado um pouco, até, estudar mais.
tem melhorado.
acho que seria relativamente saudável transformar isso numa ideia fixa, se é que a expressão "ideia fixa" pode ser saudável de alguma forma, mas tem uma forma na minha cabeça que é, sim, e é nela que estou pensando.

estudar é bom sempre, mas é preciso convencer o nosso corpo e as nossas emoções ao mesmo tempo, organizar isso, pra que o estudo dê certo, e o mais difícil tá aí, o mais impossível tá aí.
quase um nirvana esse estado. (pf)

~~

quase cinco anos depois de me formar em psicologia, comprei o primeiro livro de freud da minha vida hoje.
mal estar da civilização.
VAMOS VER se vou ler, né, ele e os 385328 livros que tenho de ler num período de vida em que não cabem todos esses livros. mas enfim.

hoje em dia tenho mais curiosidade e vontade de estudar psicologia do que na época em que fiz psicologia.
estou bem a fim de ler esses teóricos mais pesados, principalmente freud, lacan, heidegger, sartre, e vygotsky. acho que principalmente esses. (nenhum ser humano normal leria todos esses nomes com a facilidade que eu enuncio aqui, como se fosse ler três jorge amado e dois antonio prata; e eu, que tenho concentração e capacidade cognitiva diminuídas, estou aqui supondo capacidade pra tal.)

acho que uma parte enorme das matérias de ciências humanas exige uma maturidade de leitura (?) pra poder entendê-las. não sei. mas parece muito inverossímil entender freud aos 18, entrando no curso de psicologia. mas totalmente coerente lê-lo aos 27, depois de um percurso de formação leitora - em literatura mesmo, não precisa ser em psicologia ou algum curso das ciências humanas.
talvez porque essas teorias exijam uma abstração muito radical, na maior parte das vezes. e aos 18, aos 21, tudo ainda é muito concreto e imediato. pensar filosoficamente parece quase impossível.


o livro é pequeno,
e eu pretendo ler real.
juro que vou tentar.

~~

pulsão

há alguns dias que eu penso que lembro que sou alguém muito incapaz de sentir raiva. muito. eu não sinto. tem muita situação que provoca raiva em todo mundo, que acontece diretamente comigo e deveria me provocar raiva, mas isso não acontece. não tomei tanto psicotrópico na vida pra ter um efeito em longo prazo como esse. nem acho que meu sistema límbico seja anormal.
deve ser uma defesa.
nessa onda de "não sinta raiva pois quem experimenta algo ruim é você blabla" eu despretensiosamente virei a gótica e abandonei meu direito de me indignar com o que possam considerar besteira. a raiva começa assim, consideram besteira o que te deixa puto e isso te deixa ainda mais puto e com mais direito de ter raiva. acho coerente, inclusive. sigam fazendo isso.

e nessa sintonia bizarra, termina que júlio me manda hoje esse link, https://beauvoriana.wordpress.com/2017/05/31/sobre-uma-raiva-que-eu-estou-sentindo/
sem sequer saber que eu andava pensando nessas questões.
logo em seguida comecei a falar ininterruptamente por tudo que eu vinha pensando e sentindo em relação a isso, e ele só respondeu que não fazia a mínima ideia de tudo. só mandou o texto por mandar. e não por sentir, a quilômetros de distância, o que eu vinha passando ou sentindo.
acontece.

planejei separar esse link e levar pra minha psicóloga sexta-feira e debater com ela o porquê de eu não conseguir sentir raiva de nada nem de ninguém; canalizar tudo pra uma melancolia que beira o ridículo, muitas vezes.
não deu tempo.
aconteceu um acontecimento (!!!) hoje muito besta, muito pequeno, mas que pra mim foi mais prum desastre, tá sendo,
e minutos depois me vi esmurrando a parede do banheiro.

:)))
finalmente.



ainda tô sentindo essa coisa ruim, porque, de fato, sentir a raiva faz permanecer o sentimento de revolta em você, somente em você,
mas acho que é/foi importante sentir simplesmente por experimentar isso. colocar e deixar de fora. (mesmo raciocínio de escrever algo "pesado" mas escrever e apenas deixar-lá.)

não foi nem tá sendo necessariamente bom, mas pelo menos importante acho que sim.
é uma pulsão necessária. uma pulsão que faltava. que ainda falta, acho.

talvez eu fique melancólica de novo logo talvez eu fique ansiosa talvez eu tome mais um banho sem necessidade e lave louças excessivamente e arrume a casa sem parar e fique sem conseguir expulsar sentimentos necessários por pura vergonha ou defesa,
mas espero que não haja um recalque prum sempre.

não é bom sentir raiva, mas achar que não tem o direito de tê-la é muito pior.

urgentemente

é preciso voltar a ouvir symphony x
e tristania

por que eu parei não sei

lê-se

hoje eu precisei faltar a aula da tarde (mas estava no mahalila às 17h30, pois, adulta madura colocando lazer como prioridade) porque fui buscar mamãe na rodoviária (trajeto novo impossível de fazer pois não há placas 'rodoviária'), PORÉM fiz o dever de casa que era ler dois contos: menina a caminho, de raduan nassar; menina sem palavra, de mia couto.
já tinha lido os dois,
pois tenho os dois livros,
e já li raduan porque, enfim, merece post à parte depois, mas ele é uma das escritas mais fascinantes na literatura brasileira contemporânea, tenho certeza,
e li esse de mia couto porque ganhei o livro de presente e me dei uma chance.

nunca gostei muito de mia couto, todas as vezes que li. não compraria um livro dele, mas não evitaria lê-lo se estivesse ao meu alcance ou muito menos deixaria de assistir a uma palestra com ele. eu tendo a ser bem insistente com escritas que não gosto, porque bem sinceramente não me acho no direito de dizer que acho algo "ruim", ou de julgar de jeito parecido. no máximo digo que não gosto. mas até nisso me sinto mal.
aula passada questionei o professor por que ele gostava tanto de mia couto. era só pra saber as razões mesmo; eu não quis confrontar nem me convencer.

continuo sem gostar e isso me deixa até meio triste, porque me sinto meio pedante com isso. afinal ele é internacionalmente reconhecido como escritor, e como bom escritor. quero justificar meu preconceito e revertê-lo, mas, enfim, foi difícil, pra mim, ler esse conto de quatro páginas hoje.
nas vezes que li o autor, fiquei com a ideia de ler boas histórias, no sentido do conteúdo; histórias criativas, bonitas, muitas, com sensibilidade e sentimentos bem impressos. isso é real nele. mas acho que o bicho exagera muito no poético, na forma em detrimento do conteúdo, no neologismo, e chega a ser tudo muito forçado pra mim. gosto do que é mais despretensioso - em todos os aspectos possíveis.
mas vou seguir lendo outras coisas dele.
pode ser processo.


~~

por falar em poético e brega e em não gostar de algo que lê,
nos últimos meses tenho escrito com alta frequência no medium.com,
e a ideia de que quanto mais você escreve, melhor você escreve, não tá funcionando muito pra mim nesse período. o exercício não tem melhorado minha escrita, acho. tô achando tudo meio ruim, brega demais, piegas demais. talvez seja o caso exceção de se dar um tempo e voltar a escrever num depois.
até porque tenho esperança real de terminar o romance que comecei.


~~

esaú e jacó começa massa e segue massa mas de repente fica excessivamente arrastado e difícil de dar sequência.
eu queria dormir, mas tenho de terminar o livro nas próximas horas.

terça-feira, 30 de maio de 2017

segunda-feira, 29 de maio de 2017

sigo sem entender a quantidade de visualizações que tem o meu blog.
deve ser muito cheio de problema o contador desse blogger. mddscéu.
eu preciso aprender a cozinhar.

esaú e jacó e palavras

comecei a ler esaú e jacó hoje, pra disciplina de quarta-feira, dos romances de machado de assis.
tô gostando mais do que gostei de brás cubas, quando li na primeira vez. acho que brás cubas dá um ranço depois dum tempo; porque quase todo mundo que gosta de literatura fica gozando quando fala desse livro, e isso me dá um certo abuso. eu gosto mais de dom casmurro mesmo. e talvez de esaú e jacó também, que ainda não terminei.

a melhor parte dessa disciplina tem sido aprender vocabulário, na real. desde a leitura do primeiro romance de machado (ressurreição), que anoto e noto alguns termos da literatura da época e/ou da literatura de machado.
algumas coisas se repetem bastante.
"garbo" e "donaire", sinônimos de elegância. "garbo" eu acho bem bonita, inclusive.
"mãos nas algibeiras das calças" sempre tem.
"muxoxo", que acho horrível.
"vexar-se" que também acho um verbo feio.

do que li hoje anotei algumas.

azinhavrar é verbo pra enxovalhar, manchar.
airoso é o que parece bem, elegante, gentil, esbelto.
óbolo é mesmo que esmola; espórtula é o mesmo que gorjeta. as duas palavras são feias: óbolo; espórtula.
sufragar quer dizer aprovar ou favorecer, mas me soa como um sentido totalmente contrário.
espraiar quer dizer exatamente estender pela praia!
lobrigar é ver a custo, entrever. entrever é muito mais bonita que lobrigar.
e remoque: mesmo que insinuação indireta. remoque é legal.

também achei bonito quando li "abrochado por um beijo", quando o personagem dava um abraço desse modo na esposa. abrochar é mesmo que fechar com broche, abotoar. o termo é feio, mas gostei dele na frase.
"fala branda" é outra expressão que acho bonita.
e "bracejar" é um verbo bonito também.


ainda segue a leitura.

links e só

encontrei hoje dois links, no twitter, que não pude ler de todo ainda, mas que vou deixar aqui caso não termine de ver hoje e deixe prum depois.

essas sete entrevistas com escritores, no programa roda viva: http://homoliteratus.com/7-entrevistas-de-escritores-no-roda-viva-que-todos-deveriam-ver/
senti falta de uma escritora mulher, aí.
e sinceramente não faço questão de ver a do paulo coelho.
nem a do vargas llosa, que tenho um preconceito por saber que ele é bem de direita. mas, enfim, devo ver também depois.

esse compêndio de escritores e suas manias, no blog do michel laub: https://michellaub.wordpress.com/category/escritores-e-manias/
comecei a ler, mas tem muito ainda.
me pergunto por que as pessoas são tão curiosas sobre hábitos e manias de escrita dos escritores, se essa pergunta sempre parte de pessoas que também gostariam de escrever. no meu caso, deve ser por isso.
vez por outra me pergunto se eu gostaria de ter a escrita como algo mais profissional, se deveria me dedicar a essa tentativa. ainda não tive resposta.
sempre que leio links assim ou vou a festivais literários me dá essa vontade maior, de me dedicar a uma atividade que de fato me nomeie "escritora". eu às vezes sou classificada assim mas não é como me sinto. não tenho a escrita como algo profissional nem muito sério. pra mim não é trabalho. é conversa e capricho.
sigo me perguntando se um dia vou querer que seja ofício.
às vezes dá vontade.

~

minha mãe foi para joão pessoa sexta e deveria ter voltado ontem, mas desde ontem chove muito por lá e por cá, e aí ela decide não vir.
é um pouco desolador ficar sozinha tanto tempo. mas parece mais questão de aprendizado que hábito construído. talvez seja exatamente isso que tô precisando agora. aprender a ficar e estar sozinha. o momento meio que pede isso. ou exige.
e começo de julho minha mãe vai a brasília sem passagem de volta (!), porque minha sobrinha nasce. vou tá de férias e nesse intensivo de aprender a estar sozinha por aqui.

espero que boas coisas aconteçam até lá :)
por enquanto tô aprendendo e curtindo silêncios.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

há tempo

não sei se parece tanto, mas acho que tem dado pra dar um break real na ansiedade.
não sei se tanto muito (sim, eu falei tanto muito) pela meditação e kung fu, mas mais pela convicção concreta de que não consigo controlar o que mais quero resolver no presente. não controlo. não decido. só me exijo manter uma postura "correta" e tentar manter uma tranquilidade absoluta, generalizada, por assim dizer.
não sei se consigo me fazer explicar muito menos me fazer entender. mas compreendo o momento dessa forma.
(apesar de ter falado "não sei" três vezes em poucas linhas.)

parece mais um processo de aprender a lidar com uma nova pessoa, eu mesma, mas totalmente diferente nesse agora. eu não entendo meus comportamentos nem sei muito como lidar com eles. nem esperar nem prever.
é difícil real ter ansiedade, talvez mais do que ter humor deprimido, arrisco dizer (já que só eu leio o blog, né, posso arriscar a dizer muita coisa).

o agora é muito diferente do que o que eu queria estar ou ter, mas é o agora que tenho, então tenho de me ver com ele. tenho de me ver nele.
a ideia de se agarrar ao doutorado tá boa, tá se fixando, se é o que eu tenho e o que me tem, nem preciso de muito pra decidir por onde começar. :)

o resto eu vou lidando sem muita pressa - esse é o difícil, mas tem se tornado menos difícil. mais real.
na tentativa absoluta de ter calma e esperar. há tempo.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

futuro do presente ao mar

parece que agora me demoro aqui em excesso, de frente pra ele de novo, de frente pra esse horizonte conhecido meu. querem me tirar daqui às vezes, me perguntam se não mudo de cidade, se não mudo de ares, se não vou embora, e nem cogito. nem cogito nada. na verdade mal faço planos. sei que o concreto virá atrapalhar os planos esplêndidos para pôr no lugar soluções imediatas e drásticas e o que tiver de ser. escrota demais essa expressão, o que tiver de ser. acho covarde. mas sei que essa hora virá, esse tempo daí, esse futuro do futuro meio pra ontem, que me apressam. eu fico aqui e me demoro. finjo que ele não vem. fico de novo frente ao horizonte frente ao mar frente a esse azul que às vezes é claro às vezes é bem escuro às vezes é meio verde. a coisa mais bonita do mar talvez seja essa. ele é belíssimo e muda a cada dia. ele é belíssimo porque muda a cada dia. ele dá medo e abraça. ele dá medo enquanto abraça. grita e assopra a ferida recém aberta. me recebe e me abraça enquanto eu sou inteira uma ferida recém aberta. uma pele exposta muito franca muito rósea muito frágil e que até brilha um pouco, devido à nova pele.
agora penso num será, num será se estou me fazendo nova, e portanto esse novo agora em que me demoro tanto olhando em frente olhando o nada olhando pra dentro de mim — faço esses três ao mesmo tempo. só se pode fazer esses três ao mesmo tempo, digo, exijo.
me demoro.
e sinceramente penso se me consigo sair daqui. se me consigo levantar e pôr de volta a vida no lugar. pegar nos braços pegar no colo feito criança muito nova e arrumá-la para o dia. tenho dúvidas se consigo arrumar novamente a minha vida para o dia, para os dias. há mais desânimo e apatia que desespero, e sinceramente (outra vez) (na verdade num sempre) não sei qual fase pode ser melhor para mim, para o agora, para o futuro do presente. o que certamente virá.
se desespero busco em excesso e quero o resolver do tudo. aproximo corro peço refaço e, claro, erro em demasia. ansio. nem existe esse verbo, vejo que me corrige aqui. ansio. não? eu ansio, tu ansias, ele ansia. todos ansiosos no discurso. pois quando não desespero eu faço o oposto que a própria palavra anuncia: não espero. sem desespero não tenho espera nem esperança dum nada. sigo o baile que nem existe. mas não peno nem ansio nem fico insone nem choro largamente. choro silenciosamente. é um quadro que consola.
permaneço ainda aqui num tempo que já não sei quanto tempo faz. peço um tudo dando certo mal sabendo que tudo pode ser esse. repenso as decisões que tomei e mais ainda as que deixei prum depois. o pedido de volta e o tamanho atraso. o tamanho baque cara no chão. ainda dói excessivamente mas parece que as feridas expostas, a carne crua, a pele rósea, acostumaram-se ao agora e até me deixam em paz. mas ardem. e quando deito toda noite me lembram estarem ali, roçando nos lençóis que me lembram o quanto ainda vou só.
aí permaneço. aqui. mais só mais eu mais nada mais lugar sem espera enquanto se finge que vive e existe. enquanto se acredita em algo que nem se sabe sê-lo. confiante num futuro do presente que possa vir que possa me dizer o que fazer. se me levanto e pra onde vou. se penso demais nisso quase desespero. quase. o desespero parou de caber.
permaneço.
mar à frente areia pouca e tempo que penso infinito. talvez haja uma ressaca. um afogamento. um chamado. ou até mesmo um retorno ao concreto,
e uma sequência de mais movimento nesse futuro do presente que já vem.