sábado, 8 de abril de 2017

sol prateado

antes das  9h eu dirigia pro kung fu, na faixa do meio da prudente, e no cruzamento com a antônio basílio, do lado esquerdo, alguma coisa tinha feito o trânsito parar, e o guarda de trânsito já ajeitava o fluxo que estava lento dos dois lados. cheguei perto e vi um caminhão, desses de caçamba muito grande, batido num poste, que tinha pendido e, sinceramente, não lembro agora se caído atravessando a avenida ou se estava só torto. a frente do caminhão destruída. ninguém dentro. exatamente em cima do cruzamento, em cima dos "xis" amarelos dentro do quadrado amarelo que preenche todo o cruzado das duas avenidas, um corpo estendido, e um papel prateado por cima.



acho que foi uma das coisas mais tristes e assustadoras que eu já vi. pior do que algo sangrento ou de ferido muito grave. era tosco, era triste, era inverossímil, até. era frio e chocante. não sei explicar.
provavelmente tinha acabado de acontecer; não sei há quanto tempo ele estava estendido ali, mas a morte em si, tinha acabado de acontecer. não tinha ambulância nem carro do iml ainda. não tinha polícia. só os guardas de trânsito (que vêm de moto) chegaram a tempo de organizar algo.

leio a notícia e vejo que o caminhão atropelou esse motociclista. um homem de 53 anos, recém-morto, coberto por um papel prateado no começo de um sábado.

ainda parece tosco, inverossímil, absurdo. um papel de cor prata cobrindo cadáver no meio do asfalto.
num sábado de manhã.

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