segunda-feira, 27 de março de 2017

reverter o caminho e crença

eu era muito criança e não tinha irmão de idade próxima pra ser companhia nem mãe em espaço e tempo próximos para ser companhia também - alguém tinha de trabalhar,
me dei conta tarde bem tarde que era bastarda e isso nem doeu, mas parece que ampliou o círculo de vazio de gentes que existia ao meu redor - um círculo onde eu estava bem no centro,
fui crescendo sozinha demais sem saber que era sozinha pois mal me dava conta de sabê-lo e nem fui fácil, a maior parte do tempo,
quando me dei conta de que não era fácil, era meio tarde, eu já era tida como difícil demais, afastava demais todo mundo - pensei,

até hoje não sei se a ordem é bem essa e se tá tudo certo, mas desenvolvi a crença absoluta (religião) da absoluta (2x) rejeição, que é o mesmo que um egocentrismo maldito, um egocentrismo ruim para si próprio, um egocentrismo que só serve pra te botar pra baixo. falei egocentrismo três vezes, agora quatro, em agora quatro linhas.

o rejeitado egocêntrico acha que tudo de ruim que acontece é culpa exclusivamente sua, que as pessoas não o querem por perto, que ele não é bom o suficiente pra ninguém e ele fica se esforçando pra ser bom mais do que suficiente mas nunca é, porque ninguém é, e depois ele lida com depressões e ansiedades e faz muita terapia pra alguém dizer à eleela que o mundo não gira em torno dele e que as pessoas se afastam não porque o rejeitam, mas porque elas têm uma vida que gira em torno de outras coisas também.
ele finge que acredita e segue o baile.

dança.

Nenhum comentário: