domingo, 7 de maio de 2017

até lá

não vou me decidir por nada agora, ela disse, não vou tomar decisão nenhuma, não tem como nesse agora,
não existia nem vislumbre,
eu só repetia o que queria e sabia que queria, eu só enfatizava o que ela já sabia e repetia, até ficar exaustivo, até ficar mais claro, eu fui impulsivamente claro, impossivelmente claro,
repetidas vezes,
repeti,
e de novo mais resposta de que não era possível decidir por nada nesse agora, não era possível decidir por volta nem por recomeço,
desconfiei algumas vezes que ela já havia se decidido mas não me dizia, me enganava se enganava também, talvez, mas me enganava excessivamente,
eu desconfiava,
repetia,
ela sabia mais ainda sobre tudo que lhe pedia e desejava num novo agora,
não haveria um novo agora, o agora era indeciso por natureza, não decidido por natureza, levado por uma correnteza inexistente,
quando mais vez ela surgiu com o clichê do tempo ao tempo, veremos o que traz, como na frase do gabo, deixe que o tempo passe e já veremos o que traz,
achei canalhice parafrasear garcía márquez assim, numa situação já canalha da parte dela, decisão velada por indecisão comunicada, achei canalha, mas repeti minhas vontades e perguntei pelas dela,
não sei, não vou decidir nada agora, ela repetiu, mas veremos um tempo,
assenti concordei respondi que sim,
tudo bem,
sabendo que quando esse tempo chegasse, eu já teria morrido antes.

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