quarta-feira, 31 de maio de 2017

ainda sobre leituras

e pra completar, já entrei há um tempo naquele estágio da vida e do curso de letras (especialmente no estágio da vida do estudante de letras) em que me cobro quase que diariamente sobre leitura de clássicos.
não li a ilíada
não li a odisseia
não li CAMÕES
(todos esses li trechos, óbvio, estudei, etc, mas não li a obra integralmente)

não li a divina comédia
não li DOM QUIXOTE
não li ulysses (talvez nunca leia esse)
não li jorge luis borges (li uns contos em ficções, semana passada, e achei dificílimo. dificílimo.)
não li marx
não li sartre
li pouquíssima mitologia grega
nunca li SHAKESPEARE (tendo ido inclusive ao google confirmar como escreve o nome dele)


enfim,
por que continuo existindo e dizendo que faço doutorado em literatura eu não sei.
eu deveria ter vergonha real disso.

e tenho.

leituras

estou lendo ao mesmo tempo, teoricamente, esses:
- um pássaro azul (heloneida studart)
- esaú e jacó (machado de assis)
- cidade de deus (paulo lins)
- literatura e sociedade (antonio candido)
- ditadura e democracia no brasil (d. aarão reis)


está na fila urgente de leituras urgentes, misturando literatura e teoria literária:
- as meninas (lygia fagundes telles)
- orlando (virginia wolf)
- os estandartes da agonia (heloneida studart) (mas provavelmente o correio extraviou)
- tropical sol da liberdade (ana maria machado)
- não verás país nenhum (ignácio de loyola brandão)
- aulas de literatura (cortázar)
- como se faz uma tese (umberto eco)
- introdução ao pensamento de bakhtin (fiorin)
- o discurso e a cidade (antonio candido)
- o mal estar na civilização (freud)



uma lista nada virginiana nada responsável nada apresentável
difícil de lidar.

hoje

acho que symphony x é melhor pra minha concentração do que música clássica.

symphony x é uma banda que eu ouvia muito numa época em que eu estudava muito (sim, ensino fundamental e médio), tipo, por várias horas seguidas, sem parar. meu sonho é voltar a isso.
*sempre acho podre quando me vejo dizendo "meu sonho etc"

tem rolado um pouco, até, estudar mais.
tem melhorado.
acho que seria relativamente saudável transformar isso numa ideia fixa, se é que a expressão "ideia fixa" pode ser saudável de alguma forma, mas tem uma forma na minha cabeça que é, sim, e é nela que estou pensando.

estudar é bom sempre, mas é preciso convencer o nosso corpo e as nossas emoções ao mesmo tempo, organizar isso, pra que o estudo dê certo, e o mais difícil tá aí, o mais impossível tá aí.
quase um nirvana esse estado. (pf)

~~

quase cinco anos depois de me formar em psicologia, comprei o primeiro livro de freud da minha vida hoje.
mal estar da civilização.
VAMOS VER se vou ler, né, ele e os 385328 livros que tenho de ler num período de vida em que não cabem todos esses livros. mas enfim.

hoje em dia tenho mais curiosidade e vontade de estudar psicologia do que na época em que fiz psicologia.
estou bem a fim de ler esses teóricos mais pesados, principalmente freud, lacan, heidegger, sartre, e vygotsky. acho que principalmente esses. (nenhum ser humano normal leria todos esses nomes com a facilidade que eu enuncio aqui, como se fosse ler três jorge amado e dois antonio prata; e eu, que tenho concentração e capacidade cognitiva diminuídas, estou aqui supondo capacidade pra tal.)

acho que uma parte enorme das matérias de ciências humanas exige uma maturidade de leitura (?) pra poder entendê-las. não sei. mas parece muito inverossímil entender freud aos 18, entrando no curso de psicologia. mas totalmente coerente lê-lo aos 27, depois de um percurso de formação leitora - em literatura mesmo, não precisa ser em psicologia ou algum curso das ciências humanas.
talvez porque essas teorias exijam uma abstração muito radical, na maior parte das vezes. e aos 18, aos 21, tudo ainda é muito concreto e imediato. pensar filosoficamente parece quase impossível.


o livro é pequeno,
e eu pretendo ler real.
juro que vou tentar.

~~

pulsão

há alguns dias que eu penso que lembro que sou alguém muito incapaz de sentir raiva. muito. eu não sinto. tem muita situação que provoca raiva em todo mundo, que acontece diretamente comigo e deveria me provocar raiva, mas isso não acontece. não tomei tanto psicotrópico na vida pra ter um efeito em longo prazo como esse. nem acho que meu sistema límbico seja anormal.
deve ser uma defesa.
nessa onda de "não sinta raiva pois quem experimenta algo ruim é você blabla" eu despretensiosamente virei a gótica e abandonei meu direito de me indignar com o que possam considerar besteira. a raiva começa assim, consideram besteira o que te deixa puto e isso te deixa ainda mais puto e com mais direito de ter raiva. acho coerente, inclusive. sigam fazendo isso.

e nessa sintonia bizarra, termina que júlio me manda hoje esse link, https://beauvoriana.wordpress.com/2017/05/31/sobre-uma-raiva-que-eu-estou-sentindo/
sem sequer saber que eu andava pensando nessas questões.
logo em seguida comecei a falar ininterruptamente por tudo que eu vinha pensando e sentindo em relação a isso, e ele só respondeu que não fazia a mínima ideia de tudo. só mandou o texto por mandar. e não por sentir, a quilômetros de distância, o que eu vinha passando ou sentindo.
acontece.

planejei separar esse link e levar pra minha psicóloga sexta-feira e debater com ela o porquê de eu não conseguir sentir raiva de nada nem de ninguém; canalizar tudo pra uma melancolia que beira o ridículo, muitas vezes.
não deu tempo.
aconteceu um acontecimento (!!!) hoje muito besta, muito pequeno, mas que pra mim foi mais prum desastre, tá sendo,
e minutos depois me vi esmurrando a parede do banheiro.

:)))
finalmente.



ainda tô sentindo essa coisa ruim, porque, de fato, sentir a raiva faz permanecer o sentimento de revolta em você, somente em você,
mas acho que é/foi importante sentir simplesmente por experimentar isso. colocar e deixar de fora. (mesmo raciocínio de escrever algo "pesado" mas escrever e apenas deixar-lá.)

não foi nem tá sendo necessariamente bom, mas pelo menos importante acho que sim.
é uma pulsão necessária. uma pulsão que faltava. que ainda falta, acho.

talvez eu fique melancólica de novo logo talvez eu fique ansiosa talvez eu tome mais um banho sem necessidade e lave louças excessivamente e arrume a casa sem parar e fique sem conseguir expulsar sentimentos necessários por pura vergonha ou defesa,
mas espero que não haja um recalque prum sempre.

não é bom sentir raiva, mas achar que não tem o direito de tê-la é muito pior.

urgentemente

é preciso voltar a ouvir symphony x
e tristania

por que eu parei não sei

lê-se

hoje eu precisei faltar a aula da tarde (mas estava no mahalila às 17h30, pois, adulta madura colocando lazer como prioridade) porque fui buscar mamãe na rodoviária (trajeto novo impossível de fazer pois não há placas 'rodoviária'), PORÉM fiz o dever de casa que era ler dois contos: menina a caminho, de raduan nassar; menina sem palavra, de mia couto.
já tinha lido os dois,
pois tenho os dois livros,
e já li raduan porque, enfim, merece post à parte depois, mas ele é uma das escritas mais fascinantes na literatura brasileira contemporânea, tenho certeza,
e li esse de mia couto porque ganhei o livro de presente e me dei uma chance.

nunca gostei muito de mia couto, todas as vezes que li. não compraria um livro dele, mas não evitaria lê-lo se estivesse ao meu alcance ou muito menos deixaria de assistir a uma palestra com ele. eu tendo a ser bem insistente com escritas que não gosto, porque bem sinceramente não me acho no direito de dizer que acho algo "ruim", ou de julgar de jeito parecido. no máximo digo que não gosto. mas até nisso me sinto mal.
aula passada questionei o professor por que ele gostava tanto de mia couto. era só pra saber as razões mesmo; eu não quis confrontar nem me convencer.

continuo sem gostar e isso me deixa até meio triste, porque me sinto meio pedante com isso. afinal ele é internacionalmente reconhecido como escritor, e como bom escritor. quero justificar meu preconceito e revertê-lo, mas, enfim, foi difícil, pra mim, ler esse conto de quatro páginas hoje.
nas vezes que li o autor, fiquei com a ideia de ler boas histórias, no sentido do conteúdo; histórias criativas, bonitas, muitas, com sensibilidade e sentimentos bem impressos. isso é real nele. mas acho que o bicho exagera muito no poético, na forma em detrimento do conteúdo, no neologismo, e chega a ser tudo muito forçado pra mim. gosto do que é mais despretensioso - em todos os aspectos possíveis.
mas vou seguir lendo outras coisas dele.
pode ser processo.


~~

por falar em poético e brega e em não gostar de algo que lê,
nos últimos meses tenho escrito com alta frequência no medium.com,
e a ideia de que quanto mais você escreve, melhor você escreve, não tá funcionando muito pra mim nesse período. o exercício não tem melhorado minha escrita, acho. tô achando tudo meio ruim, brega demais, piegas demais. talvez seja o caso exceção de se dar um tempo e voltar a escrever num depois.
até porque tenho esperança real de terminar o romance que comecei.


~~

esaú e jacó começa massa e segue massa mas de repente fica excessivamente arrastado e difícil de dar sequência.
eu queria dormir, mas tenho de terminar o livro nas próximas horas.

terça-feira, 30 de maio de 2017

segunda-feira, 29 de maio de 2017

sigo sem entender a quantidade de visualizações que tem o meu blog.
deve ser muito cheio de problema o contador desse blogger. mddscéu.
eu preciso aprender a cozinhar.

esaú e jacó e palavras

comecei a ler esaú e jacó hoje, pra disciplina de quarta-feira, dos romances de machado de assis.
tô gostando mais do que gostei de brás cubas, quando li na primeira vez. acho que brás cubas dá um ranço depois dum tempo; porque quase todo mundo que gosta de literatura fica gozando quando fala desse livro, e isso me dá um certo abuso. eu gosto mais de dom casmurro mesmo. e talvez de esaú e jacó também, que ainda não terminei.

a melhor parte dessa disciplina tem sido aprender vocabulário, na real. desde a leitura do primeiro romance de machado (ressurreição), que anoto e noto alguns termos da literatura da época e/ou da literatura de machado.
algumas coisas se repetem bastante.
"garbo" e "donaire", sinônimos de elegância. "garbo" eu acho bem bonita, inclusive.
"mãos nas algibeiras das calças" sempre tem.
"muxoxo", que acho horrível.
"vexar-se" que também acho um verbo feio.

do que li hoje anotei algumas.

azinhavrar é verbo pra enxovalhar, manchar.
airoso é o que parece bem, elegante, gentil, esbelto.
óbolo é mesmo que esmola; espórtula é o mesmo que gorjeta. as duas palavras são feias: óbolo; espórtula.
sufragar quer dizer aprovar ou favorecer, mas me soa como um sentido totalmente contrário.
espraiar quer dizer exatamente estender pela praia!
lobrigar é ver a custo, entrever. entrever é muito mais bonita que lobrigar.
e remoque: mesmo que insinuação indireta. remoque é legal.

também achei bonito quando li "abrochado por um beijo", quando o personagem dava um abraço desse modo na esposa. abrochar é mesmo que fechar com broche, abotoar. o termo é feio, mas gostei dele na frase.
"fala branda" é outra expressão que acho bonita.
e "bracejar" é um verbo bonito também.


ainda segue a leitura.

links e só

encontrei hoje dois links, no twitter, que não pude ler de todo ainda, mas que vou deixar aqui caso não termine de ver hoje e deixe prum depois.

essas sete entrevistas com escritores, no programa roda viva: http://homoliteratus.com/7-entrevistas-de-escritores-no-roda-viva-que-todos-deveriam-ver/
senti falta de uma escritora mulher, aí.
e sinceramente não faço questão de ver a do paulo coelho.
nem a do vargas llosa, que tenho um preconceito por saber que ele é bem de direita. mas, enfim, devo ver também depois.

esse compêndio de escritores e suas manias, no blog do michel laub: https://michellaub.wordpress.com/category/escritores-e-manias/
comecei a ler, mas tem muito ainda.
me pergunto por que as pessoas são tão curiosas sobre hábitos e manias de escrita dos escritores, se essa pergunta sempre parte de pessoas que também gostariam de escrever. no meu caso, deve ser por isso.
vez por outra me pergunto se eu gostaria de ter a escrita como algo mais profissional, se deveria me dedicar a essa tentativa. ainda não tive resposta.
sempre que leio links assim ou vou a festivais literários me dá essa vontade maior, de me dedicar a uma atividade que de fato me nomeie "escritora". eu às vezes sou classificada assim mas não é como me sinto. não tenho a escrita como algo profissional nem muito sério. pra mim não é trabalho. é conversa e capricho.
sigo me perguntando se um dia vou querer que seja ofício.
às vezes dá vontade.

~

minha mãe foi para joão pessoa sexta e deveria ter voltado ontem, mas desde ontem chove muito por lá e por cá, e aí ela decide não vir.
é um pouco desolador ficar sozinha tanto tempo. mas parece mais questão de aprendizado que hábito construído. talvez seja exatamente isso que tô precisando agora. aprender a ficar e estar sozinha. o momento meio que pede isso. ou exige.
e começo de julho minha mãe vai a brasília sem passagem de volta (!), porque minha sobrinha nasce. vou tá de férias e nesse intensivo de aprender a estar sozinha por aqui.

espero que boas coisas aconteçam até lá :)
por enquanto tô aprendendo e curtindo silêncios.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

há tempo

não sei se parece tanto, mas acho que tem dado pra dar um break real na ansiedade.
não sei se tanto muito (sim, eu falei tanto muito) pela meditação e kung fu, mas mais pela convicção concreta de que não consigo controlar o que mais quero resolver no presente. não controlo. não decido. só me exijo manter uma postura "correta" e tentar manter uma tranquilidade absoluta, generalizada, por assim dizer.
não sei se consigo me fazer explicar muito menos me fazer entender. mas compreendo o momento dessa forma.
(apesar de ter falado "não sei" três vezes em poucas linhas.)

parece mais um processo de aprender a lidar com uma nova pessoa, eu mesma, mas totalmente diferente nesse agora. eu não entendo meus comportamentos nem sei muito como lidar com eles. nem esperar nem prever.
é difícil real ter ansiedade, talvez mais do que ter humor deprimido, arrisco dizer (já que só eu leio o blog, né, posso arriscar a dizer muita coisa).

o agora é muito diferente do que o que eu queria estar ou ter, mas é o agora que tenho, então tenho de me ver com ele. tenho de me ver nele.
a ideia de se agarrar ao doutorado tá boa, tá se fixando, se é o que eu tenho e o que me tem, nem preciso de muito pra decidir por onde começar. :)

o resto eu vou lidando sem muita pressa - esse é o difícil, mas tem se tornado menos difícil. mais real.
na tentativa absoluta de ter calma e esperar. há tempo.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

futuro do presente ao mar

parece que agora me demoro aqui em excesso, de frente pra ele de novo, de frente pra esse horizonte conhecido meu. querem me tirar daqui às vezes, me perguntam se não mudo de cidade, se não mudo de ares, se não vou embora, e nem cogito. nem cogito nada. na verdade mal faço planos. sei que o concreto virá atrapalhar os planos esplêndidos para pôr no lugar soluções imediatas e drásticas e o que tiver de ser. escrota demais essa expressão, o que tiver de ser. acho covarde. mas sei que essa hora virá, esse tempo daí, esse futuro do futuro meio pra ontem, que me apressam. eu fico aqui e me demoro. finjo que ele não vem. fico de novo frente ao horizonte frente ao mar frente a esse azul que às vezes é claro às vezes é bem escuro às vezes é meio verde. a coisa mais bonita do mar talvez seja essa. ele é belíssimo e muda a cada dia. ele é belíssimo porque muda a cada dia. ele dá medo e abraça. ele dá medo enquanto abraça. grita e assopra a ferida recém aberta. me recebe e me abraça enquanto eu sou inteira uma ferida recém aberta. uma pele exposta muito franca muito rósea muito frágil e que até brilha um pouco, devido à nova pele.
agora penso num será, num será se estou me fazendo nova, e portanto esse novo agora em que me demoro tanto olhando em frente olhando o nada olhando pra dentro de mim — faço esses três ao mesmo tempo. só se pode fazer esses três ao mesmo tempo, digo, exijo.
me demoro.
e sinceramente penso se me consigo sair daqui. se me consigo levantar e pôr de volta a vida no lugar. pegar nos braços pegar no colo feito criança muito nova e arrumá-la para o dia. tenho dúvidas se consigo arrumar novamente a minha vida para o dia, para os dias. há mais desânimo e apatia que desespero, e sinceramente (outra vez) (na verdade num sempre) não sei qual fase pode ser melhor para mim, para o agora, para o futuro do presente. o que certamente virá.
se desespero busco em excesso e quero o resolver do tudo. aproximo corro peço refaço e, claro, erro em demasia. ansio. nem existe esse verbo, vejo que me corrige aqui. ansio. não? eu ansio, tu ansias, ele ansia. todos ansiosos no discurso. pois quando não desespero eu faço o oposto que a própria palavra anuncia: não espero. sem desespero não tenho espera nem esperança dum nada. sigo o baile que nem existe. mas não peno nem ansio nem fico insone nem choro largamente. choro silenciosamente. é um quadro que consola.
permaneço ainda aqui num tempo que já não sei quanto tempo faz. peço um tudo dando certo mal sabendo que tudo pode ser esse. repenso as decisões que tomei e mais ainda as que deixei prum depois. o pedido de volta e o tamanho atraso. o tamanho baque cara no chão. ainda dói excessivamente mas parece que as feridas expostas, a carne crua, a pele rósea, acostumaram-se ao agora e até me deixam em paz. mas ardem. e quando deito toda noite me lembram estarem ali, roçando nos lençóis que me lembram o quanto ainda vou só.
aí permaneço. aqui. mais só mais eu mais nada mais lugar sem espera enquanto se finge que vive e existe. enquanto se acredita em algo que nem se sabe sê-lo. confiante num futuro do presente que possa vir que possa me dizer o que fazer. se me levanto e pra onde vou. se penso demais nisso quase desespero. quase. o desespero parou de caber.
permaneço.
mar à frente areia pouca e tempo que penso infinito. talvez haja uma ressaca. um afogamento. um chamado. ou até mesmo um retorno ao concreto,
e uma sequência de mais movimento nesse futuro do presente que já vem.

terça-feira, 23 de maio de 2017

dom casmurro,

~ quis insistir que nada, mas não achei língua. Todo eu era olhos e coração, um coração que desta vez ia sair, com certeza, pela boca fora. 

~ Capitu, após duas voltas, foi ter com a mãe, que continuava à porta da casa deixando-nos a mim e ao pai encantados dela.

~ Capitu não parecia crer nem descrer, não parecia sequer ouvir; era uma figura de pau. 

~ Não disse mal dela; ao contrário, insinuou-me que podia vir a ser uma moça bonita. Eu, que já a achava lindíssima, bradaria que era a mais bela criatura do mundo, se o receio me não fizesse discreto. 

~ Os dedos roçavam na nuca e nas espáduas vestidas de chita, e a sensação era um deleite. Mas, enfim, os cabelos iam acabando por mais que eu os quisesse intermináveis. 

~ Assim, apanhados pela mãe, éramos dous e contrários, ela encobrindo com a palavra o que eu publicava pelo silêncio. 

~ Duas vezes fui à janela, esperando que ela fosse também, e ficássemos à vontade, sozinhos até acabar o mundo, se acabasse, mas Capitu não me apareceu. 

tento

o desafio da ansiedade/picoaltodeansiedade/humordeprimido/oscilaçãoabsurda é o exercício do "deixar as coisas acontecerem".
a tendência é se apegar excessivamente a tudo que possa dar certo, sempre se concentrando no que ainda não está certo. num desespero de estabilizar o tudo para que o humor fique estável também.

mas o caminho tem de ser inverso. ficar de humor estável e emoção estável e afeto estável (afeto consigo mesmo) pra que todo o resto fique.

os dois movimentos parecem praticamente impossíveis, seja o deixar-acontecer-sem-se-esforçar-no-controle, seja o ficar estável antes que o contexto fique estável por si só.

hoje amanhã esses dias essa semana

amanhã de manhã aula sobre dom casmurro e só agora passei da metade do livro;
à tarde aula sobre alguns ensaios de bakhtin que não li ainda;

quer dizer
essa sou eu tentando ser produtiva na semana.

~

hoje pela manhã fui ler um conto de borges, pra aula da tarde: "pierre menard, autor do quixote". tá no livro ficções. que, porra, é bem difícil. eu tinha a ilusão de que jorge luis borges era fácil, de que esse livro 'ficções' era fácil e facilmente incrível etc, porque sempre acho que os autores populares são fáceis de serem lidos, vide garcía márquez e saramago - e jorge amado e guimarães rosa, por exemplo. não são fáceis no sentido simplório, mas não são borges.

demorei muito tempo nesse conto, e não sei se vou ler o livro agora. peguei na biblioteca. acho que vou devolver mesmo.

~

no momento lendo nada por lazer/prazer. só coisas do doutorado e da faculdade. [que não são menos prazerosas por isso]
até o livro do leia mulheres, orlando, de virginia woolf, não comecei ainda, e o encontro já é 04 de junho.

~
ainda lidando com ansiedade, que agora parece mais velada. numa espécie de momento "não tô ansiosa não, ou tô?, mas eu acho que não estou, não me sinto ansiosa, porém devo estar". e por isso o olho tremendo por quase quarenta e oito horas. quarenta e oito horas.
o olho tremendo dizem que é estresse/ansiedade PORÉM se ele não pára de tremer você não pára de ficar estressado nem ansioso nunca.

melhorou. tá tremendo bem pouco agora.
também consegui meditar hoje.
uma saudade absurda dos cachorros.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

bakhtin

... não se esgota a dialogicidade interna do discurso. Não é só no objeto que ela depara com o discurso do outro. Todo discurso está voltado para uma resposta e não pode evitar a influência profunda do discurso responsivo antecipável. 
O discurso falado vivo está voltado de modo imediato e grosseiro para a futura palavra-resposta: provoca a resposta, antecipa-a e constrói-se voltado para ela. Formando-se num clima do já dito, o discurso é ao mesmo tempo determinado pelo ainda não dito, mas que pode ser forçado e antecipado pelo discurso responsivo. Assim acontece em qualquer diálogo vivo. (pp. 52-53)


~ A vida social viva e a formação histórica criam no âmbito de uma língua nacional abstratamente única uma pluralidade de universos concretos, de horizontes verboideológicos sociais e fechados. (p. 63)


... em cada momento convivem linguagens de diferentes épocas e períodos da vida socioideológica. Existem até as linguagens dos dias: porque o dia socioideológico e político de hoje e de ontem, em certo sentido, não têm uma língua comum. Cada dia tem sua conjuntura socioideológica, semântica, seu vocabulário, seu sistema de acento, seus lemas, seu desaforo e seu elogio. (p. 66)


~ Estudar a palavra nela mesma ignorando seu direcionamento fora de si carece tanto de sentido como estudar um vivenciamento psíquico fora daquela realidade para a qual ele está voltado e na qual é determinado. (p. 68)

~ A língua, para a consciência que nela vive, não é um sistema abstrato de formas normativas, mas uma opinião concreta e heterodiscursiva sobre o mundo. [...] Cada palavra exala um contexto e os contextos em que leva sua vida socialmente tensa; todas as palavras e formas são povoadas de intenções. (p. 69)


Em: Teoria do romance I - A estilística (editora 34 ; 2015)

acredito

a resposta foi um dar-tempo-ao-tempo que eu acreditei,

levei um susto que parece irrecuperável.


~


gripada há mais de semana,
meu corpo parece adoecer excessivamente pro meu normal (que é nunca ficar doente).

~

comecei reler hoje dom casmurro, pra disciplina dos romances de machado de assis.
depois do quincas borba (que não terminei - sério, impossível) dá um certo abuso de seguir lendo machado, mas casmurro é mesmo tudo o que superestimam desse livro e desse autor. francamente bom.

heloneida studart segue sendo uma surpresa boa,
e essa semana tô mais decidida e disposta a estudar e me dedicar a isso. é o que eu tenho e devo fazer agora. o que me dá chão, por mais brega que essa frase soe. faz sentido dizê-la.
conto com vários dias de bakhtin pela frente :)

~

aqui há mais de vinte e quatro horas com o olho esquerdo tremendo, sem motivo aparente, sem ansiedade aparente.
na verdade eu tava me achando bem melhor, mas de fato esse fim de semana tive um revés na madrugada do sábado pro domingo.

lado bom é que
antes eu tinha dúvidas se ia aguentar esse quadro de agora, como se duvidasse,
por ora eu só fico me perguntando quando eu vou sair dele.

apesar da aparente calma também começou uma sequência de frio na barriga e sensação de coração saltando pela boca (real, bem real).
não tem muito o que fazer,
e tá meio ruim de trabalhar, revisando livro com esse olho tremendo ininterruptamente.

sexta-feira, 19 de maio de 2017

pedida

talvez. talvez tenha começado aí, na ideia um pouco torta da frase que fez sucesso, da frase que ecoou e foi sendo dita mais e mais vezes, morrendo de amor é que se vive, como se a gente tivesse sempre de sofrer em excesso de doer em excesso de ser para o outro em excesso para que algo valha à pena,
sempre o sacrifício para algo valer a pena,

eu não sei se acredito nisso mais. quer dizer. eu não acredito nisso mais. eu não acho saudável. você? eu penso nisso eu lembro disso e não sei se você lembra as olheiras excessivas o cabelo caindo pela frente; a calvície profunda precoce doentia; os olhos tristes sorrindo; gengivas sangrando. já pensou em algo mais doentio que gengivas sangrando. altas febres.

talvez o errado do tudo tenha partido daí. não digo errado, mas digo engano. faz parte pensar torto e seguir em caminho torto se sentindo satisfeito consigo mesmo; acho que faz.

pensei tanto e me dei tantas pausas e me dei tantos tempos e tenho me dado ainda tantos tempos que agora até pontos finais eu uso, até consigo parar. respirar. descansar mais vezes.

talvez eu esteja precisando do descanso ao invés do salto. do descanso sem ser o descanso depois do salto. talvez haja a necessidade de frase nova e crença nova e mais pontos e vírgulas e pausas; menos correria no tudo.

entende? conquanto ainda faz parte esse momento de agora, jogar fora e despedir. despedir para pedir melhor, acreditando noutras coisas. veja se você quer algo dissos, esse urso de pelúcia trazido do japão e esses cds que não são meus. pois é. cds. desfazer-se é parte do processo de fazer isso desbotar, de fazer essa frase desbotar e sumir, pra ser nova.

pra ser nova.

eu vou pôr no lixo de você não quiser — melhor mesmo que nem queira. é despedida e fim e adeus pra começo de descanso, pra começo de conversa, pra começo de viver de amor e não morrer de amor nunca mais.

nenhuma vez mais.

hoje

duas vezes na biblioteca hoje. manhã e tarde-pra-noite. inclusive sexta-feira parece um dia bom na setorial; mais tranquilo.
foi saudável, foi importante.
desde o começo do ano tenho tido muita dificuldade pra estudar, e acho que essa rotina de agora em diante vai ser necessária. mais biblioteca, o máximo de vezes possível na semana.

queria ir amanhã de manhã, mas uma amiga faz aniversário e marcou um branche pras 10h30. provavelmente vou tomar café da manhã antes e almoçar depois desse evento, mas vamo.

amanhã também tem orquestra sinfônica.
acho que vai ser um dia bom :)

quinta-feira, 18 de maio de 2017

torquato neto,

acho engraçado

que você tenha falado

que a sua "bad" é boa

você não está com nada


~


Adeus

Vou pra não voltar

E onde quer que eu vá

Sei que vou sozinho

Tão sozinho amor

Nem é bom pensar

Que eu não volto mais

Desse meu caminho

Ah, pena eu não saber

Como te contar

Que o amor foi tanto

E no entanto eu queria dizer

Vem

Eu só sei dizer

Vem

Nem que seja só


Pra dizer adeus

comidas

não sei se já comentei aqui (pra mim mesma, que só quem lê aqui sou eu, gad),
mas tô tentando uma alimentação mais vegetariana.
menos carne, menos animal, mais por uma motivação ambiental, ecológica, do que necessariamente pró-animais.
descobri (uma amiga indicou) um self-service vegetariano no mercado petrópolis, bem aqui perto, e tenho ido lá umas três vezes na semana. quando tem almoço em casa, nem sempre tô comendo carne/frango.
essa semana terminei me esforçando em comer um pouco mais de animais, porque adoeci, e sei que a carne me ajuda um pouco em me recuperar mais rápido. (mesmo sabendo que não fiquei doente por falta dela) (enfim).

tá sendo bom. acho melhor voltar à nutricionista pra ter uma dieta mais equilibrada desse modo vegetariano, quase-vegetariano, já que faço esporte, etc, e preciso dum corpo mais saudável.

não tenho pretensão de ser 100% vegetariana um dia. não tenho pretensão de ter uma alimentação onde haja coisas que eu nunca como. acho isso ruim.
mas pretendo ter poucos animais no meu prato e nos meus cosméticos. é um caminho legal. isso pretendo manter :)
hoje a roda de leitura no estágio (creas) foi cancelada por conta da paralisação foratemer no fim da tarde.
eu tava meio nervosa como sempre fico, mas bem empolgada de levar os trechos de cidade de deus hoje. pena.
tomara que role direitinho na próxima semana.
a semtas tem um calendário que prejudica um pouco esse tipo de atividade, mas faz parte. já fui/estava preparada pra isso.

~

a professora do estágio acha ruim que eu mande e-mail em vez de whatsapp.
eu preferia que as pessoas achassem normal usar e-mail para motivos acadêmicos e profissionais e whatsapp para motivos de intimidades em gerais. mas querem whatsapp pra tudo.
me dá aflição um pouco, isso.
vou escrever um e-mail pra ela agora. :)

cidade de deus

Pelé e Pará pegaram o ônibus na Barra da Tijuca numa tarde de sol forte. Ficaram na parte de trás como se nõa se conhecessem. Observavam os relógios, anéis, cordões e pulseiras dos passageiros. Nas imaginações da Gardênia Azul, fizeram a limpa nos passageiros que viajavam na traseira, obrigando-os a descer do coletivo. Na altura dos Apês, fizeram a mesma coisa com os da dianteira. Em frente à quadra de samba trataram de recolher o dinheiro do trocador e foram para a praça dos Garimpeiros ajeitar o roubo. 

Um sargento do Exército, que estava no ônibus, observou o caminho que os dois seguiram. Indignado por perder todo o pagamento, foi para casa, apanhou seu revólver, deu a sorte de encontrar o camburão da Polícia Civil no caminho. Belzebu, depois de ouvi-lo, desceu do camburão. Saíram em passos rápidos pelo caminho que o militar indicava. 

Lá na praça dos Garimpeiros, Pelé discordava de fumarem um baseado naquele local, dizia que era melhor entocarem-se. Pará afirmava que a polícia iria direto para o Bonfim, depois para a Quadra Treze. Ali era mais seguro. Seu parceiro acabou concordando. 

Ao dobrar a esquina, Belzebu avistou a dupla. Recuou. Tramou um plano de captura com o sargento e montou tocaia na esquina. O sargento do Exército deu a volta pelo quarteirão, ganhou a ruela que levava à praça sem ser notado pelos bichos-soltos. Caminhou vagarosamente com a arma apontada. 

A tarde ensolarada já ia pelo fim. Pará apertava o baseado. Pelé recontava o dinheiro conseguido. Um menino, ao observar o sargento, voltou atrás, alarmando-os. O sargento atirou sem conseguir êxito. A dupla pulou o muro de uma casa e fez duas crianças de reféns, impossibilitando a perseguição. A voz e o choro da mãe das crianças obrigaram Belzebu a iniciar uma negociação. Garantiu que se eles se entregassem não apanhariam, muito menos levariam tiros. 
- Porra! Eu te falei que não era legal ficar aqui. Agora é melhor a gente sair pulando os muros de trás – sugeriu Pelé. 
- Que nada, meu irmão! Deve tá cheio de tira aí atrás – retrucou o parceiro. 
- É melhor vocês sair por bem, senão o bicho vai pegar! – insistia o detetive Belzebu. 

Pará, numa atitude impulsiva, libertou a criança, jogou o revólver por cima do muro, abriu o portão e saiu. 
- Coloca as mão pro alto e encosta na parede. Minha palavra vale ouro! – disse o detetive. 

Pelé num primeiro momento achou que o parceiro tinha agido errado, mas, como não ouviu sinal de espancamento, achou por bem se entregar, depois de ouvir do detetive que se devolvessem tudo eles os deixariam em liberdade. Pelé saiu com as mãos para o alto. Belzebu esticou a mão. Pelé entregou-lhe a arma. O sargento entrou no quintal para recolher os objetos roubados. O sorriso do detetive machucou os bichos-soltos. 
- Agora vão andando um do lado do outro com as mãos na cabeça – ordenou o policial. 
- Mas...
- Mas é o caralho, rapá!

Os bandidos seguiram a ordem de Belzebu. Novamente o policial e o sargento entreolharam-se. Combinaram tudo ali sem fazer uso de palavra. O primeiro tiro da pistola calibre 45 do sargento atravessou a mão esquerda de Pelé e alojou-se em sua nuca. A rajada da metralhadora de Belzebu rasgou o corpo de Pará. Um pequeno grupo de pessoas tentou socorrê-los, porém Belzebu proibiu com outra rajada de metralhadora, desta vez para o alto. Aproximou-se dos corpos e desfechou os tiros de misericórdia. 

(pp. 93-94)

frases incoerentes num não-texto de diário

não consegui terminar de ler quincas borba (muito chato);
perto de terminar "torturador em romaria", de heloneida studart (muito bom);
relendo sem pressa "cidade de deus", pois já selecionei alguns trechos pro estágio.


eu queropreciso ser mais produtiva,
pensar menos no abstrato que não controlo
e mais no concreto que devo controlar e manter sob controle. diga-se doutorado.

tô conseguindo meditar com mais qualidade, tem me ajudado,
e essa semana fiz uma sessão de auriculoterapia. pensando principalmente na ansiedade.
melhorei, sim, mas os humores deprimidos eu não comentei com a terapeuta e aí eles seguem vez ou outra.
vez ou outra.
quando vêm, dói um pouco demais. mas parece estar tudo mais sob controle, apesar da tristeza que atua vez em quando.

tenho escrito menos.
sem ideias.
acho que vou rabiscar umas coisas manuscritas hoje. que, inclusive, seguem cada dia mais bregas meus escritos à mão. espero que ninguém nunca encontre nem abra essa caderno.

brasil ruindo, temer quase caindo, e eu tô igual às pessoas dedicadas a construir memes falando mal do pt nesse momento: egoísta e ignorante em excesso. vivendo minha vida do jeito que consigo, mas esse jeito ainda tá ruim, na real.
amanhã tem terapia.

quero dar um jeito no tudo.

domingo, 14 de maio de 2017

quinta-feira, 11 de maio de 2017

hojes

pelo menos consegui voltar a tocar o pouco que toco de violão.
acho que vou imprimir novas cifras e tentar seguir sem as aulas. (cancelei as aulas quando achei que tava no início do novo ciclo).

também marquei de cortar o cabelo e passei a me prometer com certa veemência que vou marcar o dermatologista essa semana. amanhã é o último dia dessa semana.


os correios seguem em greve mas hoje chegou o segundo do livro da trilogia que vou estudar na tese. parece que esse veio todo ok, sem páginas faltando. "o pardal é um pássaro azul", de heloneida studart. teve problemas com a censura mas não consta na lista de romances censurados durante a ditadura. (só romances escritos por homens foram censurados durante a ditadura. "as meninas", de lygia fagundes telles, com cenas punk de tortura, por exemplo, não foi censurado. esse "o torturador em romaria", da própria heloneida, que ainda tô lendo - o que veio com páginas faltando - tinha muito pra ser censurado também, mas não. por que será.)


hoje não teve estágio com os adolescentes lá no creas, por causa da revolta do busão.
eu já tinha selecionado uns trechos de cidade de deus pra levar; vou ler mais do livro pra selecionar mais coisa. queria levar o livro todo, na real, ler tudo com eles, ao longo de semanas. parece enfadonho mas acho que seria bom :)


hoje ouvi algumas vezes um 'tá tudo bem?', 'o que você tem?' e mais.
foi/tá sendo uma semana pesada. que ainda bem que, como toda semana, termina com psicoterapia na sexta.
a ansiedade já virou angústia e o humor deprimido já virou prostração. gastei horas da semana em cima da cama, sem fazer absolutamente nada. é preocupante mas não consigo fazer nada além disso - ver o tempo.

ver e esperar o tempo.

espero que ele venha com dias melhores. e só.
hoje treinei duas vezes,
uma pela manhã e uma à tarde,

dois treinos num dia, pra ver se me lembro que tô viva.
quando você separa tendo tido filhos é chato é ruim ok mas você segue vendo seus filhos;
quando você separa tendo tido cachorros é chato é ruim e não é ok porque você não vê o cachorro nunca mais.

e saudade de cachorro dói que dá angústia.
dói até dar angústia.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

~

me perguntou 'e a sua ansiedade, é por causa de que?'
e eu procuro as respostas todas até agora. faz dias.

sobre coragens

lembro que eu já ia quase na metade do curso de psicologia e já sabia que não gostava daquilo, mas não admitia. eu queria trocar e fazer jornalismo mas não tinha coragem. todos os dias me questionava e me odiava ali, naquela sala de aula, naqueles trabalhos, naquelas obrigações. eu não tinha coragem de largar. eu tinha medo de me arrepender.

cheguei na metade e desisti de tentar decidir.
em três dias percebi que eu iria fazer letras e seria feliz fazendo letras.
mas terminei o curso que já passava da metade.

não tive coragem de largar, de deixar interminado, de não ir até o fim. não tive coragem de não ir até o fim.

me formei e não soube lidar com a pressão familiar de você-tem-de-fazer-algo. mas eu tive ansiedade dessa pressão e me preparei logo para uma prova de mestrado. fiz vestibular também, mas vai que não passava em letras e teria de passar um ano fazendo curso isolado pro vestibular aos 22 anos - pra letras. pra letras.
passei nos dois.
e de novo não tive coragens.
não tive coragens de largar um dos dois e fazer só o que eu queria, que era uma faculdade problemática desde o início, a de letras.

fiz o mestrado até o fim. pelo menos meus pais me deixavam em paz, eu pensava todos os dias. era o que justificava. havia a bolsa, e eu queria viajar, e eu gostava, sim, de estudar, por que não fazer, eu não estava feliz mas estava menos infeliz do que se estivesse sendo de fato psicóloga. ali era só brincar de ser pesquisadora.
mas, de novo, fui até o final. não tive coragem de não ir até o final.

e eu levei essa atitude passiva covarde pra outros campos da minha vida desde então. uma passividade travestida de insistência, persistência. eu teria de ir até o fim, eu teria de fazer dar certo. não posso largar nem desistir, não posso deixar nada inacabado. isso é feio.
e nisso o tempo vai passando, eu vou morrendo aos poucos, eu vou ficando infeliz me fazendo feliz por estar conquistando objetivos (que não são meus nem são de ninguém).

segui passiva demais, covarde demais. a ponto de ser babaca. eu olho pra trás e não me arrependo dessas escolhas porque, sim, aprendi com elas em muitos aspectos. foram escolhas associadas a estudo e trabalho e dedicação acadêmica - mesmo eu tendo sido infeliz, há frutos colhidos, e isso importa, sim, que bom que importa.
mas eu só queria ter tido mais coragens de largar, de abandonar, de deixar as coisas para trás ou pela metade ou pelo um terço ou pelo um sexto, que fosse.
eu não deveria insistir tanto em tudo, resistir demais, persistir e levar até as últimas consequências.

vivi de me exaurir.

quando depois da exaustão tive de dar o braço a torcer e desistir e fugir e mudar o rumo, as coisas aparentemente estavam indo em bons novos caminhos mas logo degringolaram. muito feio esse verbo, degringolar. mas foi exatamente o que aconteceu. o que tem acontecido.
passei a tomar decisões intempestivamente por motivos de "estou há anos sem decidir por nada porque estava só insistindo resistindo persistindo pensando que isso era decidir mas não era". e aí passei a decidir pondo mãos no lugar dos pés, tendo pressa excessiva de viver e assumir o tudo, e experienciar o tudo, em fazer dar tudo certo. fazer dar tudo certo. pedir pra dar tudo certo.

sigo infeliz, parece,
mas de uma forma ansiosa. angustiada. insegura e sem lugar onde ficar.
sigo pedindo para que as coisas dêem certo, mas, aparentemente, o equilíbrio tem de chegar à força. eu agora vinha decidindo demais. escolhendo rápido, pedindo resoluções diretas, sem querer espera, sem querer tempo sem novidades, sem querer marasmos. comparando minha vida a de um outro que ainda me importa mas não me faz mais parte. isso é aceitável mas é fracassar antes de começar a andar; é um desistir antes de começar a tentar. não faz sentido.

me parece que num novo agora eu preciso decidir um quase nada. ironicamente, é o que o momento exige.
decidir demais não tem curado passado nenhum, e tem problematizado um presente que já está problemático.
parece mais necessário limpar as escolhas, seguir sem fazê-las por dias ou semanas ou meses. dá pra ficar torcendo para que as coisas dêem certo e se acomodem - é a escolha que parece adequada, a que consigo lidar agora.
esse tempo estranho e ainda difícil pede uma cautela desse tamanho.
e uma energia que esmague fazendo as coisas seguirem dando certo, apesar da passividade que agora não é covarde nem babaca, mas exigida e plena.
hoje trabalhei


:)

lendo quincas borba

odiando. chato pra caralho.

mas a parte ruim de fazer letras é essa, né, ler livro que não gosta até o final.
livro que não gosta mas que ainda assim é livro "bom", importante em vários aspectos, etc.
pelo menos.

um nome pra isso

a impressão de que praticamente todas senão todas as decisões que tomei firmemente ao longo desse ano tiveram consequências ruins ou difíceis demais. não necessariamente tenham sido decisões erradas - não dá pra dizer (ainda). contudo, todas com consequências complicadas demais, acima das minhas habilidades emocionais (que são bem poucas, verdade).
aparentemente saí dum estágio passivo absoluto para algo que eu acreditava ser assertivo mas que era mais desespero, intempestividade, precipitação. acho que exagerei na energia empreendida e aí muito insucesso. aparentemente, insucesso.
me parece mais seguro mais cômodo não muito inteligente mas um pouco inteligente que eu não faça nada por um agora, por um longo agora. que eu não tome decisões nem vá muito adiante. que não mude muito de lugar nem de postura enquanto sentada. que eu fique. e deixe que tudo aconteça, se aconteça, que eu fique passiva de novo.
se não existir um nome melhor pra isso.

domingo, 7 de maio de 2017

até lá

não vou me decidir por nada agora, ela disse, não vou tomar decisão nenhuma, não tem como nesse agora,
não existia nem vislumbre,
eu só repetia o que queria e sabia que queria, eu só enfatizava o que ela já sabia e repetia, até ficar exaustivo, até ficar mais claro, eu fui impulsivamente claro, impossivelmente claro,
repetidas vezes,
repeti,
e de novo mais resposta de que não era possível decidir por nada nesse agora, não era possível decidir por volta nem por recomeço,
desconfiei algumas vezes que ela já havia se decidido mas não me dizia, me enganava se enganava também, talvez, mas me enganava excessivamente,
eu desconfiava,
repetia,
ela sabia mais ainda sobre tudo que lhe pedia e desejava num novo agora,
não haveria um novo agora, o agora era indeciso por natureza, não decidido por natureza, levado por uma correnteza inexistente,
quando mais vez ela surgiu com o clichê do tempo ao tempo, veremos o que traz, como na frase do gabo, deixe que o tempo passe e já veremos o que traz,
achei canalhice parafrasear garcía márquez assim, numa situação já canalha da parte dela, decisão velada por indecisão comunicada, achei canalha, mas repeti minhas vontades e perguntei pelas dela,
não sei, não vou decidir nada agora, ela repetiu, mas veremos um tempo,
assenti concordei respondi que sim,
tudo bem,
sabendo que quando esse tempo chegasse, eu já teria morrido antes.

amanhã eu trabalho

uma das partes mais socialmente complicadas do ciclo é a apatia em não conseguir fazer quase nada, mas principalmente trabalhar. trabalhar e estudar ficam quase impossíveis, mas, no meu caso, trabalhar muito mais. estudar é difícil por falta de concentração, mas há vontades. trabalhar não há vontades.
e quando começo, duro muito pouco, não retomo, não repito, não volto. me faz mal insistir.
já escrevi longo e-mail pro meu chefe explicando a situação e, claramente, deixando-o à vontade pra me demitir se necessário fosse. necessário até é. mas ele é tão gente boa que não cogitou isso, aparentemente.
não sei.
mas ainda estou aqui (lá, na empresa).
todos os dias me prometo que amanhã-eu-trabalho.
e só faço o estritamente necessário e largo tudo e não faço mais. não faço nada.

aparentemente eu prefiro esse estágio apático no lugar da ansiedade porque meu corpo fica mais calmo e protegido. a gengiva não sangra, eu consigo dormir, eu consigo me alimentar, e a concentração melhora uns dez por cento. mas sigo sem conseguir trabalhar.
também reduzo a quantidade de banhos e de camas arrumadas por semana. reduzo várias coisas importantes.
mas sigo me prometendo que amanhã eu trabalho.

amanhã, segunda, eu vou trabalhar.

sábado, 6 de maio de 2017

releituras

estou relendo cidade de deus, de paulo lins, selecionando uns trechos pra levar pro estágio - a roda de leitura com jovens cumprindo medida socioeducativa. 
queria ter tempo de ler tudo o que quero e preciso e devo, mas quase não dá. 
acho que não vou conseguir reler todo o cidade de deus agora, mas com um terço do livro já vai dar pra selecionar muita coisa massa, pra dois encontros com eles. 

tô em dúvida se levo além da leitura dos trechos, também trechos do filme, 
ou se levo de novo músicas e clipes de racionais, que eles curtiram bastante da última vez. 

se bem que 
dependendo do quanto de cidade de deus que eu leve pra ler e conversar sobre, só os trechos bastem. 

vou postar uns trechos aqui depois. :)
alguns sintomas e situações que me são muito conhecidos por gerar ansiedade eu evito sempre, evito ao máximo, faço voltas, viro as costas, planejo excessivamente para não acontecer,
mas muitas vezes sou questionada do porquê de tais sintomas e situações serem causa de ansiedade minha.
abro mão, deixo que aconteçam, finjo maturidade nisso,
e de novo exatamente aquilo que tenho medo acontece, se repete, me frustra sem me frustrar, me surpreende sem que eu fique realmente surpresa.

e aí eu passo mais um dia ou vários dias na tentativa de me acalmar e raciocinar, estudar e trabalhar,
fingindo amadurecimento outra vez,
enquanto na realidade me prometo evitar duma vez as pessoas as situações os encontros os embaraços o sair do quarto. até o acender a luz, evitando também.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

sigo escrevendo no medium:

www.medium.com/@bia_madruga


ultimamente quase sem maiúsculas e sem pontos,
só virgulas e travessões.

bem livre, às vezes bem dolorido, mas bem livre. isso vem antes. importa mais.

e nos restos,

espero que dê tudo certo,
que fique tudo bem.
falta pouco, na verdade. é um pouco que é grande, mas é um pedaço só.
espero que dê certo duma vez, num logo.

que eu fique pelo menos mais otimista.

amanhã hoje

amanhã no estágio, na roda de leitura com os adolescentes lá no creas,
vou levar um conto do daniel galera uma música do racionais (a vida é desafio).

apesar de eu ir cheia de boa vontade pra lá, e sem tanta expectativa de que eles participem, afinal, roda de leitura não é lá tão atrativo pra quem não é familiarizado com literatura, sempre bate um nervoso no dia anterior. um medo de eles participarem menos ainda e eu ter de sustentar silêncios, olhares e perguntas sem respostas.
quem gosta de fazer isso é psicólogo. não vê problema. eu não. pra mim é difícil.

espero que dê certo, que seja bom.
se eles não falarem muito vou ver com eles outro vídeo/música de racionais (negro drama, acho).
aparentemente eu tenho dormido tarde por tentar adiar o sono e o momento de ficar sem fazer nada, sozinha me esforçando para não pensar coisas que sejam difíceis de haver.
tenho me esforçado para colocar um foco absoluto em cima do doutorado e de tudo que ele representa, mas principalmente em cima das minhas obrigações imediatas com ele. ainda não está funcionando, e isso evidentemente piora a ansiedade.

fico pensando se/quando tudo isso passa,
como que vai ser ficar bem de novo.
acho que vai ser muito bom ficar bem de novo. quero estar aqui pra quando esse dia chegar.

quarta-feira, 3 de maio de 2017

quases

talvez o que tenha de mais esquisito e mais escroto na ameaça do novo ciclo depressivo é a súbita angústia ou tristeza sem causa generalizada. como se você sentisse tristeza por tudo e por nada no mesmo tempo (mesmos segundos). e tudo isso vindo acompanhado de vontades também súbitas de chorar - difíceis de evitar e de conseguir parar em pouco tempo.

as ameaças de novos inícios têm sido muito constantes e evidente que isso é ruim e bom ao mesmo tempo. bom porque pelo menos eu não chego no estágio da desesperança. mas ruim porque é disparador de ansiedade, e, quando me dou conta de estar ansiosa por isso, fico ainda mais ansiosa, porque prevejo uma continuação ruim do tudo.

e sentir ansiedade e angústia simultaneamente é tão ruim que às vezes me pego desejando nova fase apática. pelo menos é mais calma, mais acomodada, não tem solavancos nem sustos.

terça-feira, 2 de maio de 2017

hoje antes de pegar o voo de volta pra natal, fui à livraria cultura atrás de livros de crítica literária, porque simplesmáint recentemente comprei alguns livros pela internet e eles estão demorando muito a chegar. há uma greve não generalizada nos correios, algo assim. (as contas estão vindo, mas as compras não.) (e, inclusive, dos quatro livros que comprei, chegaram dois, um deles veio com erro. as páginas 1-32 vieram replicadas, e vieram faltando as páginas 33-60. de um romance. que vou usar na tese. que bom, né, que bom.)
enfim

fui na cultura e em menos de trinta minutos consegui encontrar o que eu queria e precisava; o que eu não precisava mas queria; e consegui também não encontrar algumas coisas que eu precisava mas ok compro depois na estante virtual e espero seis meses.

os livros estão ocupando meu quarto cada vez mais, os de teoria literária principalmente, e eu sigo sem me dedicar de verdade a isso, a eles, ao doutorado, entendendo muito pouco desse campo abstrato que é a literatura, a pesquisa em literatura, a teoria literária,
e isso tem acelerado minha angústia de um jeito que enfraquece ainda mais minha concentração em estudar os temas. o volume de coisas a ler aumenta exponencialmente enquanto o tempo livre diminui exponencialmente e a concentração diminui exponencialmente também.

até que
nos últimos dias
aparentemente a concentração melhorou um pouco. estou forçando a barra com música clássica, "música para estudar", "música de meditação", e um esforço psicológico sobrenatural de "você tem que sentar e estudar por horas porque é sua obrigação moral e cívica e ocupacional e o que você quer há tanto tempo pra sua vida mas segue ignorando".
já se vão três meses de doutorado e progresso quase nulo de compreensão sobre as obras, a teoria, a literatura brasileira.
tudo ainda muito solto e desencontrado de minha parte,
o aspecto emocional não aperta o cadarço, só faz afrouxar,
mas pelo menos agora estou mais preocupada e isso pode, sim, ser bom. ser o começo da vergonha na cara.
há alguns dias sem meditar de verdade,
porém tem me caído no colo uns textos científicos sobre a importância da respiração pro funcionamento cognitivo/cerebral.

o importante então é que eu lembre de respirar sem ser dum jeito afoito. importante que eu lembre disso várias vezes durante o dia.
no meio duma fase que já dura há muito e que eu quero que passe logo mas parece que a certeza maior é de que ela vai durar por muito tempo,
de estudar e trabalhar ao mesmo tempo e saber que não faço nenhum dos dois bem feito.
já fiz a escolha de maior importância e tento fazê-la sempre antes e com mais dedicação,
mas a concentração resiste e a cabeça se divide em dois espaços simultaneamente.

tá uma situação bem desconfortável num ano emocionalmente instável e ligeiramente complicado.

mas forçando a barra da concentração por aqui,
ativando modo vdc.