quarta-feira, 5 de abril de 2017

ânsias,

alguns picos de ansiedade me dão uma vontade real de fumar, como se eu fosse fumante, como se eu fumasse sempre, sendo que nem uma coisa nem outra me acontecem, só a vontade incompreensível de acender um cigarro - talvez por acreditar que esse movimento vai me deixar menos tensa, vai me fazer respirar mais devagar já que vou ter de me concentrar em tragar e expulsar fumaças.

outros picos me transmitem a necessidade urgente de organizar toda a casa, começando pela louça da cozinha, passando pela área de serviço, terminando no meu quarto numa organização obsessivo-classificatória de todas as caixas e arquivos e na diminuição de roupas fora de uso que devem ser imediatamente doadas.

outros pedem que eu dirija à esmo pela cidade o máximo de tempo possível, imaginando que ao fazer isso eu consiga não pensar em muita coisa porque somente a ideia de estar em movimento produz a ilusão de que eu estou em movimento na vida, no sentido abstrato do negócio, e isso já me deixaria menos tensa porque comunica a mim e ao mundo de que estou fazendo algo e não somente parada sentindo ansiedade e desespero leve.

todos eles invariavelmente terminam comigo exausta, como se sentir a ansiedade cansasse como correr por horas, trabalhar por dias, passar mal enquanto se viaja de avião. concluo um ciclo curto desses escrevendo, e repetindo feito mantra por dentro da cabeça que vai-dar-tudo-certo.

adormeço e tenho insônia no meio da noite, antecipando em parcelas os picos que aparecerão no dia seguinte.

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