domingo, 16 de abril de 2017

elvira vigna 02

~ E o que há para acreditar é que vai dar tudo certo.

~Mais do que vizinhos acabaram amigos. Talvez mais do que amigos. Desses que nem precisam falar para se entenderem. 

~ Um ar que existe. 
Um ar com existência. 
(...) No sentido de ter uma presença. Denso. 

~ Depois de ter aprendido o que lhe faltava aprender, ali, do lado, no balcão, um sorriso doce e nenhuma pressa. 

~ O curso não é tanto de especialização como de desasnagem. Consideram todos que não venham de país rico como asnos que precisam aprender, não a especialização profissional, ou só ela. Mas aprender a viver. Por viver entendem gostar de beisebol, churrasco e terem uma espécie de atitude amistosa básica uns com outros, o que não é inclui, é claro, o diferente deles. No fim, é isso. Uma tentativa de tornar o funcionário oriundo do cu do mundo mais parecido com o que eles consideram uma pessoa legal: eles. 

~ E a novidade é o silêncio. Que, aliás, era o começo do resto todo. Nós e o próprio escritório tentando inventar os dias por causa de um silêncio. Agora ficávamos, os três, com o silêncio, mais presente, cada dia. 

~ Uma versão nossa de um futuro que tem volta. 

~ E ele fala e tenho vontade de dizer para ele calar a boca um instantinho porque eu precisava pensar. 

~ É a última.
Vem por cima de todas as outras. Lola incluída aí. Eu também. Nenhuma de nós de fato com uma existência separada. Só traços sobrepostos, confusos, não claros. Como se estivéssemos, todas nós, num palimpsesto. 

~ Um nada encaixotado, afinal. 

~ Ela fica bem na água. Tem s movimentos necessariamente elegantes e lentos de quem fica bem dentro de uma coisa densa, de um ar mais denso, ou da água. Lida bem com densidades. 

~ Um gerúndio que afinal termina. 



(do livro "como se estivéssemos em palimpsesto de putas")

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