sexta-feira, 19 de maio de 2017

pedida

talvez. talvez tenha começado aí, na ideia um pouco torta da frase que fez sucesso, da frase que ecoou e foi sendo dita mais e mais vezes, morrendo de amor é que se vive, como se a gente tivesse sempre de sofrer em excesso de doer em excesso de ser para o outro em excesso para que algo valha à pena,
sempre o sacrifício para algo valer a pena,

eu não sei se acredito nisso mais. quer dizer. eu não acredito nisso mais. eu não acho saudável. você? eu penso nisso eu lembro disso e não sei se você lembra as olheiras excessivas o cabelo caindo pela frente; a calvície profunda precoce doentia; os olhos tristes sorrindo; gengivas sangrando. já pensou em algo mais doentio que gengivas sangrando. altas febres.

talvez o errado do tudo tenha partido daí. não digo errado, mas digo engano. faz parte pensar torto e seguir em caminho torto se sentindo satisfeito consigo mesmo; acho que faz.

pensei tanto e me dei tantas pausas e me dei tantos tempos e tenho me dado ainda tantos tempos que agora até pontos finais eu uso, até consigo parar. respirar. descansar mais vezes.

talvez eu esteja precisando do descanso ao invés do salto. do descanso sem ser o descanso depois do salto. talvez haja a necessidade de frase nova e crença nova e mais pontos e vírgulas e pausas; menos correria no tudo.

entende? conquanto ainda faz parte esse momento de agora, jogar fora e despedir. despedir para pedir melhor, acreditando noutras coisas. veja se você quer algo dissos, esse urso de pelúcia trazido do japão e esses cds que não são meus. pois é. cds. desfazer-se é parte do processo de fazer isso desbotar, de fazer essa frase desbotar e sumir, pra ser nova.

pra ser nova.

eu vou pôr no lixo de você não quiser — melhor mesmo que nem queira. é despedida e fim e adeus pra começo de descanso, pra começo de conversa, pra começo de viver de amor e não morrer de amor nunca mais.

nenhuma vez mais.

Nenhum comentário: