quinta-feira, 30 de março de 2017

para ser de um jeito menos pesado

não era resolução, mas tem virado prática.

comecei a tentar meditar em janeiro, um mês confuso dentro da minha cabeça e do meu corpo inteiro, na verdade. eu vivo meio atrapalhada querendo que absolutamente tudo caminhe corretamente e dê certo, e seja tranquilo, e não doa tanto, porque aparentemente eu vivo farejando um sofrimento que tenho medo que me vença, e ele parece sempre perto, iminente, sempre disposto e me engolir e solapar. (será que dá pra falar assim, solapar) (parecem duas palavras, solapar)

a ideia é que eu consiga ficar literalmente mais leve, com pensamento de menos e neura de menos, e tensão menor também. que as ideias deslizem ao invés de me perturbar, que os sentimentos aconteçam mesmo quando forem ruins, mesmo quando for mais tristeza que felicidade que eu sinta.
a ideia é que eu consiga ser eu de um jeito menos pesado.

mas ter traços meio obsessivos e tentar se concentrar em não pensar em nada é absolutamente custoso. acho, até, que gente que consegue meditar (que consegue mesmo) é uma pessoa superior - em muitos aspectos. cognitivos, inclusive.

eu sento e presto atenção na respiração que aprendi lá no kung fu também: igual a um bebê, inflando a barriga quando inspira e jogando pra fora quando expira. se eu tiver aprendido certo, é assim, faço assim, tenho feito.

será que tá certo.

camila me disse que gosta de meditar colocando som de chuva, e eu tento. ela prefere com os olhos abertos, e eu tento.
todos os dias, quase, eu tento de um jeito ou de outro ou de todos e acho mesmo que melhoro uns zero vírgula cinco por cento de ansiedade. pelo menos para aquele dia.

ainda tenho insônia e falta de apetite às vezes e compulsão por organizar o que já está arrumado e medo absoluto quase pânico em ficar sozinha, e ainda sinto tristezas súbitas (e muitas vezes extremas), e me pergunto num recorde de centenas de vezes por minuto se as coisas vão dar certo, se eu mereço mesmo, se sou boa o suficiente para que as coisas boas aconteçam comigo.

parece não ter progresso nenhum, ainda, mas o zero vírgula cinco por cento por dia pode surtir um efeito lá na frente.

faço uma afirmação positiva, penso milhares de coisas positivas, repito que vai dar tudo certo, sim, ligo o som da chuva e concentro. respiro. desconcentro. respiro. e sigo acreditando quando fico um pouco menos pesada ao final de tudo.


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